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Robert Stack

Séries Clássicas Ganham Mostra no PaleyFest



Entre os dias 15 e 21 de junho, quem estiver passando por Los Angeles, poderá ter a oportunidade de conferir o encontro de atores que fizeram parte da produção televisiva dos anos 50, 60 e 70. Em celebração à cultura pop, o PaleyFest agendou a reunião desses atores, que conversarão com o público presente. Também está prevista a exibição de vários episódios de séries clássicas, bem como imagens raras de arquivo.

Com ingressos a preço médio de 15 dólares, o evento terá início no dia 15 de junho com a exibição de “Cinderella” (foto acima), especial musical produzido em 1965, estrelado pela novata Lesley Ann Warren, na época uma adolescente. No elenco também estavam Stuart Damon, Ginger Rogers, Walter Pidgeon, Jo Van Fleet, Pat Carroll, Celeste Holm e Barbara Ruick. A atriz Lesley Ann Warren estará presente no local.



No dia 16 será a vez do encontro com os atores daquela que é considerada a primeira dramédia da TV americana “Room 222″. Denise Nicholas, Karen Valentine, David Jolliffe e Judy Strangis, além do diretor e produtor Gene Reynolds, conversarão com o público após a exibição de um episódio da série. Com uma abordagem ousada para a época, “Room 222″ explorou temáticas como o racismo, a sexualidade, gravidez na adolescência, o uso de drogas e a Guerra do Vietnã, durante as cinco temporadas em que foi produzida.

A série inovadora apresentava o dia a dia de Pete Dixon, um professor negro que dava aulas de história em uma escola de Los Angeles, inspirada no filme “Ao Mestre com Carinho”. A dramédia serviu de porta de entrada para muitos atores em início de carreira, como Richard Dreyfus, Teri Garr, Chuck Norris, Kurt Russell e Mark Hamill. Considerada a precursora de séries como “Anos Incríveis”, a dramédia foi criada por James L. Brooks, um dos responsáveis por “Mary Tyler Moore”, “Lou Grant” e “Taxi”, entre outras.



No dia 18 o PaleyFest apresenta um episódio de “Os Novos Centuriões/Police Story”, série antológica dos anos 70 que explorou a câmera em movimento muito antes de “Chumbo Grosso/Hill Street Blues”, nos anos 80, fato que não é de conhecimento geral, em especial da mídia atual. Criada por Joseph Wambaugh, a série trazia uma abordagem realista sobre o dia-a-dia dos policiais, cruzando a linha que serpara o herói x bandido. A série teve três spinoffs: “Police Woman”, “Joe Forrester” e “Dan Shay”.

O episódio que será exibido é “A Chance to Live”, estrelado por David Cassidy. Ele interpreta Dan Shay, um policial infiltrado em um cartel de drogas que opera nas escolas de Los Angeles, encontrando dificuldades de separar sua vida profissional da pessoal. Também no episódio estão Vince Edwards, Gloria DeHaven, Anne Lockhart, Dane Clark e Dee Wallace. O episódio gerou a produção de “Dan Shay” (foto acima).



Ainda no dia 18 de maio será exibido um episódio de “That’s Life”, sitcom que explorou elementos dos programas de variedades, introduzindo números musicais (algo que hoje se faz em “Glee”). Criada por Marvin Marx, a sitcom era estrelada por Robert Morse (atualmente em “Mad Men”), e E.J. Peaker, que se farão presentes ao evento.

A história da série girava em torno de Bobby e Gloria, apresentando a evolução de sua relação. Começou quando eles se conheceram, passando pela cerimônia de seu casamento e pela gravidez do primeiro filho, chegando às primeiras experiências profissionais de Bobby e os altos e baixos da vida a dois. As cenas eram intercaladas com números musicais, com canções originais ou não, bem como monólogos. Ao longo de sua produção, a série contou com as participações especiais de Sid Caesar, Louis Armstrong, Liza Minnelli, Tony Randall, Ethel Merman e até dos Muppets.



No dia 19 será apresentado alguns episódios de “As Sogras/Mothers-in-Law”, uma das últimas produções da Desilu antes dela ser vendida à Paramount. Estrelada por Eve Arden e Kaye Ballard, também contou com a participação semiregular de Desi Arnaz, que na época já tinha se divorciado de Lucille Ball.

Criada por Madelyn Davis e Bob Carroll Jr., roteiristas de “I Love Lucy”, e produzida por Arnaz, a sitcom apresentava a relação de amizade entre duas mulheres cujos filhos tinham se casado. Tentando ajudar os rebentos a se ajustarem à sua nova vida, as sogras se metiam em constantes confusões. A exibição dos episódios ocorrerá quase um mês antes do lançamento da série em DVD, previsto para o dia 27 de julho, nos EUA.



Ainda no dia 19 será apresentando um painel que reunirá o elenco de “Meus Três Filhos”, também conhecida como “Meus Filhos e Eu”. Stanley e Barry Livingston e Tina Cole, que fizeram parte do elenco original se farão presentes ao lado de Laurie MacMurray, filha de Fred MacMurray, já falecido, e de John G. Stephens, um dos produtores da série. A sitcom, apresentou a vida do viúvo Steve Douglas (MacMurray) e sua relação com os três filhos ao longo de 12 temporadas, nos anos 60.



No dia 20 o PaleyFest exibirá com entrada franca, o episódio piloto de “O Sótão/Love on a Rooftop“, sitcom estrelada por Pete Duel (de “Smith & Jones”) e Judy Carne. A série, que foi pouco reprisada, mesmo na TV americana, apresentava a vida de um casal em início de matrimônio, vivendo em um pequeno apartamento sem janelas que dá passagem para o sótão do edifício, onde se tem a mais bela vista da cidade de São Francisco.



No mesmo dia, o PaleyFest exibe um telefilme produzido em 1968 chamado “Laura”. Trata-se da versão de Truman Capote para o filme de 1944 dirigido por Otto Preminger com base na obra de Vera Caspary. Capote escreveu o roteiro como um favor à Jacqueline Kennedy Onassis, para que sua irmã, Lee Raziwill, aspirante a atriz, pudesse estrelar. Creditada como Lee Bouvier, ela assume o personagem título que foi interpretado por Gene Tierney no cinema. Também no elenco estão George Sanders, Robert Stack (no papel que foi de Dana Andrews), Arlene Francis e Farley Granger.



O evento encerra no dia 21 de junho com a reunião do elenco da sitcom “Beaver/Leave it to Beaver”, produção de 1957 a 1963 que se tornou parte da cultura popular. A série somente foi cancelada a pedido dos atores que já estavam entrando na idade adolescente. A história girava em torno dos irmãos Theo, também conhecido como Beaver, e Wally.

A série foi uma das primeiras sitcoms a apresentar histórias unicamente do ponto de vista das crianças, e não dos pais. Por isso mesmo tornou-se um marco, abrindo caminho para produções como “Lassie”, na qual os atores tiveram participação especial em um episódio, “Os Amores de Dobie Gillies” ou “Dennis o Travesso/Dennis the Menace”, também conhecida como “O Pimentinha”. No evento, estarão presentes os atores Jerry Mathers, Tony Dow, Ken Osmond e Frank Bank.

15/10/2009

às 20:35 \ Séries Anos 1950-1959, Versão Televisiva

Relembrando Os Intocáveies

Anos 30. Chicago. A máfia domina o crime organizado, contrabandeando bebidas durante a Lei Seca, cometendo assassinatos e subornando a justiça. Seu maior representante, Al Capone. Maior oponente, Eliot Ness e sua equipe de incorruptíveis agentes federais, conhecidos como Os Intocáveis/The Untouchables. Esse era o tema da série policial que estreou há exatos 50 anos na ABC. A produção teve como base o livro de memórias The Untouchables, escrito pelo própio agente Eliot Ness, com o escritor Oscar Fraley, e publicado em 1957, um mês após Ness falecer de um ataque cardíaco.


Robert Stack e o verdadeiro Eliot Ness

No papel do principal homem da lei estava Robert Stack. Seu grupo era composto pelos agentes Enrico Rossi (Nicholas Georgeade), Lee Hobson (Paul Picerni), William Youngfellow (Abel Fernandez), Jack Rossman (Steve London), Martin Flaherty (Jerry Parris), LaMarr Kane (Chuck Hicks) e Cam Allison (Anthony George). Al Capone era interpretado por Neville Brand, que mais tarde faria o papel do patrulheiro Reese Bennett na série Laredo, e no papel de seu capanga, Frank Nitti, estava Bruce Gordon.

Stack não foi a primeira escolha para Eliot Ness. Ele foi contratado dias antes das filmagens começarem, quanto Van Johnson desistiu do papel por questões salariais, e Van Heflin não tinha interesse. A série produzida pela Desilu Studios estreou com o episódio duplo The Scarface Mob, no programa Desilu Playhouse, em abril de 1959. Tendo atingindo grande sucesso de público e crítica, garantiu sua venda. O piloto bem como diversos episódios da primeira temporada foram supervisionados por Quinn Martin, que mais tarde montou sua própria produtora através da qual criou séries famosas, como São Francisco Urgente/The Streets of San Francisco, O Fugitivo/The Fugitive e Os Invasores/The Invaders.

Apesar do sucesso, Os Intocáveis era considerada muito violenta, especialmente por pais preocupados, e atraiu a crítica de imigrantes italianos, que não ficaram contentes com a imagem negativa dos italianos, sempre apresentados como criminosos. A insatisfação levou a processos contra o estúdio, incluindo uma ação movida pela viúva de Capone. Até mesmo o FBI ficou contrariado, pois a série estava atribuindo aos intocáveis vitórias que na verdade tinham sido conquistadas pelo FBI. Para tranquilizá-los, personagens foram introduzidos, em uma tentativa de retratar os fatos de forma mais precisa.

O diretor Walter Grauman resumiu o conceito como “um drama de ficção com a autenticidade de documentário”. De fato, os episódios começavam com uma narração feita por Walter Winchell, relatando os casos de Eliot Ness, que foram além dos anos 30 e da prisão de Capone em 1932. Quando não estavam atrás do chefão da máfia, os intocáveis enfrentavam Ma Barker, Bugs Moran (cuja gangue sofreu baixas no notório Massacre de São Valentin) e até mesmo nazistas. Atores talentosos como Robert Redford, Telly Savalas, Lloyd Nolan e Peter Falk davam vida à serie com seus retratos dos vilões. O realismo também era alcançado com a cuidadosa recriação da época. O automóveis eram peças de colecionador, o que tornava a manutenção muito cara, pois qualquer peça substituída tinha de ser original.

Em 1961, a insatisfação da comunidade italiana ainda não cessara. O líder estivador “Tough” Tony Anastasia conseguiu afastar o patrocinador Liggett-Meyers, ameaçando deixar sua carga de cigarros parada nas docas. A Desilu e a ABC então se reuniram com o diretor da Italian-American League to Combat Defamation e concordaram em não usar mais sobrenomes italianos nos criminosos fictícios. Além disso, o personagem de Nick Rossi passou a ter mais destaque para mostrar a influência positiva dos italianos no combate ao crime e na cultura americana. Enquanto os imigrantes decentes mostravam seu descontentamento, os que de fato pertenciam ao submundo contatavam a produção e até mesmo os atores com sugestões baseadas em seus próprios crimes.

Na quarta temporada, as controvérsias começavam a transformar a série em

um incômodo para a rede. Desi Arnaz, diretor da Deisilu, precisou fazer uma oferta melhor a Robert Stack para convencê-lo a continuar na série, pois ele havia decidido abandonar Ness. Os insistentes protestos levaram à redução da violência e à transformação de Ness em um personagem mais humano. Com o fim de suas características básicas e a mudança de horário, a audiência caiu e Os Intocáveis encerraram suas operações em maio de 1963.

A série já teve as duas primeiras temporadas lançadas em DVD no Brasil: 1ª T vol.1; 1ª T vol.2; 2ª T vol.1; 2ª T vol.2.

Texto: Marta Machado (a convite de Fernanda Furquim)

Chega "Os Intocáveis" em DVD

A série produzida entre 1959 e 1963 chegou em DVD ao Brasil. O primeiro volume da primeira temporada traz os 18 episódios iniciais da série, incluindo o filme piloto exibido no teleteatro Desilu Playhouse. Esse filme foi disponibilizado no Box com a introdução de Desi Arnaz e Walter Wintchell, que fazia a narração. Essa introdução foi exibida uma única vez na TV americana, quando da estréia do filme. Com áudio em inglês e legendas em português, o box não traz Extras (além do já mencionado). O lançamento é da Paramount e custa R$99,90.

Produzida seguindo o estilo documentário, a série apresenta episódios narrados com um texto enchuto no qual somos apresentados aos personagens e à ação. O tom de voz do narrador segue a linha dos noticiários, apresentando de forma seca e direta, a situação em que os personagens estão envolvidos. Esse docudrama (estilo introduzido na TV por Jack Webb com “Dragnet”) tráz personagens reais vivendo aventuras fictícias. A série também foi inovadora para sua época, ao apresentar o universo dos gângsters e do submundo do crime na televisão como enredo principal.

Comparada aos film noir do cinema, a série utilizou-se de cenários e carros dos anos 30. A série era filmanda geralmente à noite em função dos problemas de orçamento (especialmente no último ano). Era necessário poupar a iluminação, o que proporcionou um visual mais introspectivo e sombrio.

Uma das mais importantes séries clássicas americanas, “Os Intocáveis” teve como base a autobiografia do agente especial Eliot Ness. Com um total 118 episódios, mais o piloto, a produção marcou a história da TV americana.

No final dos anos 50 a TV nos EUA estava recheada de faroestes e sitcoms. Somente nessa década, foram 148 sitcoms e 30 faroestes. O sucesso dos bangue-bangues televisivos estava justamente na mistura de ação, comédia, drama e aventura que atraíam as crianças e os adultos. No entanto, ela estava repleta do que foi classificado na época, de cenas violentas. Traduzindo: muito tiroteio e mortes e comportamentos violentos. Então, para completar, estreou “Os Intocáveis”, a responsável em provocar a revolta dos telespectadores mais preocupados com o nível de violência na televisão. Foi o sucesso do filme e posteriormente da série, que fez com que o Federal Communications Comission – FCC, estipulasse novas regras e exigisse a diminuição da violência na televisão.


Até a estréia na TV, poucos tinham ouvido falar de Eliot Ness e, provavelmente, ele ficaria esquecido na história americana, ofuscado pela fama de Al Capone. Este sim, todos já tinham ouvido falar. O sucesso dos filmes de gângsters produzidos para o cinema nos anos 40, e retomados no final dos anos 50, fez com que a televisão começasse a pensar na possibilidade, …quem sabe…, talvez fosse uma boa idéia uma série que levasse os gângsters para a TV. Não que isso nunca tivesse sido feito. Mas, com “Os Intocáveis”, série teria personagens fixos representando o submundo do crime, vistos em pé de igualdade aos mocinhos.

Nenhuma emissora ou produtora se interessou pelo projeto. A não ser a Desilu Productions, de propriedade de Desi Arnaz e sua esposa Lucille Ball, que já tinha produzido “I Love Lucy” e a qual ainda viria a produzir séries como “Jornada nas Estrelas” e “Missão: Impossível”. Lançada dentro do teleteatro Desilu Playhouse, o piloto de duas partes, mostra a captura de Al Capone pelo agente Eliot Ness e sua equipe. Também é aqui que vemos a imprensa americana batizar o grupo de “Intocáveis”. O nome é uma referência ao fato de que eles eram incorruptíveis, algo comum entre policiais e representantes do governo na época.

A princípio, Desi Arnaz não gostou da idéia. Ele tinha como regra nunca produzir histórias que abordassem maus-tratos infantis, adultério ou violência (física ou psicológica). Ele estava de férias quando decidiram produzir o filme e, ao voltar, teve que ser convencido. Quem o conveceu não foi nenhum executivo ou agente de publicidade, mas a própria autobiografia publicada por Eliot Ness em 1957. Assim, ele comprou os direitos de produção.

A dificuldade em transpôr para a telinha da época a história sobre a captura de Al Capone, com perseguições e a produção de cenários diversos, fez com que o orçamento de 300 mil dólares fosse ultrapassado e o roteiro reescrito inúmeras vezes. O piloto chegou à 500 mil dólares, isso porque Desi decidiu dar um tratamento cinematográfico para a produção, filmando, inclusive, em widescreen para que pudesse ser exibido nos cinemas Europeus.

Entre os atores que foram cogitados para interpretar Ness estão Van Heflin, Van Johnson, Alan Ladd, James Arness e Fred MacMurray. A maioria recusou com medo de trabalhar na TV. Foi então que encontraram Robert Stack, que levou 13 horas para ser convencido a trabalhar em uma série de televisão. Só conseguiram porque Desi ofereceu a Stack a co-produção do piloto (e da série caso ela chegasse a existir), 7.500 dólares por episódio, 10 mil dólares pelo piloto e mais 25% dos lucros da série. Assim, a produção teve início.

Al Capone (Neville Brand), sai da cadeia para onde foi levado sob a acusação de porte de arma. Novamente no comando de seu império, ele descobre que tem de enfrentar uma nova equipe organizada pelo promotor público Beecher Asbury (Frank Wilcox). Formado por Ness (Stack), o grupo, escolhido a dedo pelo agente, tem total liberdade para agir em nome da lei com o objetivo de prender Capone de uma vez por todas. Este, por sua vez, ordena o seqüestro da noiva de Ness, mata um informante do agente e coloca sua cabeça a prêmio. Após muita correria e ação, Ness e seu grupo descobrem uma forma de prender Capone: ele deve ao imposto de renda!

Você pode matar, violentar, subornar, contrabandear, seqüestrar e outras coisas mais, mas nunca, jamais, fique devendo ao imposto de renda!!

A produção do piloto ficou a cargo de um jovem desconhecido na época chamado Quinn Martin. Mais tarde, ele viria a produzir séries como “Os Invasores”, “O Fugitivo, “São Francisco Urgente”, “F.B.I.” e muitas outras, quase todas no estilo narrativo de documentário. A primeira parte do piloto teve uma audiência de 31.8%. Entusiasmado, Desi anunciou a produção da série antes mesmo da segunda parte ir ao ar na semana seguinte. O sucesso também provocou uma corrida dos grandes estúdios à porta da pequena Desilu Productions, com a oferta de distribuir a produção no cinemas americanos (além do europeu). Mas foi a própria Desilu que lançou o filme, agora rebatizado de “The Scarface Mob”.

No final de 1959, ano de estréia da série, a irmã de Al Capone, Mafalda Maritote, entrou com um processo contra a Desilu e a rede CBS que exibiu o piloto, além da Westinghouse que era uma das patrocinadoras. No processo, Maritote alegou que o nome e a personalidade do irmão tinham sido usadas sem seu consentimento. A Desilu e as demais citadas ganharam a ação.

Seis meses após a produção do piloto, a série entrou na grade de programação da rede ABC, criando animosidades entre a CBS e a Desilu. Todos os carros foram alugados do ator e diretor Jack Webb. Cada automóvel custava 500 dólares e precisava ser reformado quando avariado. A série inicia com Frank Nitti (Bruce Gordon) assumindo o posto de Capone. Apesar dos personagens, mocinhos e bandidos, serem reais, as histórias eram fictícias. Isso porque, na vida real, o grupo dos Intocáveis somente existiu para capturar Capone. Após sua prisão, ele foi dissolvido.

A série teve vários problemas de produção. Para começar, em manter o elenco fixo intacto. As mudanças ocorreram desde os integrantes do grupo de intocáveis, até chegar ao ator Bruce Gordon que saiu após a primeira temporada porque estava cansado em ser confundido com bandido. Em entrevistas na época, Gordon disse que sempre que entrava em um banco, as pessoas ficavam com medo e o gerente ameaçava chamar a polícia!

A decisão da Desilu em produzir uma série com base em personagens verídicos mas com histórias fictícias gerou uma onda de crítica por parte da imprensa, dos próprios envolvidos, ou seus familiares, e de representantes de grupos sociais, como os defensores da moral pública, de grupos étnicos (mais precisamente os italianos), da Secretaria de Segurança Pública e de historiadores.

Na segunda temporada, a série foi novamente alvo de críticas da Força Policial, quando o episódio de estréia “O Grande Trem”, apresentou os policiais como inaptos e adeptos da corrupção. Na vida real, Capone e mais 52 prisioneiros foram transferidos de trem para Alcatraz. Com uma segurança reforçada, a viagem transcorreu sem problemas. Na série, ocorreu uma tentativa de fuga. Eliot Ness e seus homens conseguem evitá-la. Todos os bandidos que intentaram a fuga morrem e os prisioneiros são levados ao presídio de segurança máxima.

Uma queixa foi feita junto à FCC pela Secretaria de Segurança Pública. Assim, a ABC precisou exibir uma aviso no final da segunda parte do episódio, no qual informavam que: “este episódio não retrata os fatos verídicos e não tem a intenção de ofender a integridade do sistema penitenciário americano”.

Mas a série continuou sendo alvo da revolta de vários órgãos públicos e da sociedade. Acusada de promover a violência, o sadismo sexual, mortes sem provocação, morte de vítimas de seqüestro com requintes de crueldade, morte de crianças e cenas de torturas em que aparecem vítimas agonizando, além da revolta dos ítalos-americanos, “Os Intocáveis” precisou manter, em bases permanentes, o aviso sobre ser uma obra de ficção. Com relação aos bandidos, a maioria dos italianos foi substituída por russos ou alemães (ninguém reclamaria naquela época!)

No entanto, já era tarde demais. Os italianos boicotaram os principais patrocinadores da série, Frank Sinatra e Bing Crosby suspenderam suas produções com a Desilu (eles alugavam os estúdios), e Desi Arnaz tornou-se alvo de várias ameaças de morte. Como resposta, a produção enfatizou a presença do agente Enrico Rossi, no grupo dos Intocáveis, além de enfatizar a contribuição italiana à cultura americana. A TV Guide publicou uma matéria encomendada na qual entrevistava a viúva de Ness e, na qual, ela afirmava adorar a série e a forma como ela mostrava a lei sendo cumprida. Mas não era todo mundo que criticava “Os Intocáveis”. Era a série favorita dos gângsters mais famosos de Chicago, agora na prisão, embora achassem ruim serem mostrados sempre como vilões.

Apesar de tudo isso, a série era um sucesso de audiência e a produção mais rentável da Desilu naquele momento. Por isso, ela chegou à sua quarta, e última temporada, com uma nova abordagem. Era enfatizado o lado mais humano de Ness. Na abertura, a imagem de um livro lembrava ao público de que aquela era uma história de ficção.

Mas, nesse ano, 1963, Desi Arnaz foi afastado da diretoria da Produtora em função de seu alcoolismo. Lucille Ball, já divorciada de Desi, assumiu a direção da empresa e cancelou a série. Em seu discurso de posse, a atriz e agora produtora declarou não ter interesse em exaltar bandidos psicóticos, viciados e assassinos, muito menos vangloriar o submundo do crime.

Outro motivo de seu cancelamento pode ter sido as questões financeiras pelas quais Lucy e Desi passavam em função do divórcio. Visto que o produtor somente teria lucro com a série quando ela fosse vendida a canais regionais, a “Os Intocáveis” precisaria ser cancelada para que a venda às reprises pudesse ser realizada.

E assim, “Os Intocáveis” chegou ao fim, entrando para a história da televisão e das séries, gerando lucro à empresa em suas reprises e perpetuando a história de Ness e Capone para futuras gerações.

(Esta matéria é uma compilação reduzida do texto originalmente publicado na Revista TV Séries nº29).

 

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