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04/05/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Renan Calheiros: Retrato de um político quando jovem — cabeludo, idealista, de esquerda

Este senador um dia foi um rapaz cheio de sonhos de igualdade (Foto: AE)

Este senador um dia foi um rapaz cheio de sonhos de igualdade (Foto: AE)

Reportagem de Vicente Vilardaga, publicada em edição impressa da revista Alfa

RETRATO DE UM POLÍTICO QUANDO JOVEM

Quem quer expulsar Renan Calheiros da presidência do Senado não imagina que um dia ele foi um rapaz cheio de sonhos de igualdade – quase um comunista

Da velha Murici, na zona da mata alagoana, onde o senador Renan Calheiros viveu sua juventude, só restam ruínas. Três enchentes do rio Mundaú, na década passada, a última em 2010, massacraram a cidade e acabaram com as construções da rua do Comércio, onde se concentrava a vida cultural e econômica por ali no final do século XX.

Os armazéns de secos e molhados que abasteciam os trabalhadores das usinas de cana do município – São Simeão e Bititinga 1 e 2 – sucumbiram à força das águas. Acabou a movimentação das pessoas para discutir política na calçada, na frente do armazém de Mozart Damasceno, e os velhos negócios faliram ou, seguindo a agência do Banco do Brasil, se mudaram para a parte alta do município, em torno da praça Padre Cícero.

Pouco do que se vê em Murici hoje fez parte da paisagem onde Renan circulou na adolescência e onde recebeu as primeiras lições de sua formação política. Em um período curto, Murici mudou completamente. Mudou tanto quanto o senador.

O 1,6 milhão de pessoas que aderiram ao abaixo-assinado para impugnar Renan na presidência do Senado por causa de denúncias de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso talvez não consiga imaginar que um dia ele foi um bom rapaz do interior, que não era nem playboy nem desajustado e se dizia de esquerda.

Primogênito da prole de oito filhos de um dos homens mais populares da região, o comerciante de animais Olavo Calheiros, Renan foi um adolescente ponderado, sensato e razoavelmente bom nas contas. O pai e a mãe, Ivanilda, eram rígidos, mas carinhosos. Renan não usava a violência para resolver seus problemas. Preferia usar a conversa.

Teve uma infância pobre e sem luxos, bem diferente de Fernando Collor de Mello, por exemplo, político de sua geração com quem teria o destino cruzado. Mas recebeu exemplos dignificantes. Com a mente forjada nos negócios feitos pelo interior, Olavo tinha um pensamento democrático e transmitiu aos filhos uma visão crítica dos usineiros, símbolos do perverso poder oligárquico que em Murici se chamava Omena, e um senso de justiça inexistente naqueles tempos.

Ruínas da usina de cana de São Simeão (Fotos: Arquivo)

Ruínas da usina de cana de São Simeão (Fotos: Arquivo)

Renan era um jovem idealista. Influenciado pelo pai, afastou-se do reacionarismo das lideranças da região e condenava a ditadura militar. A casa dos Calheiros era um dos pontos de encontro da oposição. No final da adolescência, declarava-se socialista.

Foi quase um comunista. Recebeu os primeiros ensinamentos de Karl Marx no armazém de Mozart Damasceno, o “bom burguês”, homem de grande influência em Murici, que havia viajado para a União Soviética.

Mozart era filiado ao Partido Comunista e pela sua loja passavam muricienses influentes para tomar uma mistura de pinga de cabeça, aquela do começo da destilação, com refrigerante de laranja e canela que oferecia como uma especialidade. Quando estava na cidade, Olavo era um dos frequentadores.

Andava cerca de 500 metros e ia conversar com Mozart – a casa dos Calheiros, onde hoje mora a mãe e o atual prefeito, Remi, irmão caçula de Renan, na rua Durval de Góis Monteiro, continuação da rua do Comércio, ainda é a mesma. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

08/04/2013

às 15:47 \ Política & Cia

VERGONHA: partidos da base do governo, junto com entidades “de esquerda”, se solidarizam com o regime pária e criminoso da Coreia do Norte. Entre esses partidos, o PSB do governador Eduardo Campos, que quer ser presidente

Kim Jon-un, o herdeiro de terceira geração da ditadura comunista norte-coreana, observa a fronteira com a Coreia do Sul acompanhado de generais (Foto: AFP)

A Coreia do Norte é, talvez, a ditadura mais totalitária do mundo. Inteiramente fechada para o mundo exterior, o comunismo fundado em 1949 pelo “presidente eterno” Kim Il-sung (morto em 1994, mas que oficialmente é o presidente) só promoveu fome, miséria, lavagem cerebral na população e Forças Armadas numerosas e bem equipadas.

Com mais território (120 mil quilômetros quadrados) e população menor (25 milhões de habitantes) do que a vizinha Coreia do Sul (100 mil quilômetros quadrados, 50 milhões de habitantes), a Coreia do Norte, com seu comunismo dinástico, conseguiu ter um Produto Interno Bruto quase CEM VEZES menor do que a do Sul — estimados 12,5 bilhões contra 1,15 trilhão de dólares.

A guerra contra o vizinho do sul (1950-1953) para eles ainda não terminou. Os norte-coreanos nunca assinaram um armistício definitivo, muito menos um tratado de paz. Com isso e seu programa de possuir armas nucleares, usam a chantagem contra o Ocidente para conseguir petróleo, alimentos e uma infinidade de produtos que não tem capacidade de oferecer à população.

Nas últimas semanas, seu dirigente, o gorducho cara de bobo Kim Jong-un, de 28 anos, há um ano no poder, declarou seu direito de ter armas nucleares, ameaçou atacar os Estados Unidos e “destruir a Casa Branca”, postou na web montagens fotográficas mostrando um bombardeio a Washington, posicionou mísseis em direção à Coreia do Sul e do Japão, movimentou tropas e fechou um complexo industrial, o de Kaesong, que mantém com o Sul — um dos raros territórios de distensão obtido em gestões anteriores dos dois países.

Até a China perdeu a paciência

A coisa chegou a um tal ponto que até a China, principal aliado da Coreia do Norte e quem mais ajuda a sustentar a economia podre do regime, perdeu a paciência. E não o fez por declarações da agência oficial chinesa ou por um funcionário da chancelaria, mas pela palavra do próprio presidente Xi Jinping, que disse, com todas as letras, em recado que os observadores diplomáticos entenderam ter endereço certo para Pyongyang:

– Nenhum país tem o direito de jogar a região ou o mundo no caos em razão de objetivos egoístas.

Obviamente, os Estados Unidos, principal aliado da Coreia do Sul, mostraram sua disposição de defender o governo de Seul, e realizam manobras militares conjuntas que incluem sobrevoos de grandes bombardeiros e a mobilização, em águas territoriais sul-coreanas, de navios de guerra.

Pois bem, em tudo isso, um amontoado de organizações brasileiras “de esquerda” inverteram os fatos enxergaram ameaças nucleares do “imperialismo americano” à Coreia do Norte.

O comunicado é assinado por organizações tradicionalmente antiamericanas e baderneiras, como o MST, e pelos picaretas biônicos da UNE, que detestam democracia e eleições diretas. Também pela CUT, é evidente.

Mas — VEJAM BEM — escondidinho lá no meio das siglas está nada menos do que o PSB — sim, o PSB do governador Eduardo Campos, que quer ser presidente da República em 2014 e vem cortejando, entre outros setores, o empresariado brasileiro.

Eis o absurdo texto da “esquerda”, que pode ser conferido no site do Partido Comunista do Brasil.

“A escalada da tensão na Península Coreana, com a participação direta dos Estados Unidos, tem aumentado a pressão e a preocupação com um possível conflito internacional, apesar dos pedidos reiterados por diálogo enquanto a Coreia do Sul, apoiada pelos EUA, toma medidas belicistas.

Neste contexto, movimentos e partidos brasileiros que lutam contra o imperialismo belicista e pela manutenção da paz e da soberania das nações enviaram a seguinte declaração à embaixada da Coreia Popular:

Senhor Embaixador da República Popular e Democrática da Coreia;

A campanha de uma guerra nuclear desenvolvida pelos Estados Unidos contra a República Democrática Popular da Coreia passou dos limites e chegou à perigosa fase de combate real.

Apesar de repetidos avisos da RDP da Coréia, os Estados Unidos tem enviado para a Coréia do Sul os bombardeios nucleares estratégicos B-52 e, em seguida, outros meios sofisticados como aeronaves Stealth B-2, dentre outras armas.

Os exercícios com esses bombardeios contra a RDP da Coréia são ações que servem para desafiar e provocar uma reação nunca antes vista e torna a situação intolerável.

As atuais situações criadas na península coreana e as maquinações de guerra nuclear dos EUA e sua fantoche aliada Coréia do Sul além de seus parceiros que ameaçam a paz no mundo e da região, nos levam a afirmar:

1. Nosso total, irrestrito e absoluto apoio e solidariedade à luta do povo coreano para defender a soberania e a dignidade nacional do país;

2. Lutaremos para que o mundo se mobilize para que os Estados Unidos e Coréia do Sul devem cessar imediatamente os exercícios de guerra nuclear contra a RDP da Coréia;

3. Incentivaremos a humanidade e os povos progressistas de todo o mundo e que se opõem a guerra, que se manifestem com o objetivo de manter a Paz contra a coerção e as arbitrariedades do terrorismo dos EUA.

Conscientes de estarmos contribuindo e promovendo um ato de fé revolucionária pela paz mundial, as entidades abaixo manifestam esse apoio e solidariedade.

Brasília, 02 de abril de 2013.

PCdoB, PT, PSB, Cebrapaz, CUT, MST, MDD, UJS, UNE, Unegro, Unipop, CDRI, CDR/DF, MPS, CMP, CPB, Telesur, TV Comunitária de Brasília, Jornal Revolução Socialista”.

Posteriormente à publicação desta matéria, nesta segunda-feira (8), o PT emitiu outra nota dizendo que não assina a publicação mencionada acima. 

24/07/2012

às 16:00 \ Política & Cia

As garras do Brasil na nefanda “Operação Condor” — aliança clandestina entre órgãos de repressão das hoje extintas ditaduras militares do Cone Sul

 

Generais da ditadura argentina:

Generais da ditadura argentina: Operação Condor -- colaboração entre órgãos de repressão das falecidas ditaduras do Cone Sul -- foi tema de Seminário na Câmara dos Deputados

(Palestra do jornalista Luiz Cláudio Cunha no Seminário Internacional sobre a Operação Condor, ocorrido na  Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia 5 de julho de 2012)

 

As garras do Brasil na Condor

A mais longa ditadura da maior nação do continente não poderia ficar de fora do clube mais sinistro dos regimes militares da América do Sul. O Brasil dos generais do regime de 1964 estava lá, de corpo e alma, na reunião secreta em Santiago do Chile, em novembro de 1975, que criou a Operação Condor.

Nascia a mais articulada e mais ampla manifestação de terrorismo de Estado na história mundial. Nunca houve uma coordenação tão extensa entre tantos países para um combate tão impiedoso e sangrento a grupos de dissensão política ou de luta armada, confrontados à margem das leis por técnicas consagradas no submundo do crime.

Tempos depois, em 1991, as democracias renascidas da região construíram um difícil pacto de integração política e econômica batizado de Mercosul. Dezesseis anos antes, contudo, os generais das seis ditaduras do Cone Sul — Chile, Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Bolívia — tinham conseguido realizar, a ferro e fogo, uma proeza ainda mais improvável: um secreto entendimento pela desintegração física, política e psicológica de milhares de pessoas.

A Operação Condor trouxe para dentro do Estado ilegítimo das ditaduras as práticas ilegais da violência de bandos paramilitares, transformando agentes da lei em executores ou cúmplices encapuzados de uma dissimulada política oficial de extermínio.

O BRASIL NO CONDOR Tio Caco e Dr. Sabino, os dois militares do Centro de Informações do Exército (CIE), veteranos da  guerrilha do Araguaia, que representaram o  Brasil no Chile em novembro de 1975  na  fundação da Operação Condor: Ten-cel de Cavalaria Flávio de Marco (Tio Caco), e Major de Infantaria Thaumaturgo Sotero Vaz (Dr. Sabino)

O BRASIL NO CONDOR -- Tio Caco e Dr. Sabino, os dois militares do Centro de Informações do Exército (CIE), veteranos da guerrilha do Araguaia, que representaram o Brasil no Chile em novembro de 1975, na fundação da Operação Condor: tenente-coronel de Cavalaria Flávio de Marco (Tio Caco), e major de Infantaria Thaumaturgo Sotero Vaz (Dr. Sabino)

O envolvimento de efetivos regulares da segurança com as práticas bandoleiras de grupos assassinos explica, de alguma forma, a leniência e depois a conivência com o crime por parte de corporações historicamente fundadas na lei e na ordem.

O Esquadrão da Morte, em países como Brasil, Argentina e Uruguai, contaminou o Exército. O Exército perdeu os limites com a obsessão da guerra antisubversiva. A luta contra a guerrilha transbordou as fronteiras da lei e exacerbou a violência. A virulência clandestina e sem controle do esquadrão empolgou o Exército. O Exército apodreceu com o Esquadrão da Morte. O esquadrão confundiu-se com o Exército, o Exército virou naqueles tempos um esquadrão. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

22/06/2012

às 13:39 \ Política & Cia

Fã-clube brasileiro do ditador Ahmadinejad é de causar vergonha passiva aos brasileiros de bem

O tirano sorridente, no Rio: Dilma não o recebeu, mas professores, políticos de esquerda e picaretas da UNE babaram diante de suas ideias tenebrosas (Foto:Evaristo Sá / AFP)

A presidente Dilma Rousseff, mostrando devagar e discretamente que, definitivamente, não é nem quer ser Lula, teve a prudência e a decência de dar um jeito de não se encontrar com o ditador do Irã, o projeto de genocida Mahmoud Ahmadinejad.

Diferentemente do deus do lulalato, que peregrinou até Teerã para visitar esse pária internacional e, para constrangimento dos brasileiros de bem, recebeu-o com honras e pompas em Brasília, ajudando a dar um ar de legitimação ao chefe de um Estado que tem como um dos propósitos fazer desaparecer do mapa um país, Israel, e cujo regime persegue a construção da bomba atômica, determina o apedrejamento de mulheres, encarcera e faz desaparecer adversários, amordaça a imprensa, sufoca correntes de oposição de todas as tendências e merece boicotes decretados pela ONU e pela União Europeia.

Dilma agiu na boa direção.

A vergonha passiva para nós, brasileiros, ficou por conta do grupo de professores universitários, políticos de esquerda e “líderes” biônicos da picareta UNE que tomaram café hoje com o ditador, no Rio, onde Ahmadinejad participa da conferência da ONU Rio-20.

Tomaram café e babaram com sua prosa incendiária.

Não percam a reportagem do site de VEJA sobre o encontro.

05/03/2012

às 14:00 \ Política & Cia

Aldo Rebelo defende eleição direta para presidente do Palmeiras. Já para a UNE, dominada por picaretas de seu partido, o PC do B…

Aldo Rebelo, palmeirense de escol, quer eleições diretas para a presidência do clube. Já para... (Foto: exame.abril.com.br)

Está certo, certíssimo o ministro do Esporte, Aldo Rebelo — o principal quadro político do PC do B –, em defender que os sócios do Palmeiras, seu clube do coração, elejam diretamente o presidente, no começo de 2013.

Como a grande maioria dos clubes de futebol do Brasil, o Palmeiras é dirigido bionicamente por presidentes eleitos por algumas centenas de conselheiros que, estes sim, são eleitos pelos sócios. Excetuados, é claro, os vitalícios, cuja existência é prevista nos estatutos de muitosclubes.

Esse sistema atende com grande frequência a interesses particulares e políticos dos mesmos de sempre, que, ora na oposição, ora no poder, são os que conduzem os grandes clubes.

A eleição direta tem como grande exemplo internacional o Barcelona, por acaso o melhor time do mundo, que desde 1953 assim elege seu presidente. O atual, Sandro Rosell, foi legitimado por 61% do impressionante número de sócios que votaram — pouco mais de 60 mil –, em junho de 2010.

Congresso da UNE em Goiânia, em julho do ano passado: os picaretas não querem eleição direta de jeito nenhum (Foto: Agência Brasil)

No Brasil, entre outros, o Corinthians é um dos poucos times que, por milagre, se livraram das eleições biônicas.

Está tudo muito bem, está tudo muito bom. Rebelo é a favor de eleição direta no Palmeiras.

Mas por que ele também não estende essa sede de democracia para a União Nacional dos Estudantes (UNE), cujos picaretas mamadores nas tetas do governo são eleitos de forma biônica e se opõem com a energia de cães raivosos à menção de eleições livres ?

Por acaso, por mera coincidência, naturalmente, a UNE é há anos dominada por grupelhos do PC do B, partido do ministro.

03/11/2011

às 15:11 \ Política & Cia

Roberto Pompeu de Toledo: o PC do B, coerente só no stalinismo

Patrícia Galvão e Olga Benário: apropriação indébita

Patrícia Galvão e Olga Benário: apropriação indébita (Fotos: Wikipédia)

Amigos, para mim é sempre um privilégio poder publicar artigos, sempre originais, inteligentes e primorosamente escritos, do jornalista Roberto Pompeu de Toledo. Ainda mais como, neste caso, e como quase sempre, concordo com cada palavra do texto, publicado na edição de VEJA que está nas bancas desta semana.
O título original é o de abaixo. Os intertítulos foram colocados por nós.
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‘À moda stalinista’

Roberto Pompeu de ToledoPouco antes de jogar a toalha, na semana passada, e entregar a cabeça do ministro do Esporte, Orlando Silva, o PC do B tentou reinventar seu passado.

No programa de propaganda obrigatória que foi ao ar no dia 20, apresentou como emblemas do partido Luís Carlos Prestes, Olga Benario, Jorge Amado, Portinari, Patrícia Galvão (a Pagu), Oscar Niemeyer e Carlos Drummond de Andrade.

Era uma fraude similar às operações do programa Segundo Tempo. Dos sete, os seis primeiros pertenceram ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o arquirrival do Partido Comunista do Brasil (PC do B). O sétimo, o poeta Carlos Drummond de Andrade, não foi nem de um nem de outro.

Safar-se do escândalo pegando carona

O partido tentava, num programa de TV em que jogava as últimas fichas para safar-se do escândalo no Ministério do Esporte, pegar carona num casal de ícones da história brasileira (Prestes e Olga) e em algumas das mais queridas figuras da cultura do país.

O caso menos grave é o de Oscar Niemeyer, o único vivo do grupo. Apesar de ter sido militante do PCB, já apareceu em programas anteriores do PC do B, do qual aceita as homenagens.

O mais grave é o de Prestes. O PC do B surge, em 1962, do grupo que, no interior do PCB, discordou da denúncia do stalinismo promovida na União Soviética após a morte do ditador. O PC do B, com um curioso “do” no meio da sigla, será daí em diante o guardião da pureza stalinista. Os outros são a “camarilha de renegados”. E o renegado-mor, claro, é Prestes, o líder do PCB.

Apropriando-se de Prestes, o “renegado-mor”

No verbete “PC do B” da Wikipédia, escrito num tão característico comunistês que não deixa dúvida quanto à sua procedência oficial, Prestes é tratado de “revisionista” (insulto grave, em comunistês) e acusado de ter “usurpado a direção partidária”. Também se diz ali que “abandonado à própria sorte, em idade avançada”, Prestes “dependerá de amigos como Oscar Niemeyer para sobreviver”.

Eis colocadas na mesma cloaca da história (o comunistês é contagiante) duas figuras que agora o PC do B alça ao altar de seus santos.

Entre os outros casos de usurpação biográfica, a alemã Olga, primeira mulher de Prestes, foi fiel soldado das ordens de Moscou. Morreu muito antes de surgir o desafio do PC do B, mas é de apostar que essa não seria a sua opção. Portinari e Pagu morreram, no mesmo 1962 do cisma comunista, ele fiel à linha de Moscou, ela convertida ao trotskismo, portanto inimiga do stalinismo.

Jorge Amado na década de 60 já tinha o entusiasmo mais despertado pelo cheiro de cravo e pela cor de canela do que pela causa do proletariado. Em todo caso, sua turma era a de Prestes, o “Cavaleiro da Esperança” que cantara num livro com esse título.

portinari-prestes

Portinari morreu no ano do "racha" e Luís Carlos Prestes, o "revisionista": o primeiro não mudou de lado e o segundo desprezava o PC do B e era furiosamente combatido pelo partido

O caso estapafúrdio do poeta Drummond

O caso mais estapafúrdio é o de Drummond. Nos anos 1930/1940 ele praticou uma poesia de cunho social e filocomunista. Chegou a colaborar com o jornal Tribuna Popular, do PCB. Mas nunca se filiou ao partido. Cultivou a virtude de nunca ser firme ideologicamente. O namoro com o comunismo, dividia-o com a fidelidade ao Estado Novo, ao qual serviu no Ministério da Educação.

No pós-guerra, mitigava o comunismo com a sedução pela UDN do amigo e mentor Milton Campos. Em 1945 votou para senador em Luís Carlos Prestes, do PCB, e para presidente em Eduardo Gomes, da UDN. E, em 1964, apoiou o golpe militar. “A minha primeira impressão foi de alívio, de desafogo, porque reinava realmente, no Rio, um ambiente de desordem, de bagunça, greves gerais, insultos escritos nas paredes contra tudo. Havia uma indisciplina que afetava a segurança, a vida das pessoas”, explicou numa entrevista, transcrita em livro recente (Carlos Drummond de Andrade, Coleção Encontros).

Agora vem o PC do B dizer que Drummond foi um dos seus!?

Um partido coerentemente stalinista

Desconcertante história, a desse partido. A defesa do stalinismo levou-o a festejar o grande timoneiro Mao Tsé-tung e, quando o timão do chinês emperrou, buscar inspiração na Albânia do “Supremo Camarada” Enver Hoxha.

Arriscou uma aventura guerrilheira nos barrancos do Araguaia. E, em anos recentes, encantou-se pela UNE e pelo monopólio da carteirinha de estudante, declarou ao esporte um amor insuspeitado em quem associava o partido à figura franzina do patrono João Amazonas (1912-2002) e recrutou, para reforço de suas chapas, jogadores de futebol (Ademir da Guia, Muller) e cantores (Netinho de Paula, Martinho da Vila) em quem nunca se suporia inclinação pela causa da foice e do martelo.

Se há uma coisa em que manteve a coerência, é no vezo stalinista. Stalin mandava cortar das fotos dirigentes do partido caídos em desgraça. O PC do B inclui em suas fileiras gente que lhe foi alheia.

Pelo avesso, chega ao mesmo fim de falsificar a história.

03/10/2011

às 13:00 \ Política & Cia

Em meio à polêmica sobre meia entrada na Copa 2014, como ficaria a hoje nula fiscalização na emissão de carteiras de estudante?

Valcke-Silva-Ricardo Teixeira

Valcke, da FIFA (esq.), com o ministro Orlando Silva e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em encontro em abril (Foto: FIFA)

Amigos do blog, conforme informa hoje o site de VEJA, o governo brasileiro está propondo à FIFA intermediar negociações entre a entidade e os governos dos Estados — cujas leis regulam o assunto — questão da meia entrada para estudantes na Copa do Mundo 2014.

A “tabelinha” ocorreu em encontro, na Bélgica, da presidente Dilma Rousseff e o ministro dos Esportes, Orlando Silva, com o secretário-geral da FIFA, o francês Jérôme Valcke. Eles debateram o projeto da Lei da Copa, enviado há duas semanas ao Congresso e sendo analisado em comissões, e que traz pontos que não agradam à entidade que governa o futebol mundial.

Leis estaduais

Os representantes do governo relembraram que a concessão de ingressos com 50% de desconto a estudantes – atualmente a principal reivindicação dos picaretas da UNE quanto ao evento de 2014 – é regida por leis estaduais, mas, sem entrar em detalhes, um deles, o ministro Silva, enfatizou mais de uma vez que a Copa é um “evento especial”, sugerindo que poderá haver acertos no âmbito da Lei Geral da Copa.

Um dos embaraços entre a FIFA e a legislação brasileira é a questão da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, sensatamente proibida na maioria dos Estados brasileiros por leis estaduais, e que a FIFA desejaria derrubar, em razão de patrocínio$ gordo$.

Já a concessão de meia-entrada a maiores de 60 anos é uma complicação jurídica maior. Ela está prevista no Estatutos do Idoso, que é uma lei federal. A FIFA também não gosta nem um pouco da medida. O governo vinha batendo pé para que a Lei Geral da Copa não apenas se subordinasse em sua totalidade à Constituição, o que é obrigatório, mas também acatasse os Estatutos do Idoso e do Torcedor, bem como o Código de Defesa do Consumidor.

Agora, diante da disposição visivelmente flexível de Dilma e Silva, se vocês me perguntarem como é que isso vai ser resolvido, sinceramente respondo: não sei. Há limites para a intromissão da FIFA nos assuntos internos de um país, e, se por acaso houver negociação para se alterarem leis estaduais de forma a abrir exceção para que se venda cerveja nos estádios — no Brasil, tudo é possível –, não tem o menor cabimento alterar conquistas sociais como os dois estatutos do parágrafo acima ou o Código de Defesa do Consumidor. Resta a questão da meia entrada para estudantes.

Mesmo se os Estados toparem – quem fiscalizará a emissão de carteirinhas?

Muito bem. Tudo indica, portanto, que, por mais que os picaretas da UNE pressionem o governo por mais esta boquinha, a batata quente sobrará mesmo para as entidades estaduais resolverem.

Diante de tudo isso, ficam algumas perguntas.

Levando-se em conta a bandalheira que se tornou a obtenção das carteirinhas de estudantes nos últimos anos – elemento que contribuiu em muito para o também inescrupuloso aumento estratosférico dos preços de eventos no Brasil -, alguém fiscalizará isso? O que a UNE tem a dizer a respeito, além de cobrar algo que não está contemplado nem pela legislação federal ou pelos regimentos da FIFA? E se a meia entrada for negociada com sucesso junto aos Estados, e a FIFA engolir o sapo, como fica? Haverá controle para que a emissão das carteirinhas seja realmente feita a quem é, de fato, estudante?

Sim, porque o controle que existe atualmente é o seguinte: zero.

Estou curioso para ver como termina essa história toda.

07/09/2011

às 13:43 \ Política & Cia

Protestos populares têm apoio de OAB, ABI e CNBB — e o silêncio cúmplice e vergonhoso de entidades como a CUT, a UNE e o MST

Protestos em Brasília (foto) e outras 34 cidades. UNE, CUT e outras organizações pró-governo silenciam

Protestos em Brasília (foto) e outras 34 cidades contra a roubalheira e a impunidade: a UNE, a CUT, o MST e outras organizações pró-governo silenciam

A Polícia Militar do Distrito Federal calculou, imprecisamente, em “milhares” as pessoas que se manifestam em Brasília contra a corrupção neste Dia da Pátria, em longa marcha que atravessou a Esplanada dos Ministérios e terminou diante do Congresso Nacional. Mais tarde, os cálculos mencionavam 25 mil pessoas.

Os protestos ocorreram paralelamente à parada militar que comemora o 7 de setembro. A principal manifestação contra a corrupção começou por volta das 10 horas próximo ao local da parada. Os manifestantes levaram carros de som, cornetas, tambores e apitos para chamar a atenção da presidente Dilma e dos políticos. A Presidência, no entanto, tomou o cuidado de isolar a região do desfile de forma que Dilma não veja nem ouça o protesto.

Talvez num excesso de otimismo, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, comparou o movimento às Diretas-Já que varreu o país, começando em 1983 e alastrando-se pelo ano de 1984, e e aos protestos pelo impeachment do então presidente Fernando Collor, que, em 1992, também tomaram conta do país.

“Essa é uma forma de dizer que país queremos, com moralidade e justiça”, disse Ophir. “É assim que começa”. A OAB lançou um manifesto conjunto com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) — as mesmas entidades que deram seu suporte ao impeachment — apoiando o movimento popular contra a corrupção que se dissemina por 34 cidades em 17 Estados brasileiros e pedindo o “aprimoramento” dos três Poderes, a aplicação da Lei da Ficha Limpa e uma maior transparência nos gastos do governo.

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Marcha contra a corrupção em Brasília: protesto da cidadania, sem bandeiras de partidos políticos (Foto: Agência Brasil)

Vocês não estão notando nada de novo — além da excelente notícia de que a até então amorfa, anestesiada sociedade brasileira começa a se mexer?

Dou-lhes uma, dou-lhes duas…

Cadê a CUT? Onde estão os raivosos barbudos que dirigiam a entidade e, de tão oposicionistas, costumavam se recusar a atender a convites de presidentes eleitos pelo povo para dialogar no Palácio do Planalto (aconteceu com Collor e com FHC)? Onde estão seus atuais dirigentes para protestar contra a roubalheira em vários Ministérios, contra a impunidade e a safadeza?

Cadê o Paulinho da Força Sindical, que, de próximo às oposições, agora que está no PDT e é deputado também gosta cada vez mais de ser correia de transmissão do governo?

Cadê a UNE? (Eu sei a resposta: está amortecida pelo dinheirão que vem do governo direto para os cofres dos picaretas que a dirigem).

Cadê o MST, que protesta contra tudo e todos?

Nem sequer nos sites da UNE e da CUT, até agora há pouco, havia qualquer referência a protestos, e praticamente nada ao evento 7 de setembro em si. No da CUT, entre as notícias principais, estavam perólas como “Venezuela discute o papel da imprensa na questão da Líbia”, e no da UNE havia fotos dos recentes encontros da presidente e ministros com estudantes. Inclusive um com a estudante chilena famosa Camila Vallejo.

Os protestos foram convocados via redes sociais como iniciativa da cidadania e não querem ter cor partidária — tanto é que já houve, em Brasília, enfrentamentos entre manifestantes e um grupo de militantes do PSOL.

Se os protestos aumentarem de vulto nos próximos dias, semanas e meses — nunca se sabe, mas é uma possibilidade — e essas entidades continuarem de boca fechada vai ficar claro o quão pouco eles representam quem dizem representar.

Seu silêncio, hoje, é cúmplice — e vergonhoso.

02/09/2011

às 19:33 \ Política & Cia

Picaretas da UNE vão a Dilma, fazem reivindicações delirantes e dão uma mordida: querem meia entrada na Copa e na Olimpíada

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A presidente Dilma, com os ministros Gilberto Carvalho (à esquerda) e Fernando Haddad, recebe a direção da UNE: "reivindicações" delirantes ou bobocas (Foto: Agência Brasil)

Amigos, não resisto quando posso baixar o sarrafo nesses picaretas e farsantes que dirigem a União Nacional dos Estudantes (UNE), denominação a que o Augusto Nunes acrescentou a palavra “Amestrados”, devido à vassalagem que prestam ao governo, de quem recebem — e embolsam, felizes — um bom dinheiro, inclusive por meio de patrocínios de estatais.

Como se sabe, e como já relembrei aqui mais de uma vez, a UNE é um reduto de esquerdóides ultra-minoritários no seio da sociedade brasileira — sobretudo do PC do B, partidículo anêmico de votos, que, se não se dependurasse no pescoço do PT, não elegeria ninguém para cargo algum. Eles levam em seu seio tanto amor ao dinheiro público — Lula lhes depositou na conta, no finalzinho do lulalato, uma indenização de 30 milhões de reais pela vandalização da sede da entidade, ocorrida durante o golpe militar de 1964 — quanto ostentam horror pela democracia, sobretudo por eleições diretas na entidade: sabem perfeitamente que seriam varridos do mapa.

Encontro dos picaretas com a presidente

Bem, tudo isso relembrado, pergunto: vocês viram as reivindicações que os picaretas da UNE apresentaram à presidente Dilma Rousseff, em recente encontro no Palácio do Planalto? Foram testemunhas os ministros Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e Fernando Haddad, da Educação.

A pauta era volumosa: nada menos do que 40 itens, em geral — para mostrar algum serviço em seu setor, já que o que fazem o tempo todo é politicagem barata — ligados ao que dizem ser a melhoria do sistema educacional brasileiro. Querem, por exemplo, destinar o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) à educação e de 50% do Fundo Social a ser constituído com o resultado da exploração do petróleo do pré-sal para a educação.

Duvido que essas cifras resultem de qualquer conta razoável, duvido que eles saibam o tamanho das necessidades da educação no país, se o Brasil teria condições ou não de destinar tais recursos para um ou outro setor.

Mas tudo bem. Vamos em frente.

A maluquice de dar calote em milhões de brasileiros

Agora vejam outras “reivindicações”. Uma delas é uma maluquice em que setores de esquerda mais delirante vêm insistindo: “o fim do superávit primário” — ou seja, dos recursos que o governo acumula, apertando o cinto nos gastos, para pagar os juros da dívida pública, os juros do dinheiro que toma emprestado, via instituições bancárias, de dezenas de milhões de brasileiros.

A presidente Dilma, economista de formação, deve ter segurado a vontade de puxar a orelha dos jovens. Se supostamente acabasse o superávit primário, teoricamente haveria centenas de bilhões de reais para obras públicas. O pequeno problema que a medida igualmente acarretaria é que o país e todos os bancos quebrariam imediatamente, milhões de brasileiros levariam um monumental calote em suas suadas poupanças, os investidores estrangeiros sairiam correndo, haveria desemprego em massa e a paralisação da economia e o Brasil levaria uma década, ou talvez bem mais, para voltar aos patamares de hoje.

Uma piada em meio à audiência: querem meia entrada na Copa e na Olimpíada

Outros itens de reivindicação foram questões como a erradicação do analfabetismo até 2016, a criação da Comissão da Verdade e a garantia, pelo governo, de um computador por aluno no ensino médio. Aí, em meio a questões relevantes para o país que conseguiram elencar, veio a piada: querem também meia entrada para os estudantes nos jogos da Copa do Mundo de futebol de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.

Faltou, naturalmente, combinar com a FIFA e com o Comitê Olímpico Interncional.

O presidente da UNE, Daniel Lliescu, disse depois que a presidente recebeu as reivindicações e disse que o governo está aberto ao diálogo, mas não se comprometeu inicialmente com a concessão de nenhum item.

Também sou favorável a um computador por aluno, ao fim do analfabetismo — como sou a favor do bem e contra o mal.

Felizmente, porém, a presidente soube empurrar com a barriga a conversa mole do pessoal da UNE, e as reivindicações delirantes e demagógicas, como o fim do superávit primário, ou simplesmente cômicas, como meia entrada para a Copa e as Olimpíadas — isso é tema que se coloque em encontro com uma presidente! — ficaram para as calendas gregas.

01/09/2011

às 17:05 \ Política & Cia

Perguntar não ofende

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Estudantes da UNE aclamam Lula em congresso: críticas ao lulo-petismo não valem?

Fazer protestozinhos pró-forma contra o aumento de juros pelo Banco Central — e acabou ocorrendo justamente o contrário, os juros baixaram — é fácil.

Se solidarizar com os estudantes chilenos que querem gratuidade geral do ensino e se manifestam contra o governo do presidente Sebastián Piñera também é fácil.

Mas quando é que os picaretas que dirigem a União Nacional dos Estudantes (UNE) vão organizar protestos contra a corrupção detectada em vários Ministérios do governo lulo-petista que lhes abastece de dinheiro?

 

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