A conversa das plantas

Segundo Peter Wohlleben, árvores são seres sociais que exibem linguagem, memória e cuidam de suas crias

Árvores fazem amizades, unem-se em casais, cuidam e educam seus filhos. Para o alemão Peter Wohlleben, as plantas, essas criaturas altamente sociáveis, são dotadas de linguagem, memória e inteligência. As novidades têm cativado o público em todo o mundo desde que esse engenheiro florestal publicou o livro A vida secreta das árvores, no fim de 2016.

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O título, best-seller na Alemanha e nos Estados Unidos, foi lançado no último mês no Brasil e, em suas páginas, Wohlleben, que trabalha como guarda florestal promovendo excursões pelos bosques da região de Eifel, no Oeste da Alemanha, há vinte anos, resolveu retirar os jargões científicos das últimas descobertas da biologia. Substituiu termos como “comunicação química” por “conversa”, ou “rede de transmissão de sinais eletroquímicos”, pelo mais simples “internet das árvores”.

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“Não gosto de escrever, mas achei que era importante transmitir essas ideias de uma maneira que todos pudessem entender”, disse Wohlleben à VEJA. “Preferi ‘humanizar’ o assunto pois, há pelo menos trinta anos, sabemos que as plantas não são robôs autômatos que apenas respondem automaticamente a estímulos. Elas conseguem não só expressar muitas coisas, como perceber o mundo a seu redor, tirar conclusões e estabelecer estratégias para sobreviver. É um tipo de inteligência diferente da animal.”

Para o autor, que vive em uma casa construída em meio a uma floresta no município de Hümmel, a notícia mais importante que os ciência trouxe com as pesquisas em biologia é que as árvores são criaturas sociais. “Temos a tendência a enxergar a natureza como uma grande competição, mas o universo das plantas é construído com base no apoio e auxílio ao próximo. Esses seres estão sempre interessados no social, pois sabem que, assim, criam sistema mais estável e saudável para todos viverem — e isso inclui os humanos. Acredito que caminhar pelas florestas e observar as árvores pode nos ensinar muito, principalmente nesse momento político tão instável por que o mundo passa.”