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FMI

20/04/2014

às 18:00 \ Disseram

Ainda falta esforço na economia

“No Brasil, há a necessidade de dar continuidade às medidas de aperto. Apesar dos aumentos substanciais da taxa de juros, a inflação continua no teto da banda.”

Panorama Econômico Mundial, relatório macroeconômico do Fundo Monetário Internacional

31/01/2014

às 17:38 \ Vasto Mundo

A destruição da Argentina

Novo ministro da Economia de Cristina Kirchner, Alex Kicillof, preserva o costume de atacar os empresários, em vez de se ocupar com as causas da inflação (Foto: Reuters)

O novo ministro da Economia de Cristina Kirchner, Alex Kicillof, preserva o costume de atacar os empresários, em vez de se ocupar com as causas da inflação (Foto: Reuters)

Editorial publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo

A DESTRUIÇÃO DA ARGENTINA

Devastada de tempos em tempos por algum governo incompetente e populista, a economia argentina mais uma vez se esboroa, com inflação em disparada, problemas de abastecimento, produção estagnada, reservas cambiais quase no fim e quase nenhum acesso – ou nenhum, mesmo – ao financiamento internacional.

Nem originalidade se pode atribuir à presidente Cristina Kirchner e ao bando de ineptos ao seu redor, pelo menos quanto aos erros.

Há pouca novidade nos principais disparates cometidos em dois mandatos consecutivos.

Mais de uma vez, nos últimos 40 anos, o governo argentino produziu o quase milagre de esvaziar as prateleiras num país conhecido como grande produtor e exportador de alimentos.

E mais de uma vez esse país está a um passo de um desastre cambial, embora os preços agrícolas tenham sido muito bons, no mercado internacional, nos últimos anos.

Irresponsabilidade monetária e fiscal, ingerência nos preços, barreiras à exportação e à importação, interferência no câmbio e conflitos com o setor agropecuário, de longe o mais produtivo da economia, são marcas de vários governantes argentinos.

Em relação a esses pontos, nenhuma inovação nos últimos anos.

Se os Kirchners tiveram alguma originalidade foi em outras linhas de ação.

O primeiro, Néstor, marido de Cristina, juntou-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há uns dez anos, para criar uma estranha e desastrosa parceria entre Argentina e Brasil – uma aliança terceiro-mundista, naturalmente antiamericana e incompatível com qualquer projeto sério de inserção do Mercosul no mercado global. Essa parceria acabou favorecendo um crescente protecionismo do lado argentino, ruim para o Brasil, para as economias menores do bloco e para a indústria argentina, acomodada e cada vez menos competitiva.

Sucessora do marido, Cristina Kirchner manteve o padrão geral da gestão anterior, mas aperfeiçoou o estilo, adotando a falsificação de informações macroeconômicas, a começar pelo índice de inflação. Conseguiu para seu país, com isso, uma distinção pouco invejada e ainda mantida.

Prateleiras vazias em um supermercado de Buenos Aires, na Argentina. (Foto: Enrique Marcarian / Reuters)

Prateleiras vazias em um supermercado de Buenos Aires: tentar frear a inflação com controles e ameaças dá nisso  (Foto: Enrique Marcarian / Reuters)

Ao publicar os dados argentinos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) passou a acrescentar às tabelas notas com ressalvas sobre a credibilidade dos números.

Desmoralizado internacionalmente e pressionado pelo FMI, o governo da presidente Cristina Kirchner comprometeu-se a mudar as estatísticas oficiais, atrasou-se, foi censurado e anunciou um novo prazo.

Se o novo indicador for melhor, as contas do crescimento econômico deverão ser mais confiáveis, porque o deflator aplicado aos valores será mais realista. Mas essa mudança ainda é promessa. Por enquanto, vale o velho roteiro.

Segundo o governo, os preços ao consumidor subiram 10,9% em 2013. Segundo fontes independentes, a inflação deve ter superado 28%. Além de produzir números sem credibilidade, o governo continua tentando frear a inflação por meio de controles de preços e ameaças. A escassez é consequência normal desse tipo de política.

Segundo o secretário de Comércio Interior, Augusto Costa, faltam quase 50% dos produtos em alguns supermercados. O antecessor de Costa, Guillermo Moreno, costumava impor limites de preços por meio de ameaças, o mesmo recurso usado, com frequência, para proibir importações, principalmente de produtos brasileiros.

Moreno deixou o governo, mas a ingerência nos preços e o protecionismo foram mantidos. Também houve mudança no Ministério da Economia. O novo responsável, Alex Kicillof, preserva o costume de atacar os empresários, em vez de se ocupar com as causas da inflação.

Se empresários mal-intencionados causam a inflação, especuladores inimigos devem ser culpados pelos problemas cambiais. A desvalorização do peso nos últimos dias foi atribuída pelo chefe do Gabinete de Ministros, Jorge Capitanich, a interessados em quebrar o país para “ficar com seus recursos energéticos e naturais a preço de liquidação”.

Também o governo brasileiro tem usado esse discurso: a inflação e a crise da indústria são importadas. Se a culpa é dos outros, nada há para corrigir.

 

LEIAM TAMBÉM: 

ARGENTINA: A mentira da inflação oficial e outros contos-do-vigário do governo Cristina Kirchner

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03/01/2014

às 16:10 \ Política & Cia

Dilma deixar que Lula mande em seu governo é inédito — e também humilhante e ridículo. É útil um presidente avistar-se com antecessores — mas não receber ordens de um deles

Dilma em mais uma “consulta” ao co-presidente Lula, em Salvador (Foto: Margarida Neide / Agência A Tarde / Agência O Globo)

Post publicado originalmente dia 26 de julho de 2013, às 15h47

campeões de audiência 02Como sabem os leitores mais assíduos, venho há algum tempo chamando Lula de ex-presidento.

Na verdade, o correto seria designá-lo pelo que, na prática, é: co-presidente.

Nunca, em quase 124 anos de República — “nuncaantezneztepaiz”, portanto, pelo menos no já longo período republicano — se viu nada igual: uma presidente, como Dilma Rousseff, que, a cada passo mais importante, a cada crise mais aguda, sai correndo se consultar com seu guru e antecessor.

Às vezes, em postura que já passa do respeito à auto-humilhação, pegando o avião presidencial em Brasília para ir ao beija-mão em Lula em São Paulo, em vez de convocá-lo para o Palácio do Planalto.

É interessante, útil e produtivo para o país que o presidente de turno se consulte com ex-presidentes, uma prática democrática raríssima em estas paragens. (FHC chamou os candidatos à sua sucessão, um por um, em 2002, para explicar em detalhes o acordo com o FMI que o governo estava prestes a assinar. É uma das poucas exceções em muitos anos.)

Em países civilizados, chefes do governo, em determinadas circunstâncias, se avistam, trocam ideias, buscam a experiência de antecessores, mesmo que, politicamente, sejam adversários ferrenhos.

Não só em ocasiões, digamos, sociais, tal como ocorreu logo após a posse de Barack Obama, em janeiro de 2011, quando todos os ex-presidentes vivos dos Estados Unidos — Jimmy Carter e Bill Clinton, democratas, e os republicanos George H. Bush e o filho, George W. Bush, antecessor de Obama — conferenciaram cordialmente com o novo presidente e posaram para fotos.

Na posse, Obama com os ex-presidentes George H. Bush, George W. Bush, Bill Clinton e Jimmy Carter: encontros entre presidentes e antecessores não apenas em ocasiões sociais, como era o caso (Foto: The White House)

Ficou célebre a reunião do então jovem presidente John F. Kennedy, democrata, com o antecessor republicano, Dwight D. Eisenhower, em abril de 1961, quando a remessa de mísseis soviéticos para Cuba quase provoca um confronto nuclear entre as duas então superpotências.

Eisenhower não apenas era um ex-presidente, mas, como general de cinco estrelas, havia sido o comandante supremo das forças dos Aliados na II Guerra Mundial (1939-1945). Tratava-se de uma experiência imensa que não poderia ser descartada naquele momento. Depois do encontro, ambos trocaram vários e longos telefonemas.

22 de abril de 1961, na Casa Branca: com semblante sério, Kennedy recebe o ex-presidente Eisenhower para consultá-lo sobre a crise dos mísseis de Cuba (Foto: AP)

Na França, para ficar em mais um exemplo, todos os presidentes depois do general Charles de Gaulle (1959-1969), que não consultava ninguém, mantiveram reuniões com antecessores. Eram fatos corriqueiros, com resultados positivos para os interesses gerais do país.

Jacques Chirac, conservador, que devido a peculiaridades da Constituição francesa fora primeiro-ministro sob o presidente socialista François Mitterrand (1981-1995), reuniu-se várias vezes com ele durante sua própria presidência de dois mandatos (1995-2007).

Nicolas Sarkozy (presidente de 2007 a 2012), ex-ministro do Interior de Chirac, manteve linha direta com o antecessor até romperem politicamente.

Chirac, presidente, conservador, com o antecessor, Mitterrand, socialista: reuniões e encontros corriqueiros e produtivos (Foto: AFP)

Na Espanha, chefes de governo de um lado e outro do espectro político não apenas se consultaram, mas adotaram posições conjuntas, especialmente na questão gravíssima do combate ao terrorismo da organização separatista basca ETA.

Nenhum deles, porém, ia receber ordens. No caso da presidente Dilma, a impressão que cada encontro com Lula transmite é exatamente essa, indesejável e humilhante: ela vai a Lula, escuta as opiniões de seu tutor e, sem que jamais se tenha sabido de uma única discrepância real, segue as diretrizes emitidas.

Vejam o que acaba de acontecer na Bahia, notem o título (“Dilma decide com Lula…”) da reportagem do Estadão:

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Dilma decide com Lula não mexer na gestão

Vera Rosa e Tânia Monteiro – O Estado de S. Paulo 

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff não cortará nenhum dos 39 ministérios nem pretende mexer no primeiro escalão agora.

Em conversa de três horas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na quarta-feira, em Salvador, Dilma mostrou preocupação com a queda de popularidade do governo, registrada após as manifestações de rua de junho, mas disse que não vai ceder, nesse momento, a pressões por mudanças na equipe.

A portas fechadas houve muita reclamação sobre o comportamento do aliado PMDB e também do PT.

Não foi só: Dilma pediu ajuda a Lula para “enquadrar” o PT, que, no seu diagnóstico, não está colaborando como deveria para defender o governo e o plebiscito da reforma política.

Para a presidente, divisões na seara petista e o coro do “Volta Lula”prejudicam a governabilidade.

Embora os números da pesquisa CNI/Ibope só tenham sido divulgados ontem, Dilma e Lula sabiam na reunião que a rejeição aos políticos afetaria a avaliação não só da petista, mas também dos governadores.

Apreensiva, a presidente chegou a perguntar a auxiliares qual seria a repercussão na mídia da má avaliação do governo, em meio à visita do papa Francisco ao Brasil.

O levantamento do Ibope mostra que o porcentual dos que consideram o governo Dilma “ótimo” ou bom” caiu de 55% para 31% em um período de um mês, após as manifestações de rua.

Outros números indicam que a avaliação pessoal da presidente despencou de 71% para 45% e que metade dos entrevistados não confia nela.

Segundo o Estado apurou, Dilma e Lula expressaram contrariedade não só com o racha no PT, mas também com a atitude do presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), que pregou publicamente o corte de ministérios como solução para a crise política.

A avaliação reservada é a de que o PMDB quer “surfar” na onda dos protestos.

(CLIQUEM AQUI PARA CONTINUAR LENDO)

13/12/2013

às 14:22 \ Vasto Mundo

Grécia: a crise começou com uma fraude

Manifestantes durante conflito com a polícia no centro de Atenas, Grécia

Publicado originalmente a 17 de junho de 2011.

A crise grega que está nas manchetes, inclusive do site de VEJA, tem mil explicações, amigos do blog, mas seu olho do furacão começou com uma fraude, uma maracutaia inacreditável praticada pelo partido conservador Nova Democracia, que governou a Grécia por seis anos, até 2009.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

Vencedor das eleições, o novo primeiro-ministro do Partido Socialista (Pasok), Giorgos Papandreu, constatou em poucos dias que seus antecessores haviam maquiado escandalosamente as contas públicas para os parceiros da União Europeia e o Banco Central Europeu (BCE). O verdadeiro déficit públic do país, de gravíssimos 15,7% do PIB, era mais do que o dobro do informado pelo governo anterior.

O déficit verdadeiro era a conta que chegava para ser paga pela gastança do governo do antecessor de Papandreu, Kostas Karamanlis (2004-2009), que, em vez de atuar dentro das possibilidades do Orçamento e, mais, equacionar o que restava de déficit devido aos investimentos na preparação das Olimpíadas de 2004 pelo governo socialista que o precedeu, preferiu continuar torrando dinheiro público – e mentir.

Bola de neve de desconfiança e um brutal ajuste fiscal

A desconfiança dos mercados para com a Grécia, a partir daí, diante do temor de que os empréstimos ao governo e às empresas gregas não seriam quitados, fez rolar uma bola de neve que explodiu nas mãos de Papandreu.

O primeiro-ministro conseguiu realizar um brutal ajuste fiscal, o mais severo já feito por um país da zona do euro desde o estabelecimento da moeda comum, em 2000, e baixou em 5 pontos percentuais o rombo. A essa altura, porém, os cortes orçamentários e outras medidas restritivas haviam levantado um turbilhão de protestos na sociedade, que foram num crescendo tal que, apenas nos últimos 15 meses, houve 22 greves gerais no país.

A União Europeia, o BCE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) – que muitos chamam de troika, ressuscitando a velha palavra da extinta União Soviética – socorreram a Grécia há um ano com um empréstimo de 110 bilhões de euros (algo como 250 bilhões de reais), mas o atoleiro grego não melhorou, e o Papandreu necessita de mais 60 bilhões de euros (140 bilhões de reais).

Privatizar o banco estatal, serviços de águas, portos e até um cassino

Para tanto, as exigências da troika são severíssimas. Depois de baixar os 5 pontos percentuais no déficit, em dois anos, Papandreu agora precisa derrubá-lo de 10,5% para 7,5% até o final deste ano.

Para fazer frente ao total da dívida grega antes desses 60 bilhões, que supera 142% do PIB (só para comparar: a do Brasil bate nos 40% do PIB) e é de 328 bilhões de euros (750 bilhões de reais, uma enormidade para um país das dimensões da Grécia), o programa para o qual Papandreu precisa obter o consenso das principais forças políticas, e que o levou a reformar seu gabinete, consiste em basicamente dois pontos:

1. Corte de gastos de mais 28 bilhões de euros num país que já está no osso e que podou investimentos em saúde, educação e infraestrutura

2. Privatizações que obtenham de 50 a 60 bilhões de euros, para reduzir a sufocante dívida pública e que incluem o banco estatal Caixa Postal de Poupança, os portos de Atenas (Pireu) e Salônica, a segunda maior cidade grega depois da capital, os serviços de abastecimento de água das duas cidades, a empresa telefônica nacional, OTE, que já tem como sócio minoritário o gigante alemão Deutsche Telekon, e até o cassino de Atenas, que pertence — vejam só — ao governo.

Diante desse quadro dificílimo, quem começou tudo, o partido Nova Democracia, não tem colaborado em nada. Pode ser que Papandreu venha a obter para as medidas duras e mesmo um governo de união nacional, caso em que ele próprio disse que cederia seu cargo em prol de um acordo. Mas as palavras de Antonis Samaras, líder da Nova Democracia, ditas ainda esta semana são de uma hipcrisia aterradora: “Não estou disposto a apoiar uma politica que arrase nosso país”, afirmou.

Ele ignorou o fato de que foi o governo antecessor de Papandreu, de seu próprio partido, quem iniciou esse processo de derrocada do país com uma fraude.


17/11/2013

às 15:00 \ Política & Cia

Maílson da Nóbrega: A demonização da privatização e do FMI

"Em cerimônia recente, Dilma citou o FMI na presença de um tucano paulista, Geraldo Alckmin. 'A gente tinha de pedir autorização ao Fundo Monetário para investir. Por isso foi tão bom, né, governador, a gente ter pagado a dívida do Fundo Monetário, que não supervisiona mais as nossas contas.' Não é verdade" (Foto: Agência Estado)

“Em cerimônia recente, Dilma citou o FMI na presença de um tucano paulista, Geraldo Alckmin. ‘A gente tinha de pedir autorização ao Fundo Monetário para investir. Por isso foi tão bom, né, governador, a gente ter pagado a dívida do Fundo Monetário, que não supervisiona mais as nossas contas.’ Não é verdade” (Foto: Agência Estado)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

A DEMONIZAÇÃO DA PRIVATIZAÇÃO E DO FMI

Maílson da Nóbrega

Maílson da Nóbrega

Nos últimos anos, assistiu-se à desconstrução sistemática dos feitos da administração do PSDB sob a complacência dos tucanos. Nessa missão, o PT demonizou a privatização e o FMI, valendo-se dos preconceitos em relação ao setor privado e da desinformação.

Recorreu a surrados conceitos de soberania e à xenofobia, ainda dominantes em grande parte da sociedade, para acusar a oposição de ter malbaratado o patrimônio nacional e submetido o país a interesses alienígenas.

Comecemos pela privatização. A presidente Dilma se convenceu, contra seus instintos estatistas, da necessidade de atrair capitais privados para a infraestrutura de transportes. No pré-sal, o PT já percebera que faltavam à Petrobras robustez financeira e amplitude gerencial para tocar, sozinha, essa vasta província petrolífera.

Mesmo assim, Dilma nega que privatize. Falou em rede nacional para afirmar que o leilão de Libra não teria sido uma privatização, mesmo que o Estado controle apenas 40% do campo.

O setor público assumiu, durante anos, o suprimento de serviços de energia, telecomunicações e infraestrutura de transportes, e a produção de certos bens industriais. A decisão se justificava pela falta de capacidade do setor privado e pelo que dizia a teoria econômica. Assim que possível, caberia privatizar e concentrar as energias do Estado onde ele é insubstituível.

O PT era contra a privatização, por razões ideológicas, e não por racionalidade econômica. Isso mudou em parte. Seria estupidez negar os benefícios da venda da Telebrás.

O telefone celular, privilégio de poucos, tornou-se amplamente acessível. Empresas estatais viraram êxitos indiscutíveis após a privatização, como a Vale, a Embraer e as siderúrgicas.

Quanto ao FMI, Lula se vangloria de ter resgatado a dívida com o fundo, livrando o país de sua interferência. É como se isso tivesse acontecido por um ato de pura vontade dele, e não por causa de condições excepcionais.

Outros países também o fizeram, alguns antes do Brasil. Esperto, Lula explorou a boa-fé dos que enxergam o FMI como um bicho-papão a ser vencido pela valentia nacional. Muitos acreditam que ele pagou a dívida externa.

Em cerimônia recente, Dilma citou o FMI na presença de um tucano paulista, Geraldo Alckmin. “A gente tinha de pedir autorização ao Fundo Monetário para investir. Por isso foi tão bom, né, governador, a gente ter pagado a dívida do Fundo Monetário, que não supervisiona mais as nossas contas.” Não é verdade. O Brasil jamais precisou da autorização do FMI para investir.

Acordos com o fundo costumam incluir cortes de gastos públicos para reduzir excessos de demanda, restaurar o equilíbrio macroeconômico e reconquistar a confiança. É o caso atual de Grécia, Portugal e Irlanda. Quem decide o que cortar é o país, e não o FMI.

O fundo erra, mas jamais para prejudicar de propósito ou para servir a alguma potência estrangeira, como parecem sugerir certos petistas.

É difícil acreditar que o equívoco da presidente decorra de mero despreparo. Como economista, ela tem procurado mostrar que conhece os meandros da economia e das finanças, nacionais e internacionais. É melhor acreditar que sua provocação a Alckmin foi mero fruto de deselegância e demagogia.

Líderes políticos verdadeiros têm a missão de convencer a sociedade sobre assuntos complexos, incluindo, em muitos casos, a aceitação de sacrifícios necessários à restauração da solvência do Estado, à melhoria da gestão pública, à defesa nacional e ao enfrentamento de privilégios.

No Reino Unido, o fracasso das empresas estatais deu lugar às privatizações do governo conservador de Margaret Thatcher, que continuaram em administrações trabalhistas. Ambos exerceram uma ação educativa para realçar a conveniência e as vantagens da privatização.

Aqui, os governos do PT, motivados essencialmente por razões eleitorais, exercem papel exatamente oposto, isto é, o de reforçar o equivocado sentimento antiprivatização e tratar pejorativamente o setor privado.

Ainda há quem se oponha à privatização por acreditar na utopia socialista, mas a maioria provavelmente se daria conta do contrário se não fosse deseducada por líderes populistas.

05/11/2013

às 15:00 \ Política & Cia

Estamos mais para um Estado patrimonialista do que para uma economia de mercado. Sendo assim, os investimentos estrangeiros não chegam nem vão chegar no ritmo necessário

Guido Mantega indica aumento dos gastos públicos como solulção para incrementar o consumo e aumentar os investimentos (Foto: Marcelo Camargo / ABr)

Guido Mantega indica aumento dos gastos públicos como solulção para incrementar o consumo e aumentar os investimentos (Foto: Marcelo Camargo / ABr)

Do blog Política & Economia Na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros

RISCO FISCAL CRESCENTE – 1

É bem verdade que o FMI, mais do que nunca, é uma instituição porta-voz da finança internacional. A crise de 2008 deixou evidente o papel vergonhoso das organizações multilaterais na prevenção de crises sistêmicas, bem como a atuação dos Bancos Centrais, especialmente dos Estados Unidos, que deixaram a especulação livre, pesada e solta.

Mesmo assim, o alerta que fez o FMI sobre o lado fiscal brasileiro faz todo o sentido. A razão é política, com consequências macroeconômicas. Vejamos.

Para um maior crescimento, o Brasil precisaria:

1) Incrementar o consumo por meio de altas de salários e/ou

2) Aumentar os investimentos.

É muito improvável que ambas as variáveis sejam alteradas no mercado privado. No caso dos salários, as empresas não demitiram até agora (apesar do PIB sofrível), mas têm de conter os aumentos reais, caso contrário terão uma queda maior de produtividade (que é definida pela maior produção com o mesmo custo/quantidade de mão de obra).

No setor público, os ganhos salariais são possíveis, mesmo que menos prováveis, afinal tais ganhos foram imensos sob a gestão petista.

Risco fiscal crescente – 2

No caso dos investimentos a coisa é mais complicada. Trata-se de variável sensível a múltiplos fatores, dentre os quais destacam-se dois :

1) O custo de capital (leia-se taxa de juros) que para ser reduzido tem de ser consistente com uma inflação menor e uma intermediação financeira menos onerosa.

Ora, neste campo é de muito baixa probabilidade a queda dos juros sem aumento da inflação , mesmo porque há evidente represamento de preços públicos e, a despeito disso, a inflação não cedeu. O custo dos empréstimos, por sua vez, é questão secular; certo é que não cai;

2) A redução da aversão ao risco dependeria de certas garantias institucionais e regulatórias que o governo Dilma está a arranhar desde o seu início.

Também há a velha (mas não arcaica) questão das reformas estruturais que nunca acontecem. É difícil imaginar no curto prazo que o Brasil se torne um país com riscos institucionais elevados, sejam políticos e econômicos. Todavia, trata-se de um país pouco afável ao capital, seja interno ou externo.

Estamos mais para um Estado patrimonialista que para uma economia de mercado. Assim, os investimentos privados dificilmente subirão rapidamente ao ponto de favorecer a demanda agregada em 2014.

Risco fiscal crescente – 3

Resta-nos avaliar o investimento e o consumo do setor público.

No primeiro caso, a administração Lula-Dilma mostrou-se débil em realizar e tornar efetivos os investimentos. Da transposição de águas do Rio da Integração Nacional, o velho Chico, até o trem-bala, vê-se que nem Lula e nem Dilma tem a característica de “gerentes”, especialmente no caso da presidente, que neste quesito mostrou-se uma surpresa negativa, apenas para ser suave na definição.

Há ainda barreiras como o Tribunal de Contas da União constatando irregularidades, as licenças ambientais que demoram a sair e, até mesmo, a ineficiência das empreitadas privadas.

Resta, assim, o consumo governamental como alavanca de crescimento, o chamado aumento de gastos públicos, inclusos repasses para Estados e municípios, como no caso da cidade do Rio de Janeiro e o novo petismo de Haddad em São Paulo.

Este fator é tão caro ao governo que o ministro Guido Mantega, para rebater o FMI,  mencionou estes como “a solução” para a crise pós-2008. Uma fala compreensível e justificável não mais para aquele período, mas para o ano eleitoral de 2014, ou seja devido as eleições.

Conclusão: o risco fiscal não é apenas alto. É crescente.

28/10/2013

às 14:30 \ Política & Cia

Dilma vai desconstruindo a “Carta aos Brasileiros”, de Lula

 

Lula com Dilma:   (Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

Lula com Dilma: na avaliação de políticos e do mercado, ele governou com receituário capitalista e discurso socialista. Já as posturas supostamente pró-mercado de Dilma têm mais a ver com necessidade de mudar imagem (Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

Da coluna de João Bosco Rabelo, publicada na seção de Política do jornal O Estado de S. Paulo

A irritação do governo com o diagnóstico negativo do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a política econômica brasileira se explica, entre outras razões, pela confirmação que representa das críticas internas – de especialistas e de adversários eleitorais da presidente Dilma Rousseff.

O governo ficou só na defesa da mudança que impôs ao modelo adotado por Fernando Henrique Cardoso e mantido por Lula.

O pano de fundo dessa questão é a percepção de agentes econômicos e políticos de que coube a Dilma a condução de uma linha estatizante mais agressiva materializada no intervencionismo gradual que não foi politicamente possível a seu antecessor e padrinho.

Se estaria, assim, vivendo a desconstrução da Carta aos Brasileiros, peça decisiva para a eleição do primeiro governo do PT.

É possivelmente o que explica avaliação corrente de políticos e do mercado, pela qual Lula governou com receituário capitalista e discurso socialista, repetida sempre que se tenta encontrar a razão para a postura desconfiada dos investidores que faltam ao governo Dilma.

Suas sucessivas afirmações de compromisso com as regras de mercado não passam a convicção necessária para reverter a imagem contrária que dela se faz.

Essa vulnerabilidade é a provável causa da censura de Lula ao discurso do presidente do PSDB e pré-candidato à sucessão, senador Aécio Neves, para a comunidade financeira em Nova York, em que se antecipou ao FMI nas críticas à condução da política econômica.

Acusado de vender o pessimismo contra o País, Aécio respondeu dizendo que o fazia contra o governo.

Como não veio só, o diagnóstico do FMI encorpa o descrédito internacional da política econômica do governo brasileiro, registrado mais de uma vez pela revista britânica The Economist e, mais recentemente, pela alemã Der Spiegel.

As críticas têm em comum a rejeição à linha estatizante da gestão Dilma percebida na adoção envergonhada do modelo de privatização, cuja negação revela a verdadeira convicção da presidente em relação à economia.

Pouco adianta, por isso, declarações como a que enxerga xenofobia em críticos petistas do leilão, porque não passam sinceridade e são absorvidas como dissimulação ideológica.

A chamada contabilidade criativa resume a administração de varejo da economia, uma sucessão de emendas que confirma a percepção de que o governo ganha tempo para que a conta de todos os truques só chegue em 2015.

É a mesma corrida contra o tempo que mantém a esperança da oposição e que governo e oposição traduzem como o resultado econômico que possa afetar o que o ex-ministro Delfim Netto chama de bem-estar do cidadão.

 

 

18/08/2013

às 15:00 \ Vasto Mundo

Como foi que a Islândia fez uma nova Constituição usando o Facebook

Multidão protesta diante do Parlamento da Islândia: a crise financeira de 2008 bateu duro no país, mas os islandeses reagiram às medidas de arrocho propostas por organismos como o FMI (Foto: therightperspective.org)

Entrevista concedida a Valquíria Vita, publicada em edição impressa da revista Superinteressante

CUTUCARAM A CONSTITUIÇÃO

Enquanto no Brasil manifestantes saíram do Facebook e foram para a rua, na Islândia eles saíram às ruas e depois voltaram para reescrever a Constituição no próprio Facebook.

O cientista político islandês Eiríkur Bergmann conversou com a Super sobre o processo.

Até cinco anos atrás, a Islândia é que parecia estar deitada em berço esplêndido: todo mundo sabia ler, 95% da população tinha acesso à internet, a economia ia muito-bem-obrigado e não existia desemprego. Só que durante a crise financeira que tomou conta do mundo em 2008, o pequeno país nórdico (pequeno mesmo, 82 vezes menor que o Brasil) passou por uma barra tão pesada que a situação chegou a ser descrita pelo FMI como uma “crise financeira de proporções catastróficas”.

Os maiores bancos da região faliram e a moeda local sofreu uma desvalorização de 80% em relação ao euro. A taxa de desemprego aumentou nove vezes, a dívida do país chegou a 900% do PIB e, bom, as pessoas começaram a empobrecer.

Os islandeses deram uma de argentinos e foram às ruas protestar batendo panelas quando o governo quis aplicar medidas exigidas pelo FMI em troca de uma ajuda financeira bilionária. Bateram tanta panela que o primeiro-ministro foi obrigado a renunciar, e novas eleições foram convocadas. Mesmo assim, eles não ficaram satisfeitos.

De repente, os protestos já não eram mais contra as medidas de austeridade, mas contra tudo que parecia errado no país (soa familiar?). No caso da Islândia, o que o povo realmente queria era uma nova Constituição. Foi aí que o Facebook entrou na jogada.

Erikur: "Acredito que organismos participativos são importantes para aumentar processos democráticos representativos tradicionais, trazendo a tomada de decisões de volta para as pessoas. As mudanças estão vindo, quer você goste ou não, concorde ou não"

A rede social foi a principal plataforma escolhida pelos islandeses para recolher contribuições para a nova Constituição. O processo foi mediado por um conselho de 25 voluntários apartidários, que postava os textos no Facebook depois de cada reunião para que o resto da população pudesse debater a respeito.

E foi assim que a Islândia ficou conhecida mundialmente por ter elaborado a primeira Constituição crowdsourced da história. O texto final passou por referendo e foi aprovado por dois terços dos islandeses em 2012. Está até agora aguardando aprovação do Parlamento (Brasil e Islândia também têm suas semelhanças), mas já serviu de exemplo para destacar a força das redes sociais na construção de uma nova forma de democracia.

Um daqueles 25 conselheiros, o cientista político Eiríkur Bergmann, diretor do Centro de Estudos Europeus da Bifröst University, enfrentou uma viagem de 24 horas da Islândia para o Brasil para fazer uma palestra sobre o futuro dos Estados democráticos. Aproveitou para falar sobre o uso da tecnologia pela democracia e para dar sua opinião sobre a viabilidade de um processo parecido por aqui.

Como vocês receberam sugestões para a nova Constituição?

Por alguma razão, todos na Islândia estão no Facebook, então esse foi o principal portal. Criamos uma página onde as pessoas podiam mandar sugestões e comentar, e nos dividimos em comitês para analisar os assuntos.

As pessoas também mandaram sugestões pelo Twitter, e-mail, correspondências, ligaram e vieram pessoalmente até nós. A decisão que tomamos foi que não importava de que maneira elas viriam, só queríamos que participassem. Se quisessem mandar um pombo com uma mensagem, podiam fazer isso também. Recebemos 3.600 sugestões formais.

Como foi tomada a decisão de criar um canal no Facebook para que a população se manifestasse?

Existiram muitos motivos para isso. Um foi que existia alguma animosidade entre o conselho eleito e o Parlamento, e sabíamos que isso poderia ser uma estratégia para ter o apoio do público. E como ter o envolvimento do público? Botando no Facebook.

Entre os 25 conselheiros representantes, houve quem dissesse que devíamos desligar o celular, fechar a internet e apenas escrever o texto e trazer ao público quando estivesse completo. Mas decidimos fazer completamente o oposto.

Nosso time técnico cuidou de todas as portas de entrada de opinião. Convocamos toda a população a participar. Postamos até nossos telefones particulares para as pessoas ligarem se quisessem. Postávamos todo o nosso trabalho online imediatamente para as pessoas debaterem. E desse debate tirávamos a vontade do público e integrávamos no próximo round de postagens.

Na Islândia todo mundo sabe ler, e 95% da população tem acesso à internet (Foto: Orsolya e Erlend Haarberg / National Geographic)

Na Islândia, país conhecido por sua natureza exuberante e peculiar, todo mundo sabe ler, e 95% da população tem acesso à internet (Foto: Orsolya e Erlend Haarberg / National Geographic)

E as pessoas levaram isso a sério?

Essa foi a parte maravilhosa disso. Normalmente, na Islândia, temos discussões acaloradas sobre tudo, as pessoas atacam as gargantas umas das outras nos comentários, temos discursos muito negativos e comentários muito duros e pessoais.

O que as pessoas já postaram sobre mim, meu deus! E isso acontece com todo mundo. Mas, com esse assunto, por alguma razão, ninguém fez comentários negativos. A questão é que todos queriam causar impacto. Quando você convida as pessoas, tem de escutar o que elas têm a dizer.

E elas levaram a sério porque sabiam que o que dissessem também seria levado a sério. Deixamos claro para elas que seus comentários realmente importavam, e como resultado tivemos comentários muito mais responsáveis.

Quando você dá poder às pessoas, e diz a elas que suas vozes realmente importam, elas tomam mais cuidado com o que dizem. Eles sentiram que estavam participando de verdade, não apenas assistindo à recuperação da Islândia. Isso teve efeito de cura na sociedade. Foi um jeito construtivo de avançar, em vez de ficar nos protestos.

Se o povo não tivesse sido parte desse processo, você acha que a Constituição teria sido diferente?

Sim. Por exemplo: capítulos importantes sobre recursos naturais e direitos humanos sofreram grande impacto com a participação do público. Se a Constituição tivesse sido criada pelos parlamentares, teria sido mais conservadora.

O quanto a crise econômica que afetou a Islândia influenciou esse movimento?

Em 2008, a Islândia foi a primeira a entrar em colapso. Nossos bancos foram à falência em apenas uma semana. Isso foi um choque e houve um grande senso de crise. E crises abrem espaço para discursos políticos, fazem surgir novos pensamentos. Além disso, tivemos uma sociedade receptiva, homogênea o suficiente para compreender algo assim, e tecnológica o bastante para que as pessoas participassem.

Além da crise, o que mais colaborou para que esse projeto desse certo na Islândia?

Foi uma vantagem sermos um país pequeno, onde é fácil conseguir que as pessoas se envolvam. Somos poucos, mas o suficiente para causar impacto, se quisermos. Fora isso, mais de 95% da população tem internet e 100% é alfabetizada. Os islandeses são educados, têm acesso à mídia.

Uma iniciativa como essa poderia funcionar em um país maior?

O processo aconteceria de um jeito diferente, mas poderia funcionar, sim. Acho que o que vale é o convite para que as pessoas participem, que é quase mais importante do que elas participarem de fato. Também é fundamental saber que as necessidades são diferentes em lugares diferentes. Você não pode forçar uma mudança em uma sociedade que não precisa dela. Tem de haver uma demanda por mudanças.

Isso daria certo no Brasil?

Sim, talvez mais certo do que em outros países, porque vocês têm uma herança muito interessante de participação popular. Claro que a maioria não participaria, mas uma parte, sim. Eu acredito que esse tipo de exercício vai ser cada vez mais comum.

"Na Islândia, temos discussões acaloradas sobre tudo, as pessoas atacam as gargantas umas das outras nos comentários, temos discursos muito negativos e comentários muito duros e pessoais" (Foto: Getty Images)

"Na Islândia, temos discussões acaloradas sobre tudo, as pessoas atacam as gargantas umas das outras nos comentários, temos discursos muito negativos e comentários muito duros e pessoais" (Foto: Getty Images)

Há quem chame essa de uma nova forma de democracia direta por meio da internet. Você concorda?

A nova Constituição foi esboçada por 25 pessoas, que receberam sugestões e impactos do público em geral. Então houve um filtro, isso não é democracia direta.

Mas o senhor acredita que esse é o caminho? Transformar pela internet?

Estamos em um ponto de virada no que diz respeito ao desenvolvimento da democracia. Agora, estamos nos movendo para uma forma mais participativa de democracia.

Eu sinto que essa é a primeira vez que a tecnologia pode ser usada democraticamente. Temos essa tecnologia há anos, mas não tínhamos uma população pronta para isso. Até agora. Quando começarmos a ver esses exemplos se acumulando, vai ser mais fácil dar um passo para frente e realmente integrar mecanismos participatórios na tomada de decisão.

Eu acredito que organismos participativos são importantes para aumentar processos democráticos representativos tradicionais, trazendo a tomada de decisões de volta para as pessoas. As mudanças estão vindo, quer você goste ou não, concorde ou não.

O desafio é se organizar para que essas mudanças sejam construtivas. Não sabemos o que vai acontecer. E isso pode ser usado para o bem ou para o mal.

17/08/2013

às 15:00 \ Política & Cia

O Brasil, a Grécia e o FMI

Protestos na Grécia contra situação econômica (Foto: Kostas Tsironis / AP)

Protestos na Grécia contra situação econômica (Foto: Kostas Tsironis / AP)

Do blog Política & Economia Na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros

O BRASIL, A GRÉCIA E O FMI

O Ministério da Fazenda informou na quarta passada que o representante do Brasil e de outros 10 países da América Latina no FMI, Paulo Nogueira Batista, tem “respaldo político” do ministro Guido Mantega para continuar exercendo suas responsabilidades na instituição.

Como se sabe, o nosso representante no FMI resolveu, por moto próprio, se abster na votação de liberação de 1,7 bilhão de dólares para a combalida Grécia, sob a justificativa de que as reformas helênicas têm sido “insatisfatórias em quase todas as áreas” e que “as suposições de sustentabilidade de crescimento e dívida continuam a ser otimistas demais”.

Será que as nossas reformas são aceleradas o suficiente para Paulo Nogueira Batista? (Foto: Ailton de Freitas / Ag. O Globo)

Será que as nossas reformas são aceleradas o suficiente para Paulo Nogueira Batista? (Foto: Ailton de Freitas / Ag. O Globo)

Seria muitíssimo interessante conhecer as inteligentes percepções de Nogueira Batista Jr. sobre a política econômica de seu padrinho Guido Mantega.

Será que as nossas reformas são aceleradas?

E o crescimento da nossa dívida, o que acha tão abalizado economista?

05/08/2013

às 8:02 \ Disseram

Delírios de Dilma para o futuro: ser a cara de Christine Lagarde

“Vou ficar a cara da Christine Lagarde”

Dilma Rousseff, presidente da República, em entrevista à Folha de S.Paulo, dizendo que ao deixar o governo não pintará mais os cabelos, a exemplo da presidente do FMI

 

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