Após questionamentos, PF e ministério defendem sistema sanitário

O presidente da Associação Nacional dos Delegados de PF afirmou que houve "falha de comunicação" na divulgação dos resultados da Operação Carne Fraca

Após questionamentos à forma como a Polícia Federal conduziu a Operação Carne Fraca, que investiga um esquema de corrupção envolvendo fiscais agropecuários e frigoríficos, o diretor-geral da instituição, Leandro Daiello Coimbra, se reuniu nesta terça-feira com o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Roberto Novacki.

Em nota conjunta, PF e ministério afirmam que a investigação de eventuais irregularidades identificadas no Sistema de Inspeção Federal (SIF) “se relacionam diretamente a desvios de conduta profissional praticados por alguns servidores”. “E não representam um mau funcionamento generalizado do sistema de integridade sanitária brasileiro.”

As investigações da PF levantaram suspeitas sobre a qualidade dos produtos fabricados por 21 empresas. Entre os problemas apontados estavam o uso de cabeça de porco na fabricação de linguiça, utilização de ácido ascórbico para melhorar a aparência de carnes e de papelão na carne.

Mais tarde, empresas citadas questionaram as escutas da PF e rebateram as conversas que envolviam a utilização de papelão. Disseram que o papelão mencionado era para embalar o produto.

O anúncio da investigação gerou uma reação negativa no mercado internacional. Vários mercados, como Hong Hong, China, Japão, Chile, Suécia, México e Jamaica anunciaram restrições à entrada da carne brasileira em seus territórios.

Em nota, PF e ministério dizem que a reunião de hoje teve o objetivo de “fortalecer a relação entre as instituições e reafirmar o compromisso de ambas em elucidar os fatos investigados”.

“O sistema de inspeção federal brasileiro já foi auditado por vários países que atestaram sua qualidade. O SIF garante produtos de qualidade ao consumidor brasileiro”, diz a nota.

O Brasil exporta o equivalente a 14 bilhões de dólares por ano em carnes. O setor emprega 6 milhões de pessoas.

Questionamento

O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Carlos Eduardo Sobral, afirmou que houve “falha de comunicação” na divulgação dos resultados da Operação Carne Fraca.

“A operação foi necessária, havia corrupção, servidores públicos envolvidos e alguns frigoríficos. Havia crime e a investigação aconteceu. Ao final, a nota da PF diz que foi a maior operação da história. Por quê? O número de mandados. Só que você dizer que é a maior, envolve uma série de variáveis com importância, repercussão econômica, social. Ao dizer que é a maior, dá uma dimensão muito grande, que talvez tenha gerado essa interpretação de que aqueles fatos eram um problema sistêmico de todo o mercado produtivo brasileiro”, afirmou Sobral.

O delegado considerou que apesar da investigação ter durado dois anos, não significa que a saúde dos consumidores tenha sido colocada em risco. “Eu não tenho detalhes da investigação. Do que eu vi, quando havia risco de um produto chegar ao consumidor, algumas medidas eram acionadas para evitar isso. Você continua com a investigação, mas não permite que a saúde seja prejudicada. É algo comum numa investigação dessa envergadura.”

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

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  1. Ricardo Silva

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.
    PARA MIM, É POUCO.

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  2. Como é bom ver a PF admitindo que falhou. E o estrago na economia? Quem vai pagar? Os adoradores do Bolsonaro? A direita idiota que destilou seu ódio aqui? Desde o início isso, todo o processo estava errado, mas os “entendidos” aqui de plantão, fizeram os mais absurdos comentários. Pois é, errar é humano e admitir o erro é divino.

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  3. Fiquem sabendo que cabeça de porco ou “miolos”, se come desde que o mundo é mundo. Vocês, a grande maioria moram nas cidades e não sabem de coisas, de detalhes e eu que nasci e vivo na roça, sei o que é. Os “conservantes” estão dentro da lei e o papelão se refere à embalagem. Mas infelizmente a ânsia de destruir o governo e o Brasil, para erguer o derrotado Bolsonaro como o salvador da pátria é tão grande, que os medíocres comentam as mais imbecis abobrinhas.

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  4. Adilson Nagamine

    Tá com dor de barriga?
    26 de Março neles!

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  5. Francisco Lemos

    A vida no Brasil vale muito pouco. Fica facil dizer que comer carne podre nao e tao ruim assim. Queria ver o que aconteceria se um escandalo dessas proporcoes acontecesse em paises serios tipo USA, Franca, Canada,etc..

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  6. Francisco Lemos

    Eles sabm que e muito dificil estabelecer uma relacao direta entre causa e efeito. As pessoas vao adoecer, mas nao sera possivel estabelecer com precisao que foi a carne podre. Do mesmo modo que ate hoje nao e facil dizer que cancer de pulmao e causado pelo tabagismo. Brasil nao e pais serio.

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  7. Passaram dois anos investigando. 21 frigoríficos sob suspeição e tres interditados. Essa investigação rigorosa é um atestado que os mais de 4 mil frigoríficos trabalham em boas condições de higiene. Mas o anúncio bombástico da investigação, sugeria falsamente, que havia corrupção generalizada e atingiu toda a carne produzida no Brasil. Uma irresponsabilidade que provocou efeitos devastadores em um produto sadio, terceira maior exportação do país. A polícia federal deveria, desde o início, dizer que o problema era pontual. Na ânsia dos holofotes, prejudicou nossa economia, milhares de trabalhadores do setor e abriu caminho para o bloqueio da nossa carne no exterior, beneficiando nossos concorrentes. Uma coisa é investigar e denunciar uma prática errada onde está acontecendo, outra é generalizar e sugerir uma situação falsa. Erro brutal de comunicação.

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  8. José Silvério Lemos

    A verdade sempre aparece! Infelizmente o prejuízo ao país não tem volta! Se fosse um desses frigoríficos entrava contra a união emula ação de perdas e danos, bilionários! A conta? Ora, nós pagamos né Polícia Federal?

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