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Atleta da matemática

O mineiro João César Vargas quer o ouro na olimpíada internacional, que acontece no Rio em julho, antes de seguir para a universidade de Princeton

Encerrada a olimpíada dos esportes, em 2016, outra disputa do gênero vai movimentar o Rio de Janeiro. De 12 a 23 de julho, a cidade vai sediar a 58ª edição da Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, em inglês) – e, tal qual os Jogos Olímpicos, será a primeira competição desse tipo a pousar em solo brasileiro. Entre os jovens de 110 países que passarão duas semanas quebrando a cabeça com cálculos, seis são brasileiros, um time selecionado através de rigorosa peneira que apontou os melhores da disciplina em que o Brasil figura entre os piores. Dos geniozinhos nacionais, o veterano é João César Vargas, 19 anos e uma extraordinária história de conquistas – detém atualmente vinte medalhas, sendo dois ouros em olimpíadas brasileiras e a prata na IMO do ano passado, em Hong Kong.

João nasceu e cresceu em Passa Tempo, cidadezinha de 8 000 habitantes a 150 quilômetros de Belo Horizonte, filho de trabalhador rural e professora. Estudou em escola pública e sempre se deu bem com números e cálculos. Por isso mesmo, quando tinha 9 anos sua mãe o apresentou a uma prova da Olimpíada Brasileira de Matemática para Escolas Públicas. João ficou fascinado. Ainda teve que esperar dois anos para se candidatar, ele mesmo, ao pódio, só acessível a partir da 6ª série. Quando entrou no páreo, arrebentou: coleciona hoje seis ouros na competição do ensino público. “Aquela prova fez com que me sentisse desafiado. Foi aí que tomei gosto de verdade pela matemática”, relata.

Com cara e coragem, mudou-se sozinho para Belo Horizonte para fazer o ensino médio. “Fui atrás de melhores condições de estudo. No outro colégio, a matemática era fácil demais, eu me destacava sem grande esforço”, lembra. Por dois anos, frequentou uma escola técnica ligada à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No último, nova mudança: a convite da própria direção, transferiu-se, com bolsa integral e auxílio moradia, para o Etapa, de São Paulo, celeiro de bons resultados em campeonatos matemáticos. “Lá, tive preparação especial para olimpíadas, o que me ajudou bastante”, diz.

O campeão garante que, apesar de estudar muito, leva vida normal: namora, vai a festas, sai com amigos. “Adoro ver Netflix”, entrega. Não é só nas olimpíadas que a matemática de João é vencedora, No fim do ano passado, antes das provas finais do ensino médio, mandou seu currículo para universidades americanas e foi aceito em cinco, entre elas as prestigiadíssimas Yale, Princeton e MIT. Optou por Princeton, “a melhor em matemática”, e é para lá que vai – um belo campus arborizado no estado de New Jersey – no fim de agosto.

“Quem diria? Uma chance dessas nem passava pela minha cabeça quando eu morava em Passa Tempo”, surpreende-se. Vê no seu futuro uma pós-graduação e um doutorado, provavelmente fora, mas planeja voltar e fazer carreira no Brasil, “pesquisando e dando aula em universidade”. Antes de tudo isso, porém, o que João quer mesmo é ter pendurada no pescoço a medalha de ouro da IMO. Falta pouco.

Comentários

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  1. Claudio Stainer

    Fico esfuziado com a Matemática. Tenho Mestrado más jamais participei de uma olimpíada.

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  2. Marcos MMachado

    Claudio…ter Mestrado em Matemática não o impediu de assassinar a língua pátria com esse más…..que, significa mal, o correto é a conjunção adversativa mas.

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  3. Que estória fantástica e inspiradora a desse jovem mineiro. Desejo-lhe muita sorte e sucesso na olimpíada lá no Rio. Fico me perguntando quantos deles não devem existir Brasil afora, nos rincões do país, mas não se destacam por falta de oportunidade e sorte que, felizmente, não faltaram ao João César. Espero que Veja também divulgue o resultado das provas.

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  4. José Adriano Silva

    Marcos MMachado, a exigência de raciocínio para acompanhar um único teorema matemático é maior do que toda a decoreba das regras de português. Aposto que não consegues aplicar um T. de Pitágoras.

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