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FMI

27/09/2014

às 6:00 \ Disseram

Dançar para conquistar

“Faço até dança do ventre, se for preciso, para chegar lá.”

Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, referindo-se, no diário britânico Financial Times, ao seu empenho para que países não ocidentais, como a China, tenham mais peso dentro da instituição

08/09/2014

às 17:00 \ Política & Cia

MAÍLSON DA NÓBREGA: Um prêmio para os governos petistas — por nos fazerem rir

(Foto: Bancada dos Senadores)

” A contabilidade criativa não tem serventia. Até faz rir, mas é de chorar”, diz Maílson da Nóbrega (Foto: Bancada dos Senadores)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

O Prêmio Ig Nobel, concedido desde 1991 aos que realizam pesquisas científicas aparentemente ridículas, é uma sátira ao Prêmio Nobel levada a sério. A cerimônia de entrega acontece anualmente na Universidade Harvard, à qual comparecem laureados pelo Nobel verdadeiro. O título é uma troça com a palavra inglesa ignoble, ou ignóbil (reles, repugnante) em português. Quem elege os premiados é a revista Annals of Improbable Research (Anais das Pesquisas Improváveis).

São escolhidos estudos que soam absurdos mas podem gerar conhecimentos úteis. A lista dos laureados está na internet. Por exemplo, o Prêmio Ig Nobel da Dinâmica dos Fluidos de 2012 foi concedido aos autores dos estudos sobre a dinâmica do esguicho de líquidos, cujo objetivo foi entender o que acontece quando uma pessoa carrega uma xícara cheia de café.

Em 2013, o Ig Nobel de Física foi atribuído aos cientistas que mostraram ser fisicamente possível a um indivíduo correr sobre a superfície de uma lagoa, caso esteja na Lua. Os títulos não guardam necessariamente correspondência com os do Nobel.

No Brasil, alguém poderia sugerir a concessão do Prêmio Ig Nobel aos governos do PT por sua descoberta de que é possível extrair dividendos de uma operação que dá prejuízo. É o que tem acontecido com a transferência de recursos do Tesouro para o BNDES, cerca de 400 bilhões de reais nos últimos cinco anos.

O Tesouro capta os recursos no mercado à taxa Selic, atualmente 11% ano, e cobra do banco a taxa de juros de longo prazo (TJLP), hoje 5%. Assim, perde 6% do valor transferido. O prejuízo fica oculto no aumento da dívida pública. O banco empresta esse dinheiro à TJLP mais alguma coisa, aufere lucros e pode pagar dividendos ao Tesouro.

O malabarismo tenta convencer a opinião pública, inutilmente, de que o governo cumpre as metas de superávit primário, que é o valor destacado para pagar juros da dívida pública. Em 2012 e 2013, as operações com o BNDES renderam dividendos de 12,9 bilhões e 7 bilhões de reais, respectivamente, contribuindo para o cumprimento da meta naqueles anos. Embora em quantia bem menor, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica também participam do esquema. Em 2013, os dividendos representaram 22,2% do superávit primário do governo federal.

Há outras manobras dignas do Ig Nobel. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

07/08/2014

às 14:00 \ Política & Cia

NÚMEROS DO PAÍS DA “GERENTONA”: Brasil gasta mais em juros da dívida pública do que a desgraçada Grécia

Manifestação contra cortes de gastos públicos e demissões em Atenas:   (Foto: AP)

Manifestação contra cortes de gastos públicos e demissões em Atenas: (Foto: AP)

Sabem a Grécia, país que desde 2011 enfrenta brutal crise econômica, país que quebrou e que, para começar a se levantar, precisou do socorro da União Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI no valor de 110 bilhões de euros (algo como 335 bilhões de reais) — em troca de brutais medidas de arrocho que incluíram até uma redução generalizada de salários?

Pois bem, amigos do blog, endividada até a raiz dos cabelos, com crescimento econômico perto de zero, número recorde de desemprego e outros problemas colossais, a Grécia paga percentualmente MENOS juros do que o Brasil por sua dívida pública (próxima a 1 trilhão de reais): 4% anuais de seu Produto Interno Bruto (PIB), contra 5% do Brasil.

Será que Dilma exibirá esses números na campanha eleitoral como parte de seu “legado”?

25/07/2014

às 0:00 \ Disseram

Apenas assuntos agradáveis

“Não posso fazer um filme sobre (…) o que acontece no mundo? Devo fazer só filmes sobre o Pato Donald?”

Abel Ferrara, cineasta americano, falando à Folha de S. Paulo a respeito do longa Bem-Vindo a Nova York, inspirado na história do francês Dominique Strauss-Kahn, ex-diretor do FMI, acusado de violentar uma camareira; DSK anunciou que processaria o cineasta e os produtores

13/07/2014

às 18:40 \ Política & Cia

AMARELAS: O Brasil deve esquecer o Mercosul, deixar a Argentina de lado e fazer, sozinho, um acordo de livre comércio com a União Europeia

(Foto: Lailson Santos)

(Foto: Lailson Santos)

O BRASIL DEVE SEGUIR SOZINHO

O economista e ex-diretor da área internacional da Fiesp diz que é hora de deixar a enrolada e endividada Argentina de lado e fazer um acordo de livre-comércio com a União Europeia

Entrevista a Duda Teixeira publicada em edição impressa de VEJA

Por nove anos, o economista Roberto Giannetti da Fonseca foi diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), entidade que representa 41% do setor industrial nacional. Até o ano passado, quando deixou o cargo, trabalhou dentro dessa instituição para que o Brasil se abrisse para o mercado internacional.

Aos 64 anos, ele agora se dedica a sua consultoria econômica, a Kaduna. “Por causa da decisão de priorizar o Mercosul, o Brasil ficou muito dependente das exportações para a Argentina”, diz o economista. Para Giannetti, com o país vizinho à beira de um novo calote na dívida externa, fica claro quanto o Brasil se arrisca em não reduzir essa dependência.

A Argentina tem até o fim deste mês para pagar uma dívida com credores estrangeiros. Qual é o risco de o país dar o calote?

É bastante alto. A Argentina caiu em uma armadilha jurídica. No contrato de reestruturação da dívida, feito alguns anos atrás, há uma cláusula muito importante. Ela determina que os credores que aceitaram receber o valor da dívida com desconto devem ter um tratamento igual ao dos demais credores.

A questão é que uma parte menor dos credores, que ficou com 8% do montante, obteve na Justiça americana o direito de receber os títulos pelo seu valor de face, ou seja, 100%. Se os outros, que aceitaram receber menos, agora também entrarem na Justiça, a Argentina terá de pagar o valor integral. Isso representaria uma dívida total de 100 bilhões de dólares, muito mais do que os 28 bilhões de dólares de reserva internacional que o país tem.

O que pode ser feito, então?

A única saída é negociar com aqueles que aceitaram o desconto e tentar retirar a cláusula. Ao mesmo tempo, é necessário convencer os outros fundos, chamados de abutres, a aceitar o valor de face, mas em um prazo mais longo.

O que aconteceria se a Argentina desse o calote?

Se o calote for inevitável, os argentinos estarão diante de uma crise da maior gravidade. Eles ficarão isolados do resto do mundo. Será uma situação caótica. Qualquer propriedade do Estado argentino no exterior – imóveis, navios e contas bancárias – poderá ser penhorada para pagar aos fundos abutres.

A comunidade internacional, porém, se esforçará para evitar esse cenário. Deve haver uma nova renegociação, com a ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional) e de outras instituições. Para isso, a Argentina tem de se sentar à mesa sem arrogância, com humildade.

A palavra “abutre” não é exagerada?

Pode ser, mas a analogia não deixa de fazer sentido. Esses fundos compram títulos de dívida de países ou empresas em dificuldades por uma fração da cifra original. Depois, entram na Justiça e tentam ganhar o valor integral do devedor, arrancando o seu fígado. Pode-se não gostar deles, mas a realidade é que não há nada de novo nisso. Fundos mais agressivos existem em qualquer mercado.

O erro por parte da gestão dos presidentes Néstor e Cristina Kirch­ner foi acreditar que eles não seriam um problema no futuro. Houve um certo descaso. O governo argentino deveria ter negociado antes com os administradores desses fundos e minimizado as dificuldades. Era algo que podia ter sido evitado.

Qual seria a consequência, para o Brasil, de um calote argentino?

As consequências não seriam financeiras, já que os investidores sabem muito bem diferenciar um país do outro. Os efeitos negativos ocorreriam mais no âmbito comercial. O mercado interno argentino está em franco declínio e é o destino de mais de 20% das nossas exportações de manufaturados, como peças de automóveis, sapatos e eletrodomésticos.

Sem reservas em dólar, ou seja, se der o calote, a Argentina não terá como pagar esses bens. O volume do nosso comércio com a Argentina então cairia bastante. A perda em exportação de manufaturados pode chegar a 5 bilhões de dólares por ano.

No mês passado, o Brasil alterou o acordo automotivo com a Argentina. Antes, podíamos exportar sem imposto 1,95 dólar em carros e peças para cada dólar importado. Agora, ficou em 1,5 dólar para cada dólar importado. Ou seja, ficou mais caro exportar. Foi uma decisão acertada?

Qualquer acordo é melhor do que nada. Mas, se a crise chegar, nem essa ajuda terá efeito. Eles não terão como pagar o que importam de qualquer jeito.

Dar ênfase demais ao comércio com a Argentina foi um erro?

Certamente. Preso ao Mercosul, o Brasil deixou de assinar acordos de livre-comércio com outros países. Exportar 20% dos manufaturados para um país instável como o dos nossos vizinhos é muito arriscado. Se nossa economia fosse mais aberta, estaríamos exportando esse valor para países como Japão, Estados Unidos, Canadá ou para a Europa.

O Mercosul negocia um tratado de livre-comércio com a União Europeia há catorze anos, mas a Argentina sempre atrapalha as conversas. Qual é a probabilidade de esse país embolar o jogo novamente?

Os argentinos sempre surpreendem na última hora. Deixam a negociação seguir para avaliar até onde o Brasil é capaz de chegar. Então, quando tudo está bem adiantado, dizem que não aceitam o que foi colocado na mesa. Em 2004, o Brasil chegou muito perto de fechar com a União Europeia, mas aí houve o boicote da indústria argentina, que reclamou do risco de ter tarifas reduzidas em relação aos concorrentes europeus. Houve uma sabotagem em um momento decisivo.

Foi uma pena porque, enquanto o Mercosul fracassou, o México já havia feito um acordo com a União Europeia quatro anos antes. O Chile concluiu o seu em 2003. O tratado com a Colômbia e o Peru entrou em vigor no ano passado. O elevado desempenho da economia desses países atualmente é resultado direto desses tratados. O Mercosul, contudo, foi na contramão e preferiu ficar isolado.

Pelas regras do Mercosul, o bloco só pode decidir por consenso. O Brasil está de mãos amarradas, ou há alternativas?

Os negociadores brasileiros deveriam ter assinado o acordo com a União Europeia sem a Argentina, dando cinco anos para os nossos vizinhos se adaptarem à nova situação.

Para fazer isso, há uma saída técnica. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

12/07/2014

às 18:00 \ Disseram

Estabilidade financeira não é a prioridade americana no momento

“Eu não vejo no momento a necessidade de a política monetária desviar-se do foco de obter estabilidade de preços e máximo emprego para enfrentar preocupações em relação à estabilidade financeira.”

Janet Yellen, presidente do Federal Reserve, o BC americano, em discurso no Fundo Monetário Internacional (FMI)

24/06/2014

às 0:00 \ Disseram

Política para um crescimento sustentável

“É preciso dar atenção ao tipo de política necessário para formar a base de um crescimento que será sustentável.”

Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional

20/06/2014

às 0:00 \ Disseram

O que falta para o perdão?

“Será que vou ter de ficar de joelhos?”

Christine Lagarde, diretora-presidente do FMI, desculpando-se novamente pelas críticas equivocadas ao bem-sucedido programa econômico de austeridade do governo britânico

20/04/2014

às 18:00 \ Disseram

Ainda falta esforço na economia

“No Brasil, há a necessidade de dar continuidade às medidas de aperto. Apesar dos aumentos substanciais da taxa de juros, a inflação continua no teto da banda.”

Panorama Econômico Mundial, relatório macroeconômico do Fundo Monetário Internacional

31/01/2014

às 17:38 \ Vasto Mundo

A destruição da Argentina

Novo ministro da Economia de Cristina Kirchner, Alex Kicillof, preserva o costume de atacar os empresários, em vez de se ocupar com as causas da inflação (Foto: Reuters)

O novo ministro da Economia de Cristina Kirchner, Alex Kicillof, preserva o costume de atacar os empresários, em vez de se ocupar com as causas da inflação (Foto: Reuters)

Editorial publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo

A DESTRUIÇÃO DA ARGENTINA

Devastada de tempos em tempos por algum governo incompetente e populista, a economia argentina mais uma vez se esboroa, com inflação em disparada, problemas de abastecimento, produção estagnada, reservas cambiais quase no fim e quase nenhum acesso – ou nenhum, mesmo – ao financiamento internacional.

Nem originalidade se pode atribuir à presidente Cristina Kirchner e ao bando de ineptos ao seu redor, pelo menos quanto aos erros.

Há pouca novidade nos principais disparates cometidos em dois mandatos consecutivos.

Mais de uma vez, nos últimos 40 anos, o governo argentino produziu o quase milagre de esvaziar as prateleiras num país conhecido como grande produtor e exportador de alimentos.

E mais de uma vez esse país está a um passo de um desastre cambial, embora os preços agrícolas tenham sido muito bons, no mercado internacional, nos últimos anos.

Irresponsabilidade monetária e fiscal, ingerência nos preços, barreiras à exportação e à importação, interferência no câmbio e conflitos com o setor agropecuário, de longe o mais produtivo da economia, são marcas de vários governantes argentinos.

Em relação a esses pontos, nenhuma inovação nos últimos anos.

Se os Kirchners tiveram alguma originalidade foi em outras linhas de ação.

O primeiro, Néstor, marido de Cristina, juntou-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há uns dez anos, para criar uma estranha e desastrosa parceria entre Argentina e Brasil – uma aliança terceiro-mundista, naturalmente antiamericana e incompatível com qualquer projeto sério de inserção do Mercosul no mercado global. Essa parceria acabou favorecendo um crescente protecionismo do lado argentino, ruim para o Brasil, para as economias menores do bloco e para a indústria argentina, acomodada e cada vez menos competitiva.

Sucessora do marido, Cristina Kirchner manteve o padrão geral da gestão anterior, mas aperfeiçoou o estilo, adotando a falsificação de informações macroeconômicas, a começar pelo índice de inflação. Conseguiu para seu país, com isso, uma distinção pouco invejada e ainda mantida.

Prateleiras vazias em um supermercado de Buenos Aires, na Argentina. (Foto: Enrique Marcarian / Reuters)

Prateleiras vazias em um supermercado de Buenos Aires: tentar frear a inflação com controles e ameaças dá nisso  (Foto: Enrique Marcarian / Reuters)

Ao publicar os dados argentinos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) passou a acrescentar às tabelas notas com ressalvas sobre a credibilidade dos números.

Desmoralizado internacionalmente e pressionado pelo FMI, o governo da presidente Cristina Kirchner comprometeu-se a mudar as estatísticas oficiais, atrasou-se, foi censurado e anunciou um novo prazo.

Se o novo indicador for melhor, as contas do crescimento econômico deverão ser mais confiáveis, porque o deflator aplicado aos valores será mais realista. Mas essa mudança ainda é promessa. Por enquanto, vale o velho roteiro.

Segundo o governo, os preços ao consumidor subiram 10,9% em 2013. Segundo fontes independentes, a inflação deve ter superado 28%. Além de produzir números sem credibilidade, o governo continua tentando frear a inflação por meio de controles de preços e ameaças. A escassez é consequência normal desse tipo de política.

Segundo o secretário de Comércio Interior, Augusto Costa, faltam quase 50% dos produtos em alguns supermercados. O antecessor de Costa, Guillermo Moreno, costumava impor limites de preços por meio de ameaças, o mesmo recurso usado, com frequência, para proibir importações, principalmente de produtos brasileiros.

Moreno deixou o governo, mas a ingerência nos preços e o protecionismo foram mantidos. Também houve mudança no Ministério da Economia. O novo responsável, Alex Kicillof, preserva o costume de atacar os empresários, em vez de se ocupar com as causas da inflação.

Se empresários mal-intencionados causam a inflação, especuladores inimigos devem ser culpados pelos problemas cambiais. A desvalorização do peso nos últimos dias foi atribuída pelo chefe do Gabinete de Ministros, Jorge Capitanich, a interessados em quebrar o país para “ficar com seus recursos energéticos e naturais a preço de liquidação”.

Também o governo brasileiro tem usado esse discurso: a inflação e a crise da indústria são importadas. Se a culpa é dos outros, nada há para corrigir.

 

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