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29/05/2013

às 15:00 \ Política & Cia

César Borges, ministro dos Transportes, percebeu que não manda nada e pensa em ir embora

César Borges, ministro sem poder. Na foto, com a presidente em sua posse (Foto: Roberto Stuckert Filho / PR)

César Borges, ministro sem poder. Na foto, com a presidente em sua posse (Foto: Roberto Stuckert Filho / PR)

Nota de Otávio Cabral publicada em edição impressa de VEJA

CANETA SEM TINTA

Nomeado há menos de dois meses, o ministro dos Transportes, César Borges, tem reclamado da falta de poder no cargo.

Em uma conversa com um amigo na semana passada, queixou-se de que ainda não conseguiu uma audiência com a presidente nem teve autorização da Casa Civil para contratar assessores.

A equipe do gabinete é praticamente a mesma que herdou do antecessor, Paulo Passos.

Ele já avisou à cúpula de seu partido, o PR, que se sua situação não melhorar pode deixar o cargo no ano que vem para se candidatar a deputado federal.

10/05/2013

às 16:37 \ Política & Cia

Vejam só o nível do debate: Garotinho diz que emenda de Eduardo Cunha “cheira mal” — Cunha responde acusando Garotinho de ser batedor de carteira e grita “pega ladrão”

Anthony Garotinho e Eduardo Cunha: o bate-boca entre os dois foi algo que o presidente da Câmara, Henrique Alves, diz nunca ter visto em 40 anos como deputado (Fotos: Bruno Peres / DA Press :: Ag. O Globo)

UMA NOITE INESQUECÍVEL

Merval Pereira, O Globo

Foi uma noite para ser esquecida, segundo a definição de alguns. Ou para nunca mais ser esquecida. O nível dos debates para a aprovação da medida provisória baixada pelo governo sobre portos ficou tão baixo que o presidente da Câmara, Henrique Alves, disse que, em 40 anos de vida parlamentar, jamais vira espetáculo tão degradante.

Não se poderia esperar outra coisa dos principais combatentes da noite, os deputados Eduardo Cunha, do PMDB, e Anthony Garotinho, do PR, ambos do Rio, antigos aliados, hoje grandes desafetos.

Garotinho acusou a emenda aglutinativa patrocinada por Cunha de cheirar mal, de ter motivações escusas e, nos bastidores, falava abertamente em milhões de reais por baixo da mesa para favorecer interesses de empresários.

Cunha referiu-se a Garotinho como o batedor de carteira que sai gritando “pega ladrão” para distrair a atenção.

A piada no plenário: os dois têm razão

A baixaria foi tão grande que a piada no plenário era que, em vez de citar Tio Patinhas, referindo-se ao autor da emenda, Garotinho deveria falar nos Irmãos Metralha. E a consequência lógica era que os dois tinham razão.

Com a acusação genérica de Garotinho, aconteceu o imprevisível: todos os líderes que se preparavam para aprovar a votação retiraram o apoio, com receio de serem apontados como corruptos.

Não se sabe se a atitude de Garotinho foi apenas contra o adversário Eduardo Cunha ou se tinha um alcance mais amplo que o de impedir que a emenda aglutinativa fosse votada. Nesse caso, estaria fazendo um trabalho para a presidente Dilma, que quer aprovar a medida provisória que enviou ao Congresso com as mudanças negociadas com a base.

Ainda há grande perplexidade no Congresso, e ninguém sabe se haverá condições de aprovar a medida provisória antes que caduque, no dia 16. Como a nova Lei dos Portos foi encaminhada sem uma negociação prévia no Congresso, agora os empresários de várias correntes procuram seus deputados e senadores defendendo seus interesses.

Mesmo que o objetivo seja modernizar os portos, imprescindível para destravar a economia, muitos detalhes encontram objeções entre os setores envolvidos.

O fato de o texto da MP ter recebido nada menos que 645 emendas, sendo que 150 foram aceitas pelo relator, mostra o grau de desentendimento que existe sobre a matéria.

Além do mais, a presidente deixou vazar que não honraria as emendas acatadas pelo relator, o que deixou os interlocutores do Planalto sem voz ativa no Congresso, provocando críticas especialmente às ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann.

As principais críticas à MP são sobre a ação dos sindicatos na contratação de pessoa. E também à ingerência governamental, que mais ou menos recria a Portobras, pois eleva o poder dos burocratas federais, impedindo que um porto estadual, como Suape, continue na boa trilha e acaba com a participação direta de trabalhadores e empresários no Conselho de Autoridade Portuária (CAP).

Uma constatação: a maioria parlamentar do governo não existe

Pela MP, o CAP passaria de deliberativo a consultivo, sem poder decisório algum. No plenário, os deputados lembravam que a Lei dos Portos do presidente Itamar Franco tramitou como projeto de lei, de forma democrática, ao contrário da de Dilma, que tentou fazer o mesmo por MP, por si só impositiva, cheia de erros e geradora de conflitos.

Mesmo os partidos de oposição, que pretendiam votar com o governo porque consideram que é importante modernizar os portos, encontraram dificuldades para defender suas posições diante dos desentendimentos da própria base governista.

Mais importante que o resultado desse embate é a constatação de que a maioria parlamentar do governo na verdade não existe. Cada partido, ou grupo de parlamentares, defende seus interesses e não está alinhado a um projeto de governo.

Mesmo porque não existe uma atuação parlamentar do governo em sintonia dentro do Congresso, pois as discussões ocorridas na noite de quarta-feira aconteceram basicamente entre lideranças de partidos da base aliada, que se encontram cada dia mais estressadas diante da incerteza de um poder futuro.

Com a economia em situação preocupante, a descoordenação da atividade parlamentar e a inaptidão da presidente Dilma para a negociação política, cada um tenta entender onde está a expectativa de poder futuro para se posicionar corretamente na disputa presidencial.

O favoritismo de Dilma vai dando lugar a uma incerteza que coloca sua base partidária em polvorosa.

03/04/2013

às 20:00 \ Política & Cia

A volta dos “faxinados” por Dilma mostra que o Palácio do Planalto é, hoje, o principal gabinete reeleitoral da presidente Dilma

A presidenta Dilma Rousseff empossa o novo ministro dos Transportes, César Borges, no Palácio do Planalto (Foto: Antônio Cruz / ABr)

A presidente Dilma Rousseff empossa o novo ministro dos Transportes, César Borges: usa-se a Esplanada dos Ministério como moeda de troca no mercado eleitoral (Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil)

Editorial da edição de hoje do jornal O Estado de S.Paulo, publicado na sempre interessante seção “Opinião”

 VOLTA DOS ‘FAXINADOS’

Na segunda-feira, o presidente do chamado Partido da República (PR), senador Alfredo Nascimento, levou o correligionário César Borges, um dos vice-presidentes do Banco do Brasil e ex-governador da Bahia, ao principal gabinete do comitê reeleitoral da presidente Dilma Rousseff, conhecido como Palácio do Planal­to.

Não se quer dizer com isso que a sede do governo do País nada mais seja hoje em dia do que a sede da campanha de Dilma. Mas nada do que ali se faça importa tanto quanto as ações destinadas a manter a presi­dente no posto até 1º de janeiro de 2019. É o que explica a reaparição no coração do poder do chefe do PR, o mesmo que Dilma, na sua decantada fase ética, expurgou da administra­ção federal.

Apadrinhado também ele pelo ainda presidente Lula, Nascimento foi reconduzido ao apetitoso Minis­tério dos Transportes, com seus R$ 10 bilhões de recursos, que ocupara de 2007 a 2010. Durou até julho de 2011, quando sucumbiu, com outros 27 integrantes da pasta, a denúncias incontestáveis de corrupção no se­tor, a começar do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O PR foi o primeiro partido a ser “faxinado” por Dilma, mas o seu titular não mereceu a mesma pri­mazia – antes dele, caíra em desgra­ça o todo-poderoso ministro da Ca­sa Civil, Antonio Palocci. Para o lu­gar de Nascimento, a presidente pro­moveu o secretário executivo do Mi­nistério, Paulo Sérgio Passos. E ali provavelmente permaneceria não fosse o fato de Dilma se dispor a “fa­zer o diabo” pela reeleição.

Passos agradava a Dilma, mas não ao PR, a que é filiado. Os republica­nos o consideravam “escolha pes­soal” da presidente, não uma de­monstração de que o partido, apesar de tudo, continuava representado no primeiro escalão.

Depois de dois meses de resistência, ela capitulou diante de Nascimento. Para garantir o minuto e 10 segundos do PR, duas vezes por dia, no horário eleitoral e para impedir que esse tempo possa beneficiar o governador de Pernam­buco, Eduardo Campos, do PSB, se sair candidato, ou, não seria de excluir, o senador tucano Aécio Neves, a presidente entregou a Nascimento a cabeça de Passos.

Dilma bateu o pé, no entanto, em relação ao sucessor. Apesar dos pro­testos de boa parte da bancada fede­ral da agremiação (34 deputados e 4 senadores), que reivindicava o cargo para um dos seus, fechou questão em torno do nome de César Borges, a ser empossado hoje.

O engenheiro que ascendeu na política baiana se integrando ao feudo de Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) contou agora com o apoio do governador petista do Estado, Jaques Wagner. Bor­ges tem biografia para ser um bom ministro, ainda mais tendo recebido carta branca da presidente para me­xer no Dnit. Mas isso não altera o essencial: o uso da Esplanada dos Ministérios como moeda de troca no mercado eleitoral.

Antes de Nascimento, com efeito, Dilma reabilitou o cacique pedetista Carlos Lupi, atingido por uma vassourada quando titular do Trabalho. Há pouco, o posto foi entregue ao seu liderado Manoel Dias, secretário geral do PDT.

Para afagar o PMDB em dois Estados cruciais, nomeou o ex-governador fluminense Wellington Moreira Franco para a Secretaria da Aviação Civil e o presidente do partido em Minas, deputado Anto­nio Andrade, para a Agricultura.

E uma nova pasta, a da Micro e Peque­na Empresa, acaba de ser criada para atrair o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab aos palanques dilmistas de 2014. O titular do 39º Ministé­rio será o vice-governador paulista Afif Domingos, correligionário de Kassab no PSD.

Lula disse certa vez que, se gover­nasse o Brasil, Cristo “teria de se aliar a Judas”. A esta altura, ninguém dirá que Dilma faltou à aula naquele dia. Já não se trata de suas alianças com partidos e personagens promís­cuos. Quanto a isso, ressalte-se ape­nas que não é a tal da governabilida­de que move a presidente, mas a ân­sia de seguir no Planalto.

O que mos­tra a que extremos Dilma leva à prática, sem disfarçar, as lições de seu mentor é a prontidão para premiar por nenhum outro motivo a não ser aquele políticos como Alfredo Nas­cimento e Carlos Lupi, acusados de participação em “malfeitos” e por is­so removidos de sua equipe.

02/04/2013

às 19:50 \ Política & Cia

César Borges, o novo ministro dos Transportes, deve toda a sua carreira política a ACM. Ele esperou o chefe morrer para, em troca de cargos, aderir correndo ao governo que combatia. É assim a política “neztepaiz”

O agora ministro César Borges com Dilma: feliz, instalado num governo do lulopetismo que, quando seu chefe -- ACM -- era vivo, combatia de forma implacável (Foto: Estadão)

Demorou, mas os prêmios vieram. Belos prêmios: primeiro, foi uma gorda, vistosa vice-presidência do Banco do Brasil, em maio passado, com gordo salário e mordomias várias.

Agora, está assumindo um dos ministérios mais ricos e importantes do governo: o dos Transportes .

Sem exagerar, é possível dizer que é um prêmio a uma vocação para a sabujice e vassalagem do premiado – o ex-governador da Bahia e ex-senador César Borges. Mais que isso: o “caso Borges” é uma parábola perfeita de como funcionam as benesses do poder no Brasil, atropelando e anulando ideologias e posições políticas, além, naturalmente, de rebaixar os padrões morais com que é conduzida a vida pública..

Borges, 64 anos, existe na política única e exclusivamente por obra e graça do todo-poderoso e falecido senador Antonio Carlos Magalhães – o ACM, que foi deputado, prefeito de Salvador, presidente da Eletrobrás, ministro das Comunicações, governador da Bahia, presidente do Senado e, de uma ou outra forma, mandou e desmandou em todos os governos desde 1964, tanto na ditadura como na democracia, à exceção do governo do presidente Itamar Franco (1992-1995).

Borges, discípulo fiel e obediente de ACM, foi deputado, secretário de Estado, vice-governador, governador e senador — tudo pela mão do chefe.

Detalhando um pouco mais: o hoje ministro do governo lulopetista foi duas vezes deputado estadual pelo PFL (hoje DEM), nas asas de ACM, senhor absoluto da Bahia por um longo período. No terceiro governo de ACM, o chefe convocou-o para ser seu secretário de Recursos Hídricos.

O passo seguinte foi colocá-lo, em 1994, como candidato a vice-governador pelo PFL na chapa encabeçada pelo então secretário do Planejamento de ACM, Paulo Souto, que havia saneado as finanças da Bahia, permitindo ao cacique realizar um governo operoso.

Souto fez um governo bem avaliado (1995-1998). Entre outras corajosas inovações, foi o primeiro governador de Estado “neztepaiz” a instituir — com boa parte do dinheiro oriundo da privatização do Banco do Estado da Bahia (Baneb) — um fundo de pensão complementar para os funcionários públicos admitidos a partir de então, o que a médio e longo prazo irá provocar enorme alívio ao Tesouro da Bahia, que não mais arcará com as aposentadorias integrais dos servidores.

Com ACM no Senado: sempre obediente, sempre sentado ao lado do chefe, nunca caminhando à sua frente nos corredores do Congresso (Foto: Dedoc/ Editora Abril)

Souto cometeu a imprudência de fazer um bom governo e destacar-se a ponto de levar o chefe a cortar-lhe as asas e, contra toda a lógica, não permitir que fosse candidato à reeleição em 1998. Ordenou que concorresse ao Senado, e assim se fez Souto. E quem é que foi escolhido para a candidatura a governador?

César Borges. E lá foi ele, sempre pelo PFL, conduzido pela mão de ACM por todo o Estado – e facilmente eleito.

Terminando o mandato, em 2002, ACM resolveu que Souto, agora, sim, poderia voltar ao governo baiano, e que a César Borges caberia disputar o Senado, junto com ele próprio, ACM. Os dois, naturalmente, foram eleitos com enorme votação.

Sempre se comportou direitinho diante do chefe

César Borges, como senador, sempre se comportou direitinho diante do chefe. Votava em tudo o que ACM determinava. Tal qual o cacique, votava contra o governo Lula e criticava o governo Lula, ao qual ACM se opunha ferozmente. Nos corredores do Congresso, tal como sempre ocorreu com outros senadores carlistas, nunca caminhava adiante do chefe – sempre, respeitosamente, um pouco atrás. No plenário do Senado, sentava-se sempre junto a ACM.

Pois bem, foi só ACM morrer, em julho de 2007, e tudo mudou. Nem bem o cadáver do chefão havia esfriado e, já em outubro, Borges bandeou-se para o insípido, incolor e inodoro PR, partido pau-para-toda-obra, e, claro, absolutamente aderido ao lulalato.

César Borges com o governador Jaques Wagner: antes, adversário ferrenho, hoje um aliado todo sorrisos (Foto: Agência Estado)

No PR, também se aproximou do governador petista Jaques Wagner, de quem ACM era acérrimo crítico e adversário.

Certa vez, quando instado a responder a uma crítica de Wagner, o então senador ACM, sempre desbocado, respondeu:

– Em vez de se preocupar comigo, o governador Jaques Wagner deveria tomar banho, fazer a barba e começar a trabalhar pela Bahia.

A mudança de Borges para o PR, infelizmente para ele, não lhe permitiu reeleger-se para o Senado em 2010. Ficou em terceiro lugar, atrás de dois candidatos mais diretamente caros ao lulalato — Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PSB).

Dilma atende ao PR — e descumpre uma promessa

Esperou sentado a recompensa, e ela viria em maio do ano passado, quase dois anos depois da eleição.

Com a indicação para o vistoso posto no Banco do Brasil, a presidente Dilma Rousseff atendia a uma reivindicação do PR, que estava sem função no governo desde a demissão de Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes, alvo de denúncias de irregularidades, em julho de 2011. A presidente também descumpriu a promessa que fez de que só nomearia técnicos para cargos em empresas do governo ou por ele controladas que necessitam de comandos altamente profissionais.

A promessa foi novamente descumprida com a ida de César Borges para o Ministério dos Transportes, até agora tocado pelo engenheiro Paulo Passos, indicado pelo PR mas um técnico respeitado — é engenheiro com pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas, funcionário de carreira do Ministério do Planejamento e tido como uma das maiores autoridades públicas no setor de transportes.

Depois da saída de Nascimento, o PR chegou a anunciar espalhafatosamente que deixaria a base de Dilma no Congresso, mas cedeu ao “apelo” do governo para retomar funções no Executivo.

E lá está ex-comandado de ACM, feliz da vida. Agora, em posto mais importante, com mais verbas e mais influência.

18/03/2013

às 20:14 \ Política & Cia

Esse Partido Socialista adora um capitalista…

Um socialismo pra lá de capitalista, com a formação de uma aliança entre Eduardo Campos e José Batista Jr, dono da Friboi (Fotos: Capa da Exame :: Alo'isio Moreira)Um socialismo pra lá de capitalista, com a formação de uma aliança entre Eduardo Campos e José Batista Jr, dono da Friboi (Fotos: Capa da Exame :: Alo'isio Moreira)

O bilionário José Batista Jr., um dos donos do conglomerado JBS-Friboi (cuja ação empresarial lhe valeu reportagem de capa na revista "Exame"l), será candidato a governador de Goiás pelo PSB de Eduardo Campos. Outros grandes empresários flertam com o partido ou já estão nele (Fotos: Capa da Exame :: Alo'isio Moreira)

Parecia piada, em 2010, quando o Partido Socialista Brasileiro registrou como seu candidato a governador de São Paulo o que na França se chamaria “patrão dos patrões” do capitalismo: Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o organismo empresarial mais poderoso do país.

Parecia piada, mas não foi: Skaf fez sua campanha, ficou em quarto lugar e obteve 1,038 milhão de votos (4,56% do total), num pleito vencido no primeiro turno pelo governador Geraldo Alckmin, com 50,63% dos votos (11,5 milhões).

Ainda não se sabe se Skaf voltará a tentar o Palácio dos Bandeirantes no ano que vem, mas, de todo modo, os socialistas de Eduardo Campos estão de namoro firme com capitalistas poderosos: o bilionário José Batista Júnior, um dos donos do grupo JBS-Friboi — a maior empresa em processamento de proteína animal do planeta –, será o candidato do PSB a governador de Goiás; no Mato Grosso do Sul, os socialistas devem apoiar a candidatura do senador Waldemir Moka, do PMDB, grande porta-voz do agronegócio no Congresso; e, no Mato Grosso, estão atraindo para a legenda o senador Blairo Maggi, do PR, ex-governador do Estado e maior produtor de soja do mundo.

No caso de Maggi, não surpreende: este megaempresário se elegeu originalmente pelo PPS, sucessor do Partido Comunista Brasileiro.

10/01/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Vídeo imperdível: Marta Suplicy preside de forma autoritária sessão do Senado, mas parece cachorro que caiu de caminhão de mudança

Publicado originalmente em 3 de junho de 2011.

Amigos, vejam a senadora Marta Suplicy (PT-SP) em ação presidindo, como vice de José Sarney (PMDB-AP), a tumultuadíssima sessão do Senado em que, na madrugada de ontem, quinta, dia 2, o governo sofreu suas duas primeiras derrotas na Casa.

Reparem bem: Marta, mantendo o ar arrogante de costume, parece, não obstante, cachorro que caiu do caminhão de mudança, perdida entre a papelada que lhe passavam funcionários da Mesa Diretora e os protestos, justos, da oposição, diante de seu comportamento autoritário e contrário ao Regimento.

“Na marra não vamos votar, não!”

Você vai ouvir vários gritos de “Pela ordem!”, “Pela ordem!”, que Marta ignorou completamente. Quando um parlamentar aparteia dessa forma, quem preside a sessão tem obrigação de ouvi-lo, porque ele está questionando o andamento da sessão com base no Regimento Interno, que é a lei interna que rege os trabalhos do Senado.

É por isso que se ouvem vozes como a do senador Demóstenes Torres (GO), líder do DEM – “Na marra não vamos votar, não”, “Vai ter que respeitar o Regimento do Senado”, “A ditadura já acabou” – e do senador Álvaro Dias (PR), líder do PSDB, bradando que a sessão era “ilegal”, que Marta fazia um “papel ridículo” e anunciando que iria ao Supremo Tribunal Federal para anulá-la, se necessário. Marta ou não respondia ou acusava senadores – “Vossas Excelências querem fazer tumulto”.

Oposição queria ganhar tempo, e conseguiu

Explico isso, e alguma coisa mais, para que vocês entendam o vídeo, travado em linguagem parlamentar. A bancada do governo queria votar correndo duas medidas provisórias baixadas pela presidente Dilma que, se não fossem aprovadas pela maioria governista no Senado, deixariam de vigorar à meia-noite.

A tática da oposição, assim, foi ganhar tempo para que a sessão se esgotasse. O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que você vai ver discutindo com Marta mais no final do vídeo, foi designado para um dos pronunciamentos.

Marta atropelou o andamento da sessão para colocar em votação requerimento do senador governista Marcelo Crivella (PRB-RJ), que solicitava o encerramento da discussão – embora houvesse mais oradores inscritos – para que se votasse logo as duas MPs. Apesar da gritaria de vários senadores, a presidente da sessão deu o requerimento por aprovado.

“Uma vergonha, um espetáculo deprimente”

Mesmo assim, o tumulto e a confusão acabaram fazendo o prazo se esgotar sem a votação das MPs, como queria a oposição. Apesar da vitória, senadores da oposição lamentaram o clima criado pela mistura de autoritarismo com inexperiência de Marta:

- O que mais está faltando agora? Nós vamos nos digladiar e sair no tapa para sermos respeitados? – reclamou o senador Demóstenes Torres.

– O que aconteceu aqui hoje foi uma vergonha, um espetáculo deprimente – disse o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Agora, apreciem o vídeo e vejam o comportamento da senadora Marta, que começa lendo o requerimento de Crivella:

27/12/2012

às 17:00 \ Política & Cia

Mulher de Tiririca chama mais atenção do que o novo deputado

Publicado originalmente em 2 de fevereiro de 2011.

Com todo respeito: de vestido colante e decotado, Nana Magalhães, mulher do deputado Tiririca (PR-SP), chamou muito mais atenção do que o próprio, ontem, na Câmara, durante a posse dos parlamentares eleitos em outubro.

Campeões de AudiênciaAliás, Tiririca já tem sua página no site oficial da Câmara, na qual consta como profissão “ator”.

Confira aqui e veja, no item “biografia” — com apenas meia dúzia de informações –, que o deputado tem até livro publicado.

15/10/2012

às 16:00 \ Política & Cia

MENSALÃO: Entre cenas do exílio e capítulos decisivos na história do país, amigo e ex-companheiro de Dirceu o vê culpado, mas como “bode expiatório” de uma “dregradação maior”

"O terrível é que a determinação de Zé Dirceu o tenha levado ao topo de tudo, como bode expiatório da degradação maior. Mas nem seu passado de coragem pode livrá-lo da parcela de culpa. O passado não está em julgamento nem serve de escudo ao presente" (Foto: veja.abril.com.br)

Publicado domingo, 14 de outubro, no Estadão

Por Flávio Tavares*

* Flávio Tavares, jornalista e escritor, foi um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador dos Estados Unidos em 1969

Tempos atrás, na prisão da ditadura, o carcereiro o chamava de “Cabeleira” e, hoje, outra vez ele está de cabelos longos, como se voltasse ao passado.

Conheço José Dirceu há 43 anos e, nele, admiro e valorizo a coragem pessoal. A amizade começou naquele 6 de setembro de 1969 em que, sob a mira de metralhadoras, nos algemaram na Base Aérea do Galeão.

Saíamos da prisão (ele em São Paulo, eu no Rio) e nos levaram à pista para uma foto que percorreu o mundo: os presos políticos trocados pelo embaixador dos Estados Unidos junto ao avião, rumo ao exílio no México. Era proibido falar, mas nos segundos em que mandaram que eu me agachasse, sussurrei: “Vamos mostrar as algemas!”  ’

O "Cabeleira", saindo detido do Congresso da UNE em Ibiúna (SP), em 1968 (Foto: AE)

E ali está ele na foto, altivo, mãos ao peito, com as algemas que a maioria escondia, mostrando que preso político não é um criminoso envergonhado do que fez, mas um dissidente que desafia quem oprime. Foi a primeira e única vez na vida que Zé Dirceu me obedeceu…

A intimidade do exílio nos aproximou. Um canal de TV convidou-me a dublar telenovelas mexicanas em português e levei junto Zé Dirceu. Eu dublava e coordenava o grupo e o designei “primeiro ator”. Dias depois, porém, ele e os demais viajaram para Cuba. Só eu permaneci no México e, assim, nem sequer nossas vozes retornaram ao Brasil, para onde não podíamos voltar.

Voltou clandestino, em 1972, e mudou de identidade

Ele, porém, desafiou a proibição. A morte era a pena imposta ao retorno dos desterrados, mas Zé voltou, clandestino, em 1972, na euforia e terror do general Medici. Treinado em guerrilha, queria aliar-se aos que combatiam a ditadura, mas na chegada a São Paulo viu que a repressão dizimava seu grupo e ele seria a próxima vítima.

Homiziou-se no oeste do Paraná e mudou de nome. Passou a ser Carlos Henrique, pacato comerciante de secos e molhados num recôndito município. Lá, casou-se e foi pai sem revelar quem era nem sequer à mulher e ao filho. A verdade significaria a morte e ele passou a ser outro.

Já não era quem era. Sacrificava a identidade para não ser sacrificado. No exílio, dizia-se que morrera como outros do “grupo Primavera”, nome do lugar de treinamento em Cuba. Com a anistia do final de 1979, voltou a ser o Zé.

Lula presidia, Zé governava. O governo obteve maioria no Congresso, e, hoje, se sabe a que preço e como

Laborioso e hábil, presidiu o PT e o tirou do atoleiro de seita fechada ou partido sindical. Mas, ao se abrir à sociedade, o PT assimilou os velhos vícios políticos, como vírus pelas veias.

Quando Lula presidente, eram de Zé Dirceu os planos e atos de governo. Lula presidia, Zé governava. Irmãos siameses, um era a extensão do outro. A simpatia ficava com Lula, as antipatias com Zé. Pródigo em metáforas esportivas, o presidente o chamava de “capitão do time”.

Mas Zé era dos poucos que não jogava bola com Lula em fins de semana na Granja do Torto. Trabalhava noutras jogadas com outras bolas. Assim, o governo obteve maioria no Congresso e, hoje, se sabe a que preço e como – subornando o PMDB, o PTB, o PP de Maluf e o PL, que hoje é PR.

“Não sabia de nada, fui traído”: Lula preferia passar por tolo do que por chefe do governo

Em 2005, no topo do escândalo, sabe-se que Lula pensou em renunciar para “não ser um novo Collor”. Outra vez a coragem de Zé Dirceu brotou como água no deserto e ele é que renunciou. Com o gesto, assumiu as responsabilidades e blindou Lula em pleno tiroteio. “Eu não sabia de nada, fui traído”, dizia Lula, admitindo o suborno quando ainda se desconheciam os detalhes.

Preferia passar por tolo do que por chefe do governo.

A montanha de páginas dos autos do processo mostram o mensalão "como um elaborado esquema de corrupção e suborno montado a partir 'da alta cúpula do governo'" (Foto: Nelson Jr. / Supremo Tribunal Federal)

Agora, as 40 mil folhas do processo no Supremo Tribunal mostram o “mensalão” como um elaborado esquema de corrupção e suborno montado a partir “da alta cúpula do governo”.

O mais alto da “alta cúpula” não é réu

Mas, o mais alto da “alta cúpula” não é réu. A não ser que o presidente fosse alienado absoluto ou pateta total, como explicar que um simples diretor de marketing do Banco do Brasil desviasse R$ 28 milhões do fundo Visanet sem autorização superior? A diretoria do banco nada percebeu? E a inspeção do Banco Central?

Não há suborno sem subornáveis e a degradação dos partidos gerou tudo. A “partidocracia” se sobrepôs à democracia. Roberto Jefferson fez a denúncia por sentir-se “lesado” ao receber só uma das cinco parcelas de R$ 4 milhões prometidas ao PTB… Com partidos transformados em balcões de negócios, o astucioso “mensalão” quebrou a oposição criando uma “base alugada” como base aliada.

A degradação chegou ao próprio PT. Numa das vezes em que estive com Zé Dirceu, após a cassação, ele me mostrou como a Polícia Federal invadira seu escritório em busca de documentos. Tarso Genro era ministro da Justiça e na disputa interna todos queriam comprometer Dirceu para tornar-se “o favorito do rei”.

Nos delitos de alto nível, os indícios constroem a prova

E as provas da fraude? Na engrenagem clandestina, oculta-se tudo. Ou alguém pensa que os corrompidos assinam recibo? Ou que João Paulo Cunha e os demais de São Paulo emitiram “nota paulista” pelo que abocanharam?

Nos delitos de alto nível, os indícios constroem a prova. Os Bancos do Brasil, Rural e BMG geraram as milionárias movimentações do esquema e daí surge tudo. Não foi sequer como no tempo de Fernando Henrique, quando a tão comentada compra de votos que permitiu a reeleição de presidente, governador e prefeito, surgiu numa manobra rápida, até hoje sem autor plenamente identificado.

Na tragédia, o terrível é que a determinação de Zé Dirceu o tenha levado ao topo de tudo, como bode expiatório da degradação maior. Mas nem seu passado de coragem pode livrá-lo da parcela de culpa. O passado não está em julgamento nem serve de escudo ao presente.

08/10/2012

às 15:46 \ Política & Cia

Eleições: no RIO, Cesar Maia e Garotinho, inimigos históricos, viram aliados de ocasião e afundam em abraço de afogados. Nem sempre o povo gosta de ser feito de bobo

A foto oficial do abraço de afogados: Rosinha, Garotinho, Cesar Maia, Clarissa e Rodrigo

Muitos políticos pensam que o povo é bobo, para usar linguagem popular.

Às vezes, eles acham que têm razão, diante do que resulta das urnas, aqui e ali.

Outras vezes, quebram estrepitosamente a cara, como ocorreu, no Rio de Janeiro, com a aliança feita entre inimigos políticos históricos e ferozes — o ex-prefeito Cesar Maia e o ex-governador Anthony Garotinho.

Maia, três vezes prefeito do Rio, político controvertido mas sem dúvida sagaz e com um sem-número de realizações palpáveis, deixou anos de combate ao populismo garotinhista para, estendendo a mão ao rival e sua mulher, a também ex-governadora Rosinha Garotinho, compor uma chapa integrada por seu próprio filho e herdeiro político — o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) — como candidato a prefeito, e, como vice, a filha e igualmente herdeira política do casal rival, a ex-vereadora e atual deputada estadual Clarissa Garotinha (PR).

O resultado não poderia ser mais desastroso: a chapa dos jovens herdeiros começou com 7% das intenções de voto e, abertas e contadas as urnas, terminou com miseráveis 2,94% dos votos.

O próprio Cesar Maia, que já esteve perto de ser governador do Estado e que, no passado, frequentou cogitações de uma candidatura presidencial, alcançou votação modesta como candidato a vereador: dos 4,7 milhões de eleitores cariocas, apenas 44 mil votaram nele — quando a expectativa não confessada publicamente pelo ex-prefeito era abocanhar um mínimo de 100 mil votos.

Quem se salvou do incêndio acabou sendo Rosinha que, longe da capital, em Campos dos Goytacazes, se reelegeu prefeita.

Nem sempre o povo gosta de ser feito de bobo.

10/06/2012

às 19:39 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: Se Carlinhos Cachoeira não é o fornecedor único dos recursos, nem o principal, quem paga a corrupção?

CACHOEIRAS E CASCATAS

Vamos fazer as contas?

Então vá lá: de acordo com o Conselho de Controle das Atividades Financeiras, Coaf, do Ministério da Fazenda, o empresário zoológico Carlinhos Cachoeira lucrou 3 milhões de reais em 2011.

Dá para viver bem, muito bem; mas não dá para montar uma teia de distribuição de recursos ilegais estendida por boa parte do país. É como achar que aquele carequinha do Mensalão brincava de política com seus próprios recursos. Para isso, o dinheiro é curto.

A pergunta surge naturalmente: se Carlinhos Cachoeira não é o fornecedor único dos recursos, nem o principal (e talvez nem o seja, limitando-se a operar e a ficar com uma parte), quem paga a corrupa?

A outra pergunta é óbvia: quem tem interesse em montar uma caríssima rede de corrupção, que envolve altos funcionários de vários Estados?

Só pode ser gente interessada em obter favores que lhes garantam lucros muito maiores do que as propinas que distribuíram.

A esposa de Cabral e de a Sérgio Cortês, na "farra de Paris", no hotel Ritz, na famigerada viagem, expondo seus modelitos Christian Louboutin, de sola vermelha, que custam R$ 10.000 o par (Foto: Reprodução)

As mulheres de SérgioCabral e de Sérgio Cortês, na "farra de Paris", no hotel Ritz, durante a famigerada viagem, expondo seus modelitos Christian Louboutin, de sola vermelha, que custam 10 mil reais o par

A foto de cidadãos inebriados pelo sucesso dançando com guardanapos na cabeça, de esposas felizes exibindo caríssimos sapatos de sola vermelha, não sai da cabeça deste colunista. Um dos integrantes da Turma do Guardanapo era governador; outro, empreiteiro.

Sua empreiteira recebeu, só em 2012, só da União, 238,8 milhões de reais (em maio, com o escândalo já devidamente divulgado, o governo federal pagou-lhe 55,2 milhões).

Só?

Não: o mais generoso dos bancos estatais, o BNDES, de juros mais bonzinhos, deu-lhe também 139 milhões.

Cachoeira não gera água. Só exibe, lindamente, as águas que vêm de cima.

 

Inverno quente

Se o caro leitor encontrar homens de terno e gravata apertados às paredes, de costas, estará na CPI do Cachoeira. Não que todos se abracem com o punhal buscando espaço entre as costelas dos colegas: há também abraços sem punhal, conhecidos como “abraço de urso” e “abraço de tamanduá”.

Mas, enfim, o PMDB combinou com o PT que quebraria os sigilos do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, para descobrir como é que se vende uma casa recebendo mais de uma vez por ela e sempre sem saber de quem.

Em troca, seria poupado o peemedebista Sérgio Cabral, governador do Rio e sócio-atleta da Turma do Guardanapo, e o petista Agnelo Queiroz, governador de Brasília.

Em uma CPI, quem está descontente é que conta as melhores histórias (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

Em uma CPI, quem está descontente é que conta as melhores histórias (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

Nos bastidores, o PMDB combinou com o PSDB que, em troca da proteção tucana a Cabral, protegeria Perillo e pegaria Agnelo (aí com apoio de PP e PR, aliás aliados do PT). Amanhã o PT decide o que fazer. Perillo fala na terça, Agnelo na quarta. Vai sobrar gente descontente.

Em CPIs, são os descontentes que contam boas histórias.

 

Guerra aos professores

Abra os jornais, ligue a TV, vá à Internet, ouça o rádio: a notícia mais difícil de encontrar é uma das mais importantes que ocorrem no país.

As universidades federais estão em greve, com adesão superior a 70%.

É problema de salários, mas também é problema de desleixo.

Em Guarulhos, SP, o então ministro Fernando Haddad inaugurou unidades sem salas: tudo algum dia vai ser construído. As fotos de estudantes universitários entre ruínas e entulho são terríveis.

Alunos colocam faixas durante ocupação na Unifesp de Guarulhos; situação é precária (Foto: Joel Silva/Folhapress)

Alunos colocam faixas durante ocupação na Unifesp de Guarulhos; recém-inaugurada, e já em situação precária (Foto: Joel Silva/Folhapress)

As instalações são tão ruins que a taxa de evasão de estudantes atingiu 42%. No Vale do Jequitinhonha, a universidade federal criada há cinco anos só tem 20% das instalações construídas.

Falar bem de professores todo mundo fala, lançar ministros da Educação a cargos públicos é moda, mas gastar com ensino, que é bom, e pagar direito a quem ensina nossos filhos, parece que é tabu.

Na rede universitária federal, há professores com salário inicial de 1.500 reais. É menos do que o salário pago pela Prefeitura de São Paulo para um professor de educação infantil, também em início de carreira. E que já não é um salarião.

 

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