Blogs e Colunistas

UNE

17/11/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Fã-clube brasileiro do ditador Ahmadinejad é de causar vergonha passiva aos brasileiros de bem

O tirano sorridente, no Rio: Dilma não o recebeu, mas professores, políticos de esquerda e picaretas da UNE babaram diante de suas ideias tenebrosas (Foto:Evaristo Sá / AFP)

Post publicado originalmente a 22 de junho de 2012

Campeões-de-audiênciaA presidente Dilma Rousseff, mostrando devagar e discretamente que, definitivamente, não é nem quer ser Lula, teve a prudência e a decência de dar um jeito de não se encontrar com o ditador do Irã, o projeto de genocida Mahmoud Ahmadinejad.

Diferentemente do deus do lulalato, que peregrinou até Teerã para visitar esse pária internacional e, para constrangimento dos brasileiros de bem, recebeu-o com honras e pompas em Brasília, ajudando a dar um ar de legitimação ao chefe de um Estado que tem como um dos propósitos fazer desaparecer do mapa um país, Israel, e cujo regime persegue a construção da bomba atômica, determina o apedrejamento de mulheres, encarcera e faz desaparecer adversários, amordaça a imprensa, sufoca correntes de oposição de todas as tendências e merece boicotes decretados pela ONU e pela União Europeia.

Dilma agiu na boa direção.

A vergonha passiva para nós, brasileiros, ficou por conta do grupo de professores universitários, políticos de esquerda e “líderes” biônicos da picareta UNE que tomaram café hoje com o ditador, no Rio, onde Ahmadinejad participa da conferência da ONU Rio-20.

Tomaram café e babaram com sua prosa incendiária.

Não percam a reportagem do site de VEJA sobre o encontro.

30/11/2013

às 15:00 \ Política & Cia

Post do leitor: Dias estranhos! Cor da pele virou critério de desempate, Lula abraçado com Collor, batalhar na vida é coisa de burguês…

"Dias estranhos! Uma nova era, talvez. Com certeza da mediocridade" (Imagem: Strange Weather, de Joy Garnett)

“Dias estranhos! Uma nova era, talvez. Com certeza da mediocridade” (Imagem: Strange Weather, de Joy Garnett)

Post do Leitor Nilton Sparagna

Post-do-Leitor1Dias estranhos!

Carne vermelha faz mal, bolacha recheada: nem pensar, coxinha na escola tem que ser proibida, um bebê humano pode ser morto (desde que esteja no ventre da mãe, é claro).

Cor da pele é critério de desempate. Matar animais pra comer? Absurdo! Só podemos matar vegetais, afinal, há uma hierarquia no valor dos seres vivos e as herbáceas devem estar em baixa.

Bom mesmo é enrolar um baseado, liberar a venda de drogas, mas restringir cigarros e bebidas (alcoólicas ou não). Coca-Cola? Pecado mortal. Chá de cogumelo é mais natural. Açúcar não, cocaína sim.

A polícia é inimiga da população, o branco é inimigo do negro, o empresário é inimigo do funcionário (ops! desculpem, do colaborador), o heterossexual é inimigo do homossexual e o cristão é um imbecil inimigo de todos, ainda mais se for branco e católico.

O rico é inimigo do pobre, o Sul/Sudeste, inimigos do Norte/Nordeste… Ser favelado é motivo de orgulho e batalhar pra subir na vida é coisa de pequeno burguês. Mas, que fique claro, é uma época de combate ao preconceito e discriminação seja qual for.

O PT no poder, MST critica o “sistema”, UNE critica o “sistema”, CUT critica o “sistema”, mas não largam as tetas do… “sistema”!

Lula abraçado a Collor, Dilma abraçada a Sarney, Haddad abraçado a Maluf. Organizações Não Governamentais (ONGs) são mantidas com dinheiro… governamental.

Oposição não critica o governo, mas governistas denunciam o próprio governo. Político condenado por corrupção merece total solidariedade. Já o tribunal e os juízes que finalmente mandaram corruptos à cadeia…

Segundo o PT, PC do B, PSOL e PSTU a democracia no Brasil é ruim, já na Venezuela, há democracia até demais. Cuba e Coreia do Norte são exemplos a serem seguidos. Estados Unidos e Europa, exemplos a serem evitados.

Imprensa boa é imprensa calada. Por que não publicam notícias positivas? Talvez umas receitas de bolo ou um poeminhas de Camões? Analfabetos – ditos funcionais (?) – frequentam Universidades, intelectuais de classe média apoiam governantes corruptos, mas odeiam a classe média, afinal, “a burguesia fede”.

Quem apoia teorias políticas do século XIX é progressista. Os que apoiam as teorias mais modernas são retrógrados.

Dias estranhos! Uma nova era, talvez. Com certeza da mediocridade.

Como não posso ir embora pra Pasárgada, pois não sou amigo do Rei, acho que vou mesmo é pra Itaguaí e lá curtir a Casa de Orates na companhia de Simão Bacamarte.

05/08/2013

às 15:54 \ Política & Cia

Estatuto da Juventude assegura direitos a jovens brasileiros — e também privilégios que são esmola com chapéu alheio

Visto das galerias, o plenário da Câmara dos Deputados: deputados tentaram, em vão, retirar privilégios da UNE previstos na lei (Foto: Agência Câmara)

A presidente Dilma está sancionando hoje projeto de lei do Congresso que institui o Estatuto da Juventude.

O texto, que rolou durante nove anos no Congresso, originou-se da Câmara dos Deputados, onde foi aprovado, seguindo depois para o Senado, que, com modificações, aprovou-o em abril.

Como houve mudanças, a matéria precisou voltar à Câmara, tendo como relatora a inevitável deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS). Ali, o plenário deu seu OK no dia 9 de julho.

O texto prevê “os direitos básicos dos jovens, como acesso à educação de qualidade e à profissionalização” etc etc.

Ótimo. Tudo a favor. Tudo a ver. Afinal, destina-se a salvaguardar direitos de uma população de 51 milhões de brasileiros.

Leia a íntegra aqui.

Provavelmente é um exagero considerar “jovem”, para os efeitos da lei, brasileiros entre 15 e 29 anos.

Mas vamos em frente.

Assegurar uma série de direitos a essa imenso contingente de brasileiros, repito, como o acesso ao mundo digital, é excelente.

O problema é que, como sempre, vieram contrabandos e as mordomias — às custas de cofres alheios.

Brasileiros tidos como “jovens” de até 29 anos — 29 anos!!! — pertencentes a famílias de baixa renda e estudantes terão direito a pagar metade do valor do ingresso cobrado do público em geral em eventos educativos, culturais e esportivos – expressamente excetuada a Copa do Mundo de 2014 que, por exigência da Fifa, tem regras específicas definidas pela Lei Geral da Copa.

Vejam vocês: um marmanjo de 26, 27 ou 28 anos paga meia entrada em cinema, em jogo de futebol, em shows musicais.

E a lei reserva 40% dos ingressos para esse fim!

Quarenta por cento! Então, quer dizer que, se hipoteticamente “jovens” se organizarem de forma maciça para assistir, digamos, a um grande clássico do Campeonato Brasileiro, quase METADE do público terá pago meia! Idem um show de uma grande cantora, de um grande cantor, de uma grande banda. A mesma coisa a uma sessão de cinema.

Será que existe algo semelhante em algum lugar do mundo? Pergunto: a troco de quê?

Outra pergunta: quem é que paga a conta?

Uma vez mais, esmola com chapéu alheio — vai sobrar para os times de futebol, músicos e cantores, empresários dessas áreas, donos de cadeias de cinemas ou mesmo de pequenos cinemas que ainda resistem no interior do país…

Já nos transportes públicos interestaduais, os jovens de baixa renda não terão direito a duas vagas “digrátis” por veículo. A presidente Dilma, de olho nos subsídios que o projeto pretendia conceder às custas dos cofres federais em troca do benefício, vetou o dispositivo.

Mas o Congresso queria que, se as vagas estivessem esgotadas, houvesse reserva de dois assentos por veículo com desconto de 50%.

Voltemos, contudo, ao projeto aprovado: como é que se resolve quem é “jovem carente” e quem é estudante para desfrutar de 40% de desconto em espetáculos públicos?

Lá vem a lei, com mais burocracia, de um lado, e mais poderes para malandros como os dirigentes biônicos, sem-voto da UNE.

Comecemos pela burocracia. Para um jovem (um camarada de 29 anos pode ser considerado um pobre jovem abandonado e indefeso?) ter acesso aos benefícios, suas famílias devem estar registrada no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

Agora, o estudante. Quem assegura que o jovem ou a jovem é estudante? A escola?

Deputado Ônix Lorenzoni: "“Cada grêmio, cada associação estudantil, cada escola secundarista tem de ter a possibilidade de emitir a carteira estudantil” (Foto: Democratas)

Claro que não! A garantia aos benefícios se dará por meio de uma carteira estudantil, o que por sinal — relata reportagem do site de VEJA — rendeu uma longa discussão entre os deputados.

O Senado, ao votar o Estatuto, havia incorporado ao texto que as carteirinhas devem ser expedidas “preferencialmente pela União dos Estudantes (UNE), pela Associação Nacional de Pós-Graduandos, pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e por entidades estudantis estaduais e municipais a elas filiados”.

Vários deputados argumentaram, com razão, que a alteração feita pelo Senado favorecia uma indevida concentração de poder nas instituições estudantis.

“Não pode passar nessa Casa uma medida que vai beneficiar uma ou duas instituições do Brasil”, argumentou, com razão, o deputado Ônyx Lorenzoni (DEM-RS). E continuou, ainda com toda razão: “Cada grêmio, cada associação estudantil, cada escola secundarista tem de ter a possibilidade de emitir a carteira estudantil”.

Coerentemente com a postura de Lorenzoni, o Democratas tentou retirar a medida do texto, mas o destaque apresentado pelo partido foi rejeitado.

O Senado terminou aprovando o texto final da Câmara com essa forcinha a mais para a UNE biônica.

E vamos em frente, que o Brasil é nosso.

É mesmo?

21/07/2013

às 17:00 \ Política & Cia

O “novo” sindicalismo criado por Lula nos anos 70 está morrendo — vítima do lulismo

Ato de sindicalistas bloqueia a Via Anchieta em São Bernardo do Campo (SP). O chamado “Dia Nacional de Luta com Greves e Mobilizações”, convocado pelas principais centrais sindicais do país (Foto: Anderson Gores ABC Digipress / Estadão Conteúdo)

Ato de sindicalistas bloqueia a Via Anchieta em São Bernardo do Campo (SP). O fracasso de público do chamado “Dia Nacional de Luta com Greves e Mobilizações” é sinal de um sindicalismo longe das bases e engordado com verbas oficiais (Foto: Anderson Gores ABC Digipress / Estadão Conteúdo)

Do blog Política & Economia Na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros

O “NOVO” SINDICALISMO EM CONCORDATA – 1

É desses paradoxos que nem a política explica e que a razão desconhece: depois do fiasco (pela grandiosa adesão esperada pelos organizadores) do Dia Nacional de Luta, quinta-feira passada, percebe-se que o novo sindicalismo brasileiro, batizado de “autêntico”, nascido com Lula e os movimentos no ABC paulista em fins dos anos 1970, está a morrer, vítima do lulismo.

É inegável que a CUT, Força Sindical, CGT e outras centrais sindicais menos votadas, mais companhias belas como UNE e MST, esperavam levar às ruas no dia 11 de julho multidões bem maiores que as cerca de 100 mil pessoas que mobilizaram pelo Brasil inteiro.

Já os “indignados” brasileiros de junho — sem organização visível, sem estrutura, sem líderes tarimbados, sem carros de som e microfones – reuniram um milhão e meio de cidadãos também numa quinta-feira, semanas atrás.

O “novo” sindicalismo em concordata – 2

Falharam os pentecostais do trabalhismo oficial e seus penduricalhos basicamente por três razões :

1. Afastaram-se de suas bases, imantados por verbas oficiais do imposto sindical e de financiamento às organizações não-governamentais que na verdade são governamentais, começaram a recolher milhões nos últimos anos, graças às generosidades brasilienses. Perderam garra. O MST é a melhor prova disso.

2. Estão com um discurso defasado, antiquado para uma sociedade que mudou muito, política e socialmente, no último caso em boa parte graças às políticas de renda do próprio lulismo.

3. Tornaram-se extremamente semelhantes aos partidos políticos aos quais indiretamente estão ligadas.

Neopeleguistas, se quiserem sobreviver só lhes resta se reinventarem, assim como Lula inventou o sindicalismo moderno brasileiro mais de 30 anos atrás. Esse mesmo que agora fenece.

19/07/2013

às 14:32 \ Política & Cia

MANIFESTAÇÕES: Projeto demagógico de Lindbergh Farias proibindo uso de balas de borracha e outros recursos às polícias amarra as mãos das forças da ordem

Lindbergh Farias: projeto de proibir recursos de combate a manifestações violentas é demagógico. O que é preciso é cobrar das PMs e dos governos que haja treinamento intenso para uso cuidadoso desses dispositivos -- e, quando houver excessos, exigir a punição dos culpados (Foto: Pedro França/ Agência Senado)

Ele não é mais o rebelde cara-pintada que dirigiu a UNE. Nem o militante (e depois deputado) do ultra-radical PSTU. Nem “jovem” Lindbergh Farias é mais, aos 43.

Agora é um senador da República (PT-RJ), deixou há muito o PSTU, como abandonara o PCdoB, rumo ao mais seguro establishment do PT. Sabe como é dura a vida de quem administra, porque foi por duas vezes prefeito de uma cidade muito problemática, e grande — Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, com 1 milhão de habitantes.

Além disso, é candidatíssimo ao governo do Rio de Janeiro em 2014.

Mas não tem jeito, certas coisas não mudam.

O senador Lindbergh acaba de apresentar projeto proibindo o uso pelas Polícias Militares de balas de borracha e outros recursos de contenção de distúrbios de que forças de ordem pública lançam mão em todo o mundo civilizado, como também de bombas de efeito moral – que fazem um barulho infernal e se destinam a desencorajar psicologicamente manifestantes hostis.

É claro que esses recursos, quando mal empregados, podem (e costumam) causar danos. Mas proibi-los é amarrar mais ainda as mãos das polícias militares no enfrentamento de manifestações violentas, muitas vezes — como temos visto ultimamente no Brasil — munidas das piores intenções: quebrar, queimar, machucar, depredar, destruir, vandalizar, saquear.

Policiais da tropa de choque da PM de São Paulo enfrentam distúrbios de estudantes próximos à reitoria da USP (Foto de arquivo: Marcos Fernandes / Agência Estado)

Em vez da medida demagógica de PROIBIR (verbo que políticos adoram conjugar), o que é preciso é cobrar das polícias militares e dos governantes por elas responsáveis que, cada vez mais, as tropas de choque e similares sejam treinadas ao máximo sobre o uso correto e contido deles, com punição rigorosa para quem cometer excessos.

Daqui a pouco, proibirão o gás lacrimogênio. Quem sabe, a seguir, os escudos protetores e as roupas especiais das tropas de choque. Depois, as algemas. Por fim, o camburão também?

Ninguém de bom senso e caráter democrático pode ser favorável à violência policial.

Repito, para que depois não me venham com críticas infundadas e absurdas; NINGUÉM DE BOM SENSO E CARÁTER DEMOCRÁTICO PODE SER FAVORÁVEL À VIOLÊNCIA POLICIAL.

Retirar recursos da polícia, no entanto, em nada vai colaborar para a segurança pública — pelo contrário.

(Conheça o projeto clicando aqui.)

10/07/2013

às 13:20 \ Política & Cia

Tudo bem aprovar o Estatuto da Juventude. Mas, de novo, deputados criam benefícios às custas dos outros — meia entrada em eventos culturais e esportivos, passagens gratuitas em transporte coletivo etc. E mais prestígio aos picaretas da UNE

A Câmara dos Deputados em sessão: uma vez mais, distribuindo direitos -- com terceiros pagando a conta (Foto: Gabriela Korossy / Agência Câmara)

Tendo como relatora a inevitável deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o projeto que institui o Estatuto da Juventude, que tem como alvo jovens brasileiros entre 15 e 29 anos.

O texto prevê “os direitos básicos dos jovens, como acesso à educação de qualidade e à profissionalização” etc etc.

Beleza. Tudo a favor. Tudo a ver.

Mas, como sempre, vieram os contrabandos e as mordomias — às custas de cofres alheios.

Brasileiros tidos como “jovens” de até 29 anos pertencentes a famílias de baixa renda e estudantes terão direito a pagar metade do valor do ingresso cobrado do público em geral em eventos educativos, culturais e esportivos – desde que não se trate da Copa do Mundo de 2014 que, por exigência da Fifa, tem regras específicas definidas pela Lei Geral da Copa.

Vejam vocês: um marmanjo de 26, 27 ou 28 anos paga meia entrada em cinema, em jogo de futebol, em shows musicais.

Pergunto: a troco de quê?

Pergunto de novo: e quem é que paga a conta? Uma vez mais, esmola com chapéu alheio — vai sobrar para os times de futebol, músicos e cantores, empresários…

Mas a lei, amigos, é boazinha: a concessão da meia-entrada é limitada a 40% do total de entradas disponíveis para cada evento.

Quarenta por cento! Então, quer dizer que, se hipoteticamente “jovens” se organizarem de forma maciça para assistir, digamos, a um Corinthians e Palmeiras ou a um Fla x Flu, quase METADE do público terá pago meia!

Será que existe algo semelhante em algum lugar do mundo?

Já nos transportes públicos interestaduais, os jovens de baixa renda terão direito a duas vagas “digrátis” por veículo. Se as vagas estiverem esgotadas, haverá a reserva de dois assentos por veículo com desconto de 50%. A lei não esclarece se as vagas serão cumulativas — se duas gratuitas e mais duas com 50%.

A deputada Manuela: relatora do projeto, manteve os privilégios da UNE (Foto: Agência Câmara)

Nada, contudo, de a lei dispor sobre alguma retribuição às empresas que transportam as pessoas.

Os empresários que se virem. O governo, que patrocina a coisa, finge que não tem nada com isso.

E como é que se resolve quem é “jovem carente” e quem é estudante?

Lá vem a lei, com mais burocracia, de um lado, e mais poderes para malandros como os dirigentes biônicos, sem-voto da UNE.

Comecemos pela burocracia. Para um jovem (um camarada de 29 anos pode ser considerado um pobre jovem abandonado e indefeso?) ter acesso aos benefícios, suas famílias devem estar registrada no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

Agora, o estudante. Quem diz que o jovem ou a jovem é estudante? A escola?

Nãããããããããão…. A garantia aos benefícios se dará por meio de uma carteira estudantil, o que por sinal — relata reportagem do site de VEJA — rendeu uma longa discussão entre os deputados. O Senado, ao votar o Estatuto, havia incorporado ao texto que as carteirinhas devem ser expedidas “preferencialmente pela União dos Estudantes (UNE), pela Associação Nacional de Pós-Graduandos, pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e por entidades estudantis estaduais e municipais a elas filiados”.

Vários deputados argumentaram, com razão, que a alteração feita pelo Senado favorecia uma indevida concentração de poder nas instituições estudantis. “Não pode passar nessa Casa uma medida que vai beneficiar uma ou duas instituições do Brasil”, argumentou, com razão, o deputado Ônyx Lorenzoni (DEM-RS). E continuou, ainda com toda razão: “Cada grêmio, cada associação estudantil, cada escola secundarista tem de ter a possibilidade de emitir a carteira estudantil”.

Coerentemente com a postura de Lorenzoni, o Democratas tentou retirar a medida do texto, mas o destaque apresentado pelo partido foi rejeitado.

15/06/2013

às 20:00 \ Política & Cia

Neil Ferreira: Meu protesto — É fogo em nós? Fogo neles

"São Paulo está sob intenso ataque,  numa guerra  suja e covarde, que a mídia assustada  chama de 'Protesto'” (Foto: Gabriela Batista)

"São Paulo está sob intenso ataque, numa guerra suja e covarde, que a mídia assustada chama de 'Protesto'” (Foto: Gabriela Batista)

Por Neil radical Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

MEU PROTESTO: É FOGO EM NÓS? FOGO NELES

Fogo deles se responde com fogo neles, é legítima defesa. São Paulo está sob intenso ataque, numa guerra suja e covarde, que a mídia assustada chama de “Protesto”, protesto uma pinoia; terrorismo. É fogo neles se mandarem fogo em nós. Reinaldo Azevedo procurou e achou: o Movimento Passe Livre (MPL) tem um site, com um site para São Paulo.

Está em nome da Associação Cultural Alquimídia. O MPL recebe dinheiro da Petrobrás e do Ministério da Cultura e tem incentivo da Lei Rouanet. Seu chefão, um tal de Thiago Skárnio, deve estar escarnecendo da gente por fazer um cruel movimento contra o povo, com dinheiro dos impostos ralados do couro do povo, já em carne viva.

É cada vez mais violento, incendiando e destruindo o transporte público no qual exigem viajar sem pagar, paralisando a cidade e prejudicando a massa trabalhadora que vive em São Paulo.

O MPL tem apoio de organizados quadros do PSTU, PCO, PSOL, setores do PT, UNE, PDZ (Partido Zé Dirceu), que não trabalham e vivem de mesada oficial, dando uma banana pra quem sua a camisa. E de estudantes riquinhos de escolas particulares de grife, já beneficiados pelo Passe Livre que desfrutam nos carros de luxo das mamães e dos papais. Não poucos, vão e voltam das manifestações com motoristas bem educados, que se mantém distantes da baderna.

A ação que parece ser interminável, é outra tentiva de desestabilizar Alckmin, criando “Um, dois, três, muitos Vietnãs” (em São Paulo), palavra de ordem de Régis Debray, guru do aposentado “foquismo”.

Buscam confronto violento com a PM para a produção de um cadáver jovem e heróico, cujo corpo possa ser carregado pelas ruas e conseguir repercussão mundial.

A PM não tem saída. Se não endurece, é “mole”, culpa do Alckmin; se endurece, é violenta, culpa do Alckmin.

Se me perguntassem “Que fazer”, como o livro-panfleto de Lênin, marquetero amador e pacifista que sou, recomendaria “É fogo em nós ? Fogo neles”. Como pacifista, desejo o rápido fim do confronto para que se estabeleça a “Pax Neílica”, com eles nas masmorras em prisão perpétua.

Como efeito colateral, deram um tiro no pé do brimo Haddad, que também despencou. Fujão, a tudo assistiu corajosamente de Paris em tempo real pela tv, como prometeu.

O pico da baderna aqui foi mais ou menos à 6 da tarde, com a queima de ônibus no Centrão, o que pelo fuso horário é 10 da noite em Paris. Atrapalhou seu frugal jantar, talvez no modesto Ritz da Place Vendôme.

Nessa mesma Paris que é refúgio de militantes petistas 5 Estrelas — o poeta Chiquê Buarquê du Holandá, festejado autor do verso “Voto no Lula porque estou acostumado” — asilaram-se os sapatinhos de solas vermelhas da Vovó Periguete Martaxa, quando foi Prefeita.

São Paulo enlameou e parou com uma inundação, ela sumiu com seus delicados pésinhos; granfina, foi flagrada relaxando e gozando em Paris. Paris é uma festa, já dizia Papa Hemingway.

Em outra eleição, o PT uniu-se ao PCC (Primeiro Comando da Capital), disciplinado e bem armado exército do crime organizado, formando o PTCC para paralisar São Paulo pelo terrorismo a cada subida do Alckmin nas pesquisas.

As pesquisas estão aí de novo. No Datafolha, Dilma caiu 8 pontos, de 65 para 57. O “país dos mais de 80%”, principal curral eleitoral do lulo-petismo-dilmismo (duvido que haja dilmismo, mas não há o que não haja) caiu para “o país dos 57%”, uma queda de 23 pontos — um pequeno passo para a Humanidade, um grande passo para o Brasil.

Aécio sobe de 10 para 14; 10 pra 14 são 40%. Alckmin ganha dos adversários no 1º turno em qualquer cenário e dá uma coça no Lula O Mudo, se ele se meter a ganhar o Estado de São Paulo, a Joia da Coroa. A baderna aparece aí de novo. Coincidência ?

Se Dilma depois da queda está aos prantos ou nem aí pro Datafolha — está demais de aí; apareceu com a Bolsa Eletrodoméstico pra comprar mais votos — eu não estou nem aí pra ela; com todo respeito, quero que se exploda.

Me preocupa (sintaxe do livro didático “Nós pesca os peixe) é ver o capinha-preta Toffoli ameaçar que o Julgamento do Mensalão vai durar mais uns dois anos. Como adverti na coluna “Advertência (…)” não é impossível que os mensaleiros saiam livres, leves e soltos.

O novo Ministro Barroso, antes mesmo de vestir a capa-preta, declarou fora dos autos que o “O STF foi duro” (no Julgamento do Mensalão) e (representou) “Um ponto fora da curva”.

Com ele, o Julgamento seria “mole”, que sei muito bem o que é; e “um ponto dentro da curva”, que não tenho a menor ideia do seja.

Suspeito de que ele é um deles e nesses dois anos previstos pelo capinha -preta Toffoli, supostamente veríamos as sentenças mudadas, sem endurecimento nem ponto fora da curva. “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás” (Guevara).

Dilma caindo, Alckmin subindo , Aécio dando um salto de 40%, baderna nas ruas. Com 51 pontos de intenção de votos, Dilma pode vencer com folga. Se cair para 49, vamos começar a sentir o mau cheiro de “Lula-lá” em 2014.

Não falei do Alckmin em Paris porque isenção é comigo mesmo.

04/05/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Renan Calheiros: Retrato de um político quando jovem — cabeludo, idealista, de esquerda

Este senador um dia foi um rapaz cheio de sonhos de igualdade (Foto: AE)

Este senador um dia foi um rapaz cheio de sonhos de igualdade (Foto: AE)

Reportagem de Vicente Vilardaga, publicada em edição impressa da revista Alfa

RETRATO DE UM POLÍTICO QUANDO JOVEM

Quem quer expulsar Renan Calheiros da presidência do Senado não imagina que um dia ele foi um rapaz cheio de sonhos de igualdade – quase um comunista

Da velha Murici, na zona da mata alagoana, onde o senador Renan Calheiros viveu sua juventude, só restam ruínas. Três enchentes do rio Mundaú, na década passada, a última em 2010, massacraram a cidade e acabaram com as construções da rua do Comércio, onde se concentrava a vida cultural e econômica por ali no final do século XX.

Os armazéns de secos e molhados que abasteciam os trabalhadores das usinas de cana do município – São Simeão e Bititinga 1 e 2 – sucumbiram à força das águas. Acabou a movimentação das pessoas para discutir política na calçada, na frente do armazém de Mozart Damasceno, e os velhos negócios faliram ou, seguindo a agência do Banco do Brasil, se mudaram para a parte alta do município, em torno da praça Padre Cícero.

Pouco do que se vê em Murici hoje fez parte da paisagem onde Renan circulou na adolescência e onde recebeu as primeiras lições de sua formação política. Em um período curto, Murici mudou completamente. Mudou tanto quanto o senador.

O 1,6 milhão de pessoas que aderiram ao abaixo-assinado para impugnar Renan na presidência do Senado por causa de denúncias de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso talvez não consiga imaginar que um dia ele foi um bom rapaz do interior, que não era nem playboy nem desajustado e se dizia de esquerda.

Primogênito da prole de oito filhos de um dos homens mais populares da região, o comerciante de animais Olavo Calheiros, Renan foi um adolescente ponderado, sensato e razoavelmente bom nas contas. O pai e a mãe, Ivanilda, eram rígidos, mas carinhosos. Renan não usava a violência para resolver seus problemas. Preferia usar a conversa.

Teve uma infância pobre e sem luxos, bem diferente de Fernando Collor de Mello, por exemplo, político de sua geração com quem teria o destino cruzado. Mas recebeu exemplos dignificantes. Com a mente forjada nos negócios feitos pelo interior, Olavo tinha um pensamento democrático e transmitiu aos filhos uma visão crítica dos usineiros, símbolos do perverso poder oligárquico que em Murici se chamava Omena, e um senso de justiça inexistente naqueles tempos.

Ruínas da usina de cana de São Simeão (Fotos: Arquivo)

Ruínas da usina de cana de São Simeão (Fotos: Arquivo)

Renan era um jovem idealista. Influenciado pelo pai, afastou-se do reacionarismo das lideranças da região e condenava a ditadura militar. A casa dos Calheiros era um dos pontos de encontro da oposição. No final da adolescência, declarava-se socialista.

Foi quase um comunista. Recebeu os primeiros ensinamentos de Karl Marx no armazém de Mozart Damasceno, o “bom burguês”, homem de grande influência em Murici, que havia viajado para a União Soviética.

Mozart era filiado ao Partido Comunista e pela sua loja passavam muricienses influentes para tomar uma mistura de pinga de cabeça, aquela do começo da destilação, com refrigerante de laranja e canela que oferecia como uma especialidade. Quando estava na cidade, Olavo era um dos frequentadores.

Andava cerca de 500 metros e ia conversar com Mozart – a casa dos Calheiros, onde hoje mora a mãe e o atual prefeito, Remi, irmão caçula de Renan, na rua Durval de Góis Monteiro, continuação da rua do Comércio, ainda é a mesma. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

08/04/2013

às 15:47 \ Política & Cia

VERGONHA: partidos da base do governo, junto com entidades “de esquerda”, se solidarizam com o regime pária e criminoso da Coreia do Norte. Entre esses partidos, o PSB do governador Eduardo Campos, que quer ser presidente

Kim Jon-un, o herdeiro de terceira geração da ditadura comunista norte-coreana, observa a fronteira com a Coreia do Sul acompanhado de generais (Foto: AFP)

A Coreia do Norte é, talvez, a ditadura mais totalitária do mundo. Inteiramente fechada para o mundo exterior, o comunismo fundado em 1949 pelo “presidente eterno” Kim Il-sung (morto em 1994, mas que oficialmente é o presidente) só promoveu fome, miséria, lavagem cerebral na população e Forças Armadas numerosas e bem equipadas.

Com mais território (120 mil quilômetros quadrados) e população menor (25 milhões de habitantes) do que a vizinha Coreia do Sul (100 mil quilômetros quadrados, 50 milhões de habitantes), a Coreia do Norte, com seu comunismo dinástico, conseguiu ter um Produto Interno Bruto quase CEM VEZES menor do que a do Sul — estimados 12,5 bilhões contra 1,15 trilhão de dólares.

A guerra contra o vizinho do sul (1950-1953) para eles ainda não terminou. Os norte-coreanos nunca assinaram um armistício definitivo, muito menos um tratado de paz. Com isso e seu programa de possuir armas nucleares, usam a chantagem contra o Ocidente para conseguir petróleo, alimentos e uma infinidade de produtos que não tem capacidade de oferecer à população.

Nas últimas semanas, seu dirigente, o gorducho cara de bobo Kim Jong-un, de 28 anos, há um ano no poder, declarou seu direito de ter armas nucleares, ameaçou atacar os Estados Unidos e “destruir a Casa Branca”, postou na web montagens fotográficas mostrando um bombardeio a Washington, posicionou mísseis em direção à Coreia do Sul e do Japão, movimentou tropas e fechou um complexo industrial, o de Kaesong, que mantém com o Sul — um dos raros territórios de distensão obtido em gestões anteriores dos dois países.

Até a China perdeu a paciência

A coisa chegou a um tal ponto que até a China, principal aliado da Coreia do Norte e quem mais ajuda a sustentar a economia podre do regime, perdeu a paciência. E não o fez por declarações da agência oficial chinesa ou por um funcionário da chancelaria, mas pela palavra do próprio presidente Xi Jinping, que disse, com todas as letras, em recado que os observadores diplomáticos entenderam ter endereço certo para Pyongyang:

– Nenhum país tem o direito de jogar a região ou o mundo no caos em razão de objetivos egoístas.

Obviamente, os Estados Unidos, principal aliado da Coreia do Sul, mostraram sua disposição de defender o governo de Seul, e realizam manobras militares conjuntas que incluem sobrevoos de grandes bombardeiros e a mobilização, em águas territoriais sul-coreanas, de navios de guerra.

Pois bem, em tudo isso, um amontoado de organizações brasileiras “de esquerda” inverteram os fatos enxergaram ameaças nucleares do “imperialismo americano” à Coreia do Norte.

O comunicado é assinado por organizações tradicionalmente antiamericanas e baderneiras, como o MST, e pelos picaretas biônicos da UNE, que detestam democracia e eleições diretas. Também pela CUT, é evidente.

Mas — VEJAM BEM — escondidinho lá no meio das siglas está nada menos do que o PSB — sim, o PSB do governador Eduardo Campos, que quer ser presidente da República em 2014 e vem cortejando, entre outros setores, o empresariado brasileiro.

Eis o absurdo texto da “esquerda”, que pode ser conferido no site do Partido Comunista do Brasil.

“A escalada da tensão na Península Coreana, com a participação direta dos Estados Unidos, tem aumentado a pressão e a preocupação com um possível conflito internacional, apesar dos pedidos reiterados por diálogo enquanto a Coreia do Sul, apoiada pelos EUA, toma medidas belicistas.

Neste contexto, movimentos e partidos brasileiros que lutam contra o imperialismo belicista e pela manutenção da paz e da soberania das nações enviaram a seguinte declaração à embaixada da Coreia Popular:

Senhor Embaixador da República Popular e Democrática da Coreia;

A campanha de uma guerra nuclear desenvolvida pelos Estados Unidos contra a República Democrática Popular da Coreia passou dos limites e chegou à perigosa fase de combate real.

Apesar de repetidos avisos da RDP da Coréia, os Estados Unidos tem enviado para a Coréia do Sul os bombardeios nucleares estratégicos B-52 e, em seguida, outros meios sofisticados como aeronaves Stealth B-2, dentre outras armas.

Os exercícios com esses bombardeios contra a RDP da Coréia são ações que servem para desafiar e provocar uma reação nunca antes vista e torna a situação intolerável.

As atuais situações criadas na península coreana e as maquinações de guerra nuclear dos EUA e sua fantoche aliada Coréia do Sul além de seus parceiros que ameaçam a paz no mundo e da região, nos levam a afirmar:

1. Nosso total, irrestrito e absoluto apoio e solidariedade à luta do povo coreano para defender a soberania e a dignidade nacional do país;

2. Lutaremos para que o mundo se mobilize para que os Estados Unidos e Coréia do Sul devem cessar imediatamente os exercícios de guerra nuclear contra a RDP da Coréia;

3. Incentivaremos a humanidade e os povos progressistas de todo o mundo e que se opõem a guerra, que se manifestem com o objetivo de manter a Paz contra a coerção e as arbitrariedades do terrorismo dos EUA.

Conscientes de estarmos contribuindo e promovendo um ato de fé revolucionária pela paz mundial, as entidades abaixo manifestam esse apoio e solidariedade.

Brasília, 02 de abril de 2013.

PCdoB, PT, PSB, Cebrapaz, CUT, MST, MDD, UJS, UNE, Unegro, Unipop, CDRI, CDR/DF, MPS, CMP, CPB, Telesur, TV Comunitária de Brasília, Jornal Revolução Socialista”.

Posteriormente à publicação desta matéria, nesta segunda-feira (8), o PT emitiu outra nota dizendo que não assina a publicação mencionada acima. 

24/07/2012

às 16:00 \ Política & Cia

As garras do Brasil na nefanda “Operação Condor” — aliança clandestina entre órgãos de repressão das hoje extintas ditaduras militares do Cone Sul

 

Generais da ditadura argentina:

Generais da ditadura argentina: Operação Condor -- colaboração entre órgãos de repressão das falecidas ditaduras do Cone Sul -- foi tema de Seminário na Câmara dos Deputados

(Palestra do jornalista Luiz Cláudio Cunha no Seminário Internacional sobre a Operação Condor, ocorrido na  Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia 5 de julho de 2012)

 

As garras do Brasil na Condor

A mais longa ditadura da maior nação do continente não poderia ficar de fora do clube mais sinistro dos regimes militares da América do Sul. O Brasil dos generais do regime de 1964 estava lá, de corpo e alma, na reunião secreta em Santiago do Chile, em novembro de 1975, que criou a Operação Condor.

Nascia a mais articulada e mais ampla manifestação de terrorismo de Estado na história mundial. Nunca houve uma coordenação tão extensa entre tantos países para um combate tão impiedoso e sangrento a grupos de dissensão política ou de luta armada, confrontados à margem das leis por técnicas consagradas no submundo do crime.

Tempos depois, em 1991, as democracias renascidas da região construíram um difícil pacto de integração política e econômica batizado de Mercosul. Dezesseis anos antes, contudo, os generais das seis ditaduras do Cone Sul — Chile, Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Bolívia — tinham conseguido realizar, a ferro e fogo, uma proeza ainda mais improvável: um secreto entendimento pela desintegração física, política e psicológica de milhares de pessoas.

A Operação Condor trouxe para dentro do Estado ilegítimo das ditaduras as práticas ilegais da violência de bandos paramilitares, transformando agentes da lei em executores ou cúmplices encapuzados de uma dissimulada política oficial de extermínio.

O BRASIL NO CONDOR Tio Caco e Dr. Sabino, os dois militares do Centro de Informações do Exército (CIE), veteranos da  guerrilha do Araguaia, que representaram o  Brasil no Chile em novembro de 1975  na  fundação da Operação Condor: Ten-cel de Cavalaria Flávio de Marco (Tio Caco), e Major de Infantaria Thaumaturgo Sotero Vaz (Dr. Sabino)

O BRASIL NO CONDOR -- Tio Caco e Dr. Sabino, os dois militares do Centro de Informações do Exército (CIE), veteranos da guerrilha do Araguaia, que representaram o Brasil no Chile em novembro de 1975, na fundação da Operação Condor: tenente-coronel de Cavalaria Flávio de Marco (Tio Caco), e major de Infantaria Thaumaturgo Sotero Vaz (Dr. Sabino)

O envolvimento de efetivos regulares da segurança com as práticas bandoleiras de grupos assassinos explica, de alguma forma, a leniência e depois a conivência com o crime por parte de corporações historicamente fundadas na lei e na ordem.

O Esquadrão da Morte, em países como Brasil, Argentina e Uruguai, contaminou o Exército. O Exército perdeu os limites com a obsessão da guerra antisubversiva. A luta contra a guerrilha transbordou as fronteiras da lei e exacerbou a violência. A virulência clandestina e sem controle do esquadrão empolgou o Exército. O Exército apodreceu com o Esquadrão da Morte. O esquadrão confundiu-se com o Exército, o Exército virou naqueles tempos um esquadrão. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados