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FMI

18/04/2013

às 17:14 \ Política & Cia

Sardenberg: Arrumar o futuro

"Panorama Econômico Mundial", do FMI: para tudo tem jeito

"Panorama Econômico Mundial", do FMI: para tudo tem jeito

Artigo publicado no jornal O Globo

Por Carlos Alberto Sardenberg

 ARRUMAR O FUTURO

Tem jeito para tudo ou, vá lá, para quase tudo – é o que os nos diz o FMI em seu último Panorama Econômico Mundial. Os alemães, por exemplo, dariam uma boa ajuda à Europa se gastassem mais, tanto as famílias quanto o governo. E deveriam gastar comprando coisas dos vizinhos em dificuldades, além de viajar para lá.

Já os franceses precisam trabalhar mais e economizar mais. Precisam também criar condições para isso, com uma boa reforma para aumentar a competitividade de seus produtos.

Italianos, portugueses e gregos não têm outro jeito senão prosseguir na austeridade para equilibrar dívidas públicas e privadas. Mas, cuidado. Excesso de austeridade pode matar.

Japoneses fizeram muito bem em iniciar políticas de estímulo ao consumo para sair da recessão. Uma “inflaçãozinha”, uns 2% ao ano, seria boa ajuda para convencer as pessoas a gastar mais.

Mas o governo não pode se esquecer de que carrega uma dívida enorme que, em algum momento, terá de ser reduzida.

Isso também vale para os americanos. Tudo bem com a política de gastos agora, mas devem ao menos dizer quando voltam à austeridade para reequilibrar as finanças públicas.

Os emergentes fizeram um bom papel até aqui, mantendo um bom ritmo de crescimento, mas precisam voltar a cuidar dos fundamentos. Quais? Os clássicos: inflação baixa e estável, de menos de 3% ao ano, contas públicas equilibradas, dívida externa financiável.

E todos, literalmente, precisam fazer reformas estruturais. São de dois tipos. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

05/02/2013

às 17:22 \ Vasto Mundo

Argentina: Cristina Kirchner dá novo passo em direção ao abismo econômico decretando congelamento de preços

Cristina Kirchner: criticada pelo FMI por manipular dados sobre PIB e inflação, ela decreta o fatídico congelamento de preços (Foto: Agência EFE)

Manipulação de estatísticas econômicas, subsídios dos cofres públicos para todo lado, sucessivas intervenções arbitrárias na vida das empresas, hostilidade aberta — e não raro materializadas em atropelos à lei — ao capital estrangeiro…

O rumo da Argentina para o abismo econômico, que temos procurado registrar aqui, recebeu hoje um forte impulso adicional. A presidente Cristina Kirchner decretou um congelamento de preços por 60 dias, passo populista e demagógico que nós, brasileiros, conhecemos muito bem.

Numa primeira etapa, curtíssima, a coisa funciona. Depois, vêm, inevitavelmente, duas consequências ligadas uma à outra: o desabastecimento e o mercado negro.

Medidas desse teor só conduzem ao que o governo peronista procura conter, a hiperinflação.

Coincidindo com o congelamento, o FMI criticou o governo de Cristina por manipular dados sobre Produto Interno Bruto (PIB) e inflação.

Sugiro que aproveitem para ler reportagem de VEJA que publicamos no blog há pouco tempo — em novembro passado. O título e o link: Argentina: entendam por que centenas de milhares de pessoas estão protestando nas ruas contra o governo de Cristina Kirchner.

 

LEIAM TAMBÉM:

Como Dilma combate a inflação, segundo Cesar Maia. Cada vez mais perto de Cristina Kirchner, diz o ex-prefeito

ARGENTINA: Senhores fãs do governo de Cristina Kirchner, façam o favor de ler este material e, se puderem, explicar os fatos nele contidos

ARGENTINA — Bartolomé Mitre, dono do jornal independente “La Nación”: “Vivemos uma ditadura com votos. A Argentina está imitando a Venezuela”

18/01/2013

às 19:00 \ Vasto Mundo

Grécia: a crise começou com uma fraude

Manifestantes durante conflito com a polícia no centro de Atenas, Grécia

Publicado originalmente a 17 de junho de 2011.

A crise grega que está nas manchetes, inclusive do site de VEJA, tem mil explicações, amigos do blog, mas seu olho do furacão começou com uma fraude, uma maracutaia inacreditável praticada pelo partido conservador Nova Democracia, que governou a Grécia por seis anos, até 2009.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

Vencedor das eleições, o novo primeiro-ministro do Partido Socialista (Pasok), Giorgos Papandreu, constatou em poucos dias que seus antecessores haviam maquiado escandalosamente as contas públicas para os parceiros da União Europeia e o Banco Central Europeu (BCE). O verdadeiro déficit públic do país, de gravíssimos 15,7% do PIB, era mais do que o dobro do informado pelo governo anterior.

O déficit verdadeiro era a conta que chegava para ser paga pela gastança do governo do antecessor de Papandreu, Kostas Karamanlis (2004-2009), que, em vez de atuar dentro das possibilidades do Orçamento e, mais, equacionar o que restava de déficit devido aos investimentos na preparação das Olimpíadas de 2004 pelo governo socialista que o precedeu, preferiu continuar torrando dinheiro público – e mentir.

Bola de neve de desconfiança e um brutal ajuste fiscal

A desconfiança dos mercados para com a Grécia, a partir daí, diante do temor de que os empréstimos ao governo e às empresas gregas não seriam quitados, fez rolar uma bola de neve que explodiu nas mãos de Papandreu.

O primeiro-ministro conseguiu realizar um brutal ajuste fiscal, o mais severo já feito por um país da zona do euro desde o estabelecimento da moeda comum, em 2000, e baixou em 5 pontos percentuais o rombo. A essa altura, porém, os cortes orçamentários e outras medidas restritivas haviam levantado um turbilhão de protestos na sociedade, que foram num crescendo tal que, apenas nos últimos 15 meses, houve 22 greves gerais no país.

A União Europeia, o BCE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) – que muitos chamam de troika, ressuscitando a velha palavra da extinta União Soviética – socorreram a Grécia há um ano com um empréstimo de 110 bilhões de euros (algo como 250 bilhões de reais), mas o atoleiro grego não melhorou, e o Papandreu necessita de mais 60 bilhões de euros (140 bilhões de reais).

Privatizar o banco estatal, serviços de águas, portos e até um cassino

Para tanto, as exigências da troika são severíssimas. Depois de baixar os 5 pontos percentuais no déficit, em dois anos, Papandreu agora precisa derrubá-lo de 10,5% para 7,5% até o final deste ano.

Para fazer frente ao total da dívida grega antes desses 60 bilhões, que supera 142% do PIB (só para comparar: a do Brasil bate nos 40% do PIB) e é de 328 bilhões de euros (750 bilhões de reais, uma enormidade para um país das dimensões da Grécia), o programa para o qual Papandreu precisa obter o consenso das principais forças políticas, e que o levou a reformar seu gabinete, consiste em basicamente dois pontos:

1. Corte de gastos de mais 28 bilhões de euros num país que já está no osso e que podou investimentos em saúde, educação e infraestrutura

2. Privatizações que obtenham de 50 a 60 bilhões de euros, para reduzir a sufocante dívida pública e que incluem o banco estatal Caixa Postal de Poupança, os portos de Atenas (Pireu) e Salônica, a segunda maior cidade grega depois da capital, os serviços de abastecimento de água das duas cidades, a empresa telefônica nacional, OTE, que já tem como sócio minoritário o gigante alemão Deutsche Telekon, e até o cassino de Atenas, que pertence — vejam só — ao governo.

Diante desse quadro dificílimo, quem começou tudo, o partido Nova Democracia, não tem colaborado em nada. Pode ser que Papandreu venha a obter para as medidas duras e mesmo um governo de união nacional, caso em que ele próprio disse que cederia seu cargo em prol de um acordo. Mas as palavras de Antonis Samaras, líder da Nova Democracia, ditas ainda esta semana são de uma hipcrisia aterradora: “Não estou disposto a apoiar uma politica que arrase nosso país”, afirmou.

Ele ignorou o fato de que foi o governo antecessor de Papandreu, de seu próprio partido, quem iniciou esse processo de derrocada do país com uma fraude.


29/12/2012

às 17:00 \ Vasto Mundo

Femen: pequena história das garotas da Ucrânia que protestam em topless

Integrantes do movimento Femen pedem o impeachment do presidente Viktor Yanukovich, em Kiev, na Ucrânia (Foto: Tera)

Publicado originalmente em 3 de março de 2012

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

A entrevista que publicamos recentemente com Inna Shevchenko, a líder do grupo feminista Femen, da Ucrânia, cujas integrantes mais entusiasmadas fazem protestos públicos em trajes mínimos ou em toplesss, despertou em muitos leitores a curiosidade por saber como isso começou.

O editor de VEJA Diogo Schelp já havia contado a história do grupo Femen em uma edição de VEJA do finalzinho do ano, sob o título “Isso sim é protesto”. Confiram:

. . . . . . . . .

Isso sim é protesto

 

O grupo de feministas seminuas fundado em Kiev exporta suas táticas ousadas

 

Elas começaram protestando contra o turismo sexual na Ucrânia, em 2008, e depois diversificaram suas causas.

Já se revoltaram contra a proibição às mulheres sauditas de dirigir, contra os presentes caros recebidos por jornalistas e contra os processos judiciais com motivação política em seu país.

O pretexto para a pouca roupa, aqui, é protestar pelo mau fornecimento de água a Kiev. As garotas se pintaram com bandeiras de países da União Europeia, onde não há esse problema (Foto: Femen)

Fantasiadas de acordo com a causa do dia, gritando slogans e munidas de cartazes, as jovens, quase todas loiras e na flor dos seus 20 e poucos anos, começam a manifestação com pouca roupa e terminam arrastadas pela polícia com quase nenhuma. Das mais de 300 integrantes do grupo, o Femen, quarenta formam o chamado “núcleo do topless”.

Elas explicam que, compreensivelmente, ninguém prestava muita atenção nelas antes de começarem a tirar a blusa e o sutiã. “Os homens gostam de seios, mas não gostam de mulher com opinião” é um de seus motes.

Ativistas do Femen são abordadas pela polícia diante da igreja de Cristo Salvador, em Moscou, num protesto contra fraudes nas eleições parlamentares na Rússia (Foto: Femen)

Deve ser por isso que, depois de dirigirem muitos de seus protestos contra o presidente Viktor Yanukovich, as líderes do grupo, cuja sede fica, apropriadamente, no Café Cupido, em Kiev, receberam a visita de agentes do serviço secreto que ameaçaram “quebrar suas pernas e braços”. [A despeito de ser pró-Europa num país dividido entre aproximar-se o mais possível da Rússia ou olhar para os vizinhos do oeste, e jurar amor às liberdades públicas, o presidente é acusado por setores da oposição de liderar uma "democracia controlada" e de tentar silenciar críticas pela mídia].

Confiante em que o mundo tem muito a aprender no quesito protesto pacífico – estão aí, entre outros, os invasores da reitoria da USP para provar -, o Femen começou a exportar suas táticas. Três ucranianas já foram a Paris lavar a calçada da casa de Dominique Strauss-Kahn, indignadas porque o ex-diretor do FMI se livrou de duas acusações de estupro. [Outro grupo dirigiu-se a Moscou para protestar contra fraudes nas eleições parlamentares na Rússia, em novembro, supostamente orquestradas pelo todo-poderoso primeiro-ministro Vladimir Putin.]

Muito marmanjo se pergunta quando haverá um movimento “Ocupe Kiev”.

26/10/2012

às 15:42 \ Política & Cia

Sardenberg: Sobre um Brasil de vira-latas e mascarados

Complexo de vira-lata, um mal que Nelson Rodrigues diagnosticou

Complexo de vira-lata, um mal que Nelson Rodrigues diagnosticou

Artigo publicado ontem no jornal O Globo

 

VIRA-LATAS E MASCARADOS

Qual é o oposto do complexo de vira-lata que Nelson Rodrigues encontrou nos brasileiros? É a máscara, com duas variáveis. O brasileiro mascarado que vive achando por aqui o/a melhor do mundo; e aquele que despreza a sabedoria, digamos, universal e a troca pelas “nossas” soluções.

Normal, se poderia dizer. Se cada um de nós alterna momentos de depressão e euforia, por que isso não poderia ocorrer com um povo inteiro? E não apenas com o brasileiro. Pesquisas mostram que todas as populações oscilam entre confiança e baixo astral, isso dependendo, em grande parte, da situação real em que se encontram.

Os americanos, por exemplo, estão no “maior baixo astral”. Compreende-se. Já são quatro anos de uma crise que chegou, devastadora, depois de um período que parecia o melhor de todos.

Já os brasileiros estão mais animados. O país cresce pouco, mas ainda preserva os benefícios das mudanças estruturais dos últimos 20 anos.

De todo modo, é preciso admitir que há povos mais espertos do que outros. Há países cujas sociedades resolvem melhor as situações e, assim, tornam-se mais prósperas e ricas. Sim, há nações abençoadas com riquezas naturais, mas isso não é a variável determinante.

O Japão tem escassas fontes naturais de energia, mas construiu uma indústria poderosa. Israel não tem uma gota de petróleo, nem de água, aliás, mas é a sociedade mais desenvolvida, de maior renda per capita e a única democracia estável de uma região onde jorra petróleo e sobram ditaduras e pobreza.

Cingapura e Jamaica eram colônias britânicas até 1960, igualmente pobres. Hoje, a nação asiática é rica, desenvolvida e moderna. A Jamaica tem quase nada além de Usain Bolt e seus colegas velocistas. Todo mundo celebra o bicampeão olímpico, mas as pessoas vivem melhor em Cingapura.

O programa Bolsa Família é a unificação dos programas bolsa escola, vale gás e bolsa alimentação, reutilizados por um presidente complexado e com medo da reação mundial à sua eleição (Foto: EXAME.com)

O programa Bolsa Família é a unificação dos programas bolsa escola, vale gás e bolsa alimentação, reutilizados e rebatizados por um presidente complexado e com medo da reação mundial à sua eleição (Foto: exame.com)

E para chegar do nosso lado, nos anos 60 a Coreia do Sul era muito mais pobre que o Brasil. Hoje, nem dá para comparar.

Portanto, a alternância tristeza/alegria e mesmo a depressão/euforia pode ser normal, desde que leve e rara. Do contrário, a doença aparece. E talvez a pior seja mascarar a realidade de um extremo a outro. O complexo de vira-lata só mostra coisa ruim. O mascarado dança nas ruas e tira sarro dos outros. Isso tem atrapalhado o Brasil.

Nos últimos tempos, temos sido mais mascarados do que vira-latas. É uma característica da era Lula. Na verdade, ele começou, em 2003, mais complexado e com medo da reação mundial à sua eleição. Tanto que adotou a política econômica que ele e seu partido haviam condenado e deixou de lado as propostas de “soluções próprias, não as do FMI”.

Depois, quando o mundo ajudou e as políticas ortodoxas finalmente funcionaram, Lula transformou tudo em coisa própria, incluindo a bonança global (os fantásticos preços das comodities e alimentos). Como diz mesmo um amigo do governo petista, a maré subiu para todo mundo, mas o ex-presidente acha que ele puxou a maré. E um monte de gente concordou.

Assim, tudo virou solução brasileira para problemas que o mundo e gerações nacionais anteriores não sabiam resolver. Exemplo, o Bolsa Família.

Será? Sugiro uma pesquisa no site do Banco Mundial, item “Conditional Cash Transfer”, “Transferência de Renda com Condicionalidades”. Pois é, o programa, dinheiro em troca de colocar a criança na escola, é uma ideia desenvolvida por tecnocratas do Banco Mundial nos anos 90. Entre nós, Cristovam Buarque estudou e aplicou. [O mesmo fez, na mesma época, o falecido prefeito Nos anos 2000, cerca de 30 países já aplicavam o programa (México Oportunidades, Chile Solidário, por exemplo).

Aqui, por sinal, o Bolsa Família foi criado pelo decreto 5.209, de 17/09/04, especificamente com a unificação dos programas bolsa escola, vale gás e bolsa alimentação, que vinham do governo FHC.

É verdade que, no mundo, se fala com mais entusiasmo do Bolsa Família brasileiro e de Lula. E por quê? Porque é o maior e porque o Brasil tem mais pobres….

Todos os principais países emergentes, latino-americanos incluídos, se deram muito bem neste século XXI: crescimento forte, inflação controlada, surgimento das novas classes médias e acumulação de reservas.

Pelo complexo de vira-lata, diríamos que o Brasil só pegou a onda e copiou o que todo mundo fez. Na outra ponta, mascarados, diríamos que o mundo todo copia e inveja o Brasil.

Nos dois casos, não estamos vendo a história real. Não foi pouca coisa pegar a onda certa. Mas ainda levamos uns bons tombos na areia. Voltaremos ao assunto.

Acompanhe Carlos Alberto Sardenberg no site.

29/09/2012

às 10:04 \ Disseram

Argentina subiu no telhado do FMI

“Eles levaram o cartão amarelo e têm três meses para evitar o vermelho.”

Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, prevendo sanções contra a Argentina por manipular seus dados econômicos

22/09/2012

às 18:05 \ Vasto Mundo

Europa: vitória de “Frau” Merkel nos tribunais injeta novo ânimo no euro

PROST! -- Merkel saudou a vitória em que a corte alemã respaldou o fundo de resgate europeu: o começo do fim da crise? (Foto: Fabrízio Bensch / Reuters)

PROST! -- Merkel saudou a vitória em que a Corte Constitucional alemã respaldou o fundo de resgate europeu: o começo do fim da crise? (Foto: Fabrízio Bensch / Reuters)

Texto de Giuliano Guandalini, publicado na edição desta semana de VEJA

O EURO BRINDA FRAU MERKEL

A Alemanha se rende ao inevitável: como potência do continente, terá de liderar o resgate da moeda única e debelar a crise. Os mercados aplaudem

A Europa parece ter recuperado o bom-senso e a sobriedade. Nos últimos dias, uma série de decisões e iniciativas de seus líderes aplacou as ansiedades dos investidores (e de seus credores) internacionais, trazendo a esperança de que a crise de confiança sobre os países do euro tenha finalmente entrado no começo de seu fim.

Na semana passada, a Corte Constitucional alemã considerou legal o Mecanismo Europeu de Estabilidade, fundo de resgate para as economias em apuros na região. Uma petição, com 37 000 assinaturas, questionava a constitucionalidade do financiamento alemão desse fundo.

Mas os juizes deram um veredicto favorável. Novos aportes de recursos, no entanto, deverão ser avalizados pelo Parlamento. O mecanismo disporá de 700 bilhões de euros, dos quais 190 bilhões serão bancados pela Alemanha.

Sem a contribuição de seu maior patrocinador, o fundo não teria capital suficiente para aplacar a crise financeira. Por isso, tão logo a corte proferiu sua decisão, a chanceler Angela Merkel festejou: “Não saímos da crise, mas demos um grande passo. É um grande dia para a Alemanha e para a Europa. Demos um sinal veemente de nossa responsabilidade como a maior economia da Europa”".

O começo da futura integração bancária

Ainda na semana passada, a Comissão Europeia lançou as bases para unificar a supervisão do sistema financeiro, um primeiro passo rumo à integração bancária. Hoje, apesar de a moeda ser comum e de a autoridade monetária estar a cargo do Banco Central Europeu (BCE), boa parte da fiscalização e da regulamentação é feita localmente, em cada país, ocasionando assimetrias dentro do bloco.

Fundamental também para a recuperação da confiança no euro foi a determinação do BCE de comprar títulos públicos dos países que enfrentam dificuldades para se financiar com investidores privados. “Estamos preparados para fazer aquilo que for necessário para preservar o euro”, havia afirmado Mario Draghi, presidente do BCE, no fim de julho. “Acreditem em mim, será suficiente.”

A resolução do italiano, com o respaldo de Merkel, deu resultado: o euro recuperou valor e as bolsas subiram aos níveis mais altos em quatro anos.

Mais importante, diminuiu a percepção de risco em relação aos chamados países da periferia do euro. Até poucas semanas atrás, a taxa de juros cobrada pelos investidores para comprar títulos da Espanha e da Itália superava 8%, um índice considerado insustentável para as finanças desses países e bem acima da taxa cobrada da Alemanha (abaixo de 2%), embora os países compartilhem da mesma moeda.

Agora os juros dos títulos espanhóis e italianos, assim como os de Portugal e da Irlanda, estão em trajetória de queda. A taxa para a Itália caiu para menos de 5%. A Espanha, que tinha dificuldade para vender seus títulos, poderá talvez seguir de pé com as próprias pernas e deverá escapar da necessidade de recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Contribuiu para a melhora dos humores, também, a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de manter a sua taxa de juros próxima a zero até meados de 2015 e seguir aumentando a liquidez de dólares nos mercados mundiais.

A derrocada do euro teria efeitos inimaginávedis — prevaleceu o bom senso

É verdade que espanhóis e portugueses ainda sofrem com uma recessão profunda, para não falar da Grécia. Não há sinais de recuperação na atividade, e as taxas de desemprego seguem exasperadoras. Mas as especulações sobre o fim do euro cessaram. Os boatos e cenários catastrofistas vicejaram enquanto a Alemanha impunha barreiras ao socorro de seus parceiros no euro.

No fim, prevaleceu o pragmatismo — uma qualidade tão alemã quanto o puritanismo. A derrocada da moeda única teria efeitos inimagináveis sobre o sistema financeiro e os mercados. A Alemanha, como credora desses países, sofreria perdas consideráveis. Além disso, praticamente metade das exportações alemãs tem a Europa como destino. A saída foi ceder e agir para evitar um prolongamento da crise, ainda que exigindo, como garantia, um duro plano de ajuste financeiro na periferia do euro.

Muitos economistas seguem questionando a viabilidade do euro. Mas a criação da moeda única, para além de questões econômicas, foi motivada por razões políticas. Seu futuro, portanto, dependerá da determinação política de seus líderes de superar as barreiras atuais e as que surgirão à frente.

08/09/2012

às 15:14 \ Disseram

Herança de Lula: bendita para uns, maldita para outros

“Recebi do ex-presidente Lula uma herança bendita. Não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob a ameaça de apagão.”

Dilma Rousseff, presidente da República, respondendo a FHC, que em artigo nos jornais afirmou que a presidente recebeu de Lula uma herança “pesada como chumbo”

07/09/2012

às 12:00 \ Vasto Mundo

Boa leitura para o feriadão (1) — O primeiro-ministro de Portugal: “Nosso objetivo é tirar o Estado da economia, acabar com o Estado patrão, dono de empresas. Pretendemos atrair capital novo e deixar atuar a livre iniciativa”

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Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal: "As medidas de austeridade que estamos adotando não são a origem do problema. São parte da solução" (Foto: Mario Proença / Bloomberg / Getty Images)

O ESTADO NO SEU DEVIDO LUGAR

 

(Entrevista a Duda Teixeira, publicada na edição impressa de VEJA)

 

O primeiro-ministro de Portugal vê na crise a oportunidade para fazer reformas. Ele vai cortar os benefícios sociais de quem não precisa, privatizar estatais e abrir a economia

Para muitos economistas, Portugal está a caminho de se tornar, depois da Grécia, a próxima nação da zona do euro a afundar. A taxa de desemprego é de 15%, superior à média europeia, e o PIB deve encolher 3% em 2012.

O desafio de Pedro Passos Coelho, de 47 anos, primeiro-ministro português, no cargo desde junho de 2011, é reduzir a dívida e os gastos públicos e, ao mesmo tempo, tirar o país da recessão.

Antes de Coelho assumir, Portugal só se salvou da quebra por receber um pacote de ajuda externa no valor de 78 bilhões de euros, um terço do que foi obtido pela Grécia. Com voz de barítono, que usava para cantar fados em ocasiões privadas, Passos Coelho falou a VEJA na residência oficial do chefe de governo, o Palácio São Bento, em Lisboa.

 

O governo brasileiro quer encarecer e dificultar a importação de vinhos, incluindo os portugueses, para beneficiar os produtores da Serra Gaúcha. Qual sua opinião sobre isso?

O protecionismo, por mais que pareça dar oportunidades imediatas aos grupos nacionais, é pouco eficiente a médio e longo prazo. Quando se diminui a exposição do país à competição externa, os consumidores são obrigados a pagar um preço mais elevado por um determinado nível de consumo ou de realização de serviços.

Ora, se uma parte desse gasto for liberada para a compra de outro produto ou para investimentos, a economia no seu conjunto ganhará mais. Portanto, mais vale privilegiar a competição internacional do que proteger os nossos campeões internos.

 

O que o senhor diz aos portugueses que culpam a chanceler alemã Angela Merkel e o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy pela crise europeia?

Esse é um clichê muito difundido na imprensa. O fato de Alemanha e França procurarem soluções para a crise resultou na ideia errônea de que eles eram de certa forma responsáveis ou até beneficiários dessa situação.

Nada mais exagerado.

Primeiro porque, apesar de serem os líderes de duas das principais economias europeias, as decisões finais sobre os rumos do bloco são tomadas por um comitê mais amplo de chefes de governo e de Estado. Segundo, a situação adversa que Portugal vive hoje não veio em consequência das decisões de Merkel ou de Sarkozy.

Os desequilíbrios existentes em Portugal são resultado de más decisões tomadas por nós mesmos. Usamos mal o dinheiro, selecionamos mal os projetos de obras públicas, aumentamos os impostos para gastar em serviços de pouco valor, não flexibilizamos suficientemente o mercado de trabalho, não abrimos a economia…

Os líderes europeus não agravaram nossos problemas. Ao contrário, eles nos ajudaram a encontrar uma saída para eles.

 

Sarkozy e Merkel se reúnem em Bruxelas para conversar sobre a crise na UE (Fabrizio Bensch/Reuters)

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel: "os líderes europeus não causaram nem agravaram os problemas de Portugal. Os responsáveis foram nós mesmo, os portugueses" (Foto: Fabrizio Bensch / Reuters)

 

A Grécia está imersa no caos social e ainda negocia para não pagar uma parte de sua dívida. Toda a ajuda em dinheiro vinda de fora parece não ser suficiente para equilibrar as contas e superar a recessão. Alguns analistas dizem que Portugal será a próxima Grécia. Qual o risco de isso ocorrer?

Nosso país tem adotado medidas que a comunidade internacional e a União Europeia consideram bem-sucedidas. Corrigimos algumas deficiências em tempo recorde. Internamente, fizemos um acerto duro nos gastos públicos.

Apesar de a crise econômica ter reduzido a nossa receita tributária e aumentado as nossas despesas com benefícios sociais para os desempregados, conseguimos cortar o déficit estrutural em 4 pontos porcentuais.

Externamente, reduzimos o déficit na balança de pagamentos. Nesse quesito, alcançamos em dezembro de 2011 uma meta que todos esperavam ser possível atingir apenas em dezembro de 2012. Essa conquista ocorreu não apenas por causa da nossa política de austeridade, mas sobretudo porque os setores exportadores, como o têxtil e o automotivo, tiveram um desempenho superior ao previsto.

O turismo, que representa 10% do PIB, também foi muito bem. Até 2013 vamos atingir o equilíbrio nas contas externas. Isso dá aos mercados uma sensação de estabilidade e de confiança em relação a nós. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

04/08/2012

às 14:00 \ Tema Livre

A superpolêmica socióloga Catherine Hakim: “Acho justo que as pessoas bonitas ganhem mais do que as outras”

"A maioria das mulheres não almeja a independência financeira. A utopia feminina moderna é ser uma dona de casa à toa" (Foto: Emiliano Capozoli)

"A maioria das mulheres não almeja a independência financeira. A utopia feminina moderna é ser uma dona de casa à toa" (Foto: Emiliano Capozoli)

(Publicado em VEJA de 25 de julho de 2012, por Nathália Butti)

 

Catherine Hakim

“ELAS QUEREM UM MARIDO RICO”

 

A socióloga inglesa Catherine Hakim diz que não há igualdade entre os sexos e incentiva as mulheres a usar todos os seus atributos para ascender na carreira

 

Pesquisadora da London School of Economics por duas décadas e uma das mais respeitadas estudiosas da inserção feminina no mercado de trabalho, a socióloga inglesa Catherine Hakim, de 64 anos, tornou-se uma das principais expoentes do novo feminismo europeu – uma espécie de feminismo às avessas.

As ideias defendidas por ela e por suas colegas – a maioria intelectuais francesas e alemãs – chocam por sua simplicidade e incorreção política. Igualdade entre os sexos? Bobagem. Marido? De preferência, rico. Barriga de aluguel? Um fluxo de receita inexplorado.

Autora de dezesseis livros, com uma respeitável carreira no governo inglês no currículo (atuou como pesquisadora e foi consultora de vários ministros), Hakim compilou suas teses excêntricas no recém-lançado Capital Erótico (Ed. Best Business; 336 páginas; 49,90 reais).

O tema central do livro é a importância da beleza na ascensão profissional das mulheres. Justifica a autora: “O feminismo radical deprecia o encanto feminino. Por que não encorajar as mulheres a aproveitar-se dos homens sempre que puderem?”.

 

Beleza e carreira

“Aristóteles já dizia que a beleza é melhor do que qualquer carta de apresentação. As vantagens de uma boa aparência podem ser percebidas desde a infância. Pesquisas revelam que 75% das crianças que se encaixam nos padrões de beleza aceitos universalmente, como um rosto simétrico, são julgadas como corretas e cativantes, enquanto só 25% das que não têm essas características são vistas dessa forma. Presume-se que os belos são mais competentes – e eles são tratados como tal. Atratividade e beleza são fundamentais para a ascensão profissional das mulheres nas sociedades modernas.”

 

Os mais belos devem ganhar mais

“Inteligência e beleza são duas habilidades necessárias para o sucesso e muito semelhantes entre si: metade é hereditária, metade é resultado de investimentos de tempo e esforço. Não existe diferença moral entre a aparência e a inteligência. Acho justo que os mais belos ganhem mais. É frequente presumir que quaisquer benefícios concedidos a pessoas atraentes são desmerecidos e injustos. Quando se fala em sucesso, ninguém duvida do mérito dos inteligentes nem questiona a exclusão dos ignorantes. Por que não recompensar também quem se destaca pela aparência, sendo ela natural ou conquistada?”

 

"Beleza extrema é algo raro, um item de luxo. Nem todo mundo nasce Elizabeth Taylor" (Foto: Acervo / Exame.com)

"Beleza extrema é algo raro, um item de luxo. Nem todo mundo nasce Elizabeth Taylor. Quem não tirou a sorte grande deve aprimorar o seu poder de atração" (Foto: Acervo / Exame.com)

 

As feias que me perdoem

“Beleza extrema é algo raro, um item de luxo. Nem todo mundo nasce Elizabeth Taylor. Quem não tirou a sorte grande deve aprimorar o seu poder de atração. Na França, é comum o conceito de Belle Laide, a mulher feia que se torna atraen­te graças à forma como se apresenta à sociedade e ao seu estilo.

Christine Lagarde, a diretora do Fundo Monetário Internacional, o FMI, é um exemplo de mulher que não ostenta a beleza clássica, mas é extremamente atraente. Tem personalidade, carisma, charme e boas maneiras. Se você não é bonito, por favor, vá à luta. Cultive um belo corpo, aprenda a dançar, desenvolva habilidades. E distribua sorrisos.

Como Marilyn Monroe sempre soube, o mundo sorri de volta para quem sabe sorrir. O sorriso é um sinal universal de acolhimento, aceitação e contentamento em relação aos demais. Torna a todos mais atraentes.”

 

Os tipos de feminismo

“O feminismo é uma ideologia abrangente, contém muitos elementos adversos. Há escritoras radicais que adotam o feminismo-vítima, no qual as mulheres sempre saem perdendo. Outras, como Camille Paglia, insistem que o feminismo impõe responsabilidades às mulheres, de forma que elas não podem culpar os homens todas as vezes que algo der errado em sua vida pessoal ou em sua carreira.

Tenho ao meu lado as intelectuais francesas e as alemãs. De maneira geral, elas reconhecem e valorizam o capital erótico das mulheres. As anglo-saxãs repudiam esse conceito. Elas rejeitam tudo o que está relacionado ao sexo e ao prazer e têm aversão à beleza.”

 

Igualdade entre os sexos

“O mito feminista da igualdade dos sexos é tão infundado quanto a afirmação de que todas as mulheres almejam a total simetria nos papéis familiares, emprego e salário. As feministas insistem que a independência financeira é necessária para a igualdade em casa.

Argumentam ainda que a maior parte das mulheres é carreirista, como os homens, e detesta ficar em casa para criar os filhos. Diversos estudos indicam o contrário. A maioria das mulheres prefere ficar em casa em tempo integral quando as crianças são pequenas, pelo menos até elas começarem a frequentar a escola. Um parceiro bem-sucedido torna essa opção mais viável.”

 

Belle Laide: sem beleza estupensa, Christine Lagarde esbanja simpatia, (Foto: Julien M. Hekimian / Getty Images)

Sem beleza estupensa, Christine Lagarde, chefona do FMI, "esbanja personalidade, carisma, charme e boas maneiras" (Foto: Julien M. Hekimian / Getty Images)

 

O marido ideal

“Tornar-se uma dona de casa `à toa’, em tempo integral, é uma utopia moderna para a maioria das mulheres. Em estudos realizados em todo o mundo, quando questionadas sobre as características mais valorizadas em um parceiro, as mulheres afirmam preferir homens com recursos, condição que viabiliza a permanência delas no lar.”

 

Ter ou não filhos

“Dizer que a mulher é pouco feminina ou não verdadeiramente realizada se ela não tem filhos é difundir um mito patriarcal. Os homens sem filhos raramente são criticados desse modo. Não há nada de errado com a mulher que não quer ser mãe. É cada vez maior o número de europeias que abdicam da maternidade, principalmente na Alemanha e na Inglaterra.”

 

Déficit sexual masculino

“Desejo sexual é uma questão de gênero. As mulheres têm um nível mais baixo de desejo sexual, de forma que os homens passam a maior parte da vida sexualmente frustrados em vários graus. Existe um sistemático – e, ao que parece, universal – déficit sexual masculino.

Os homens geralmente querem muito mais sexo do que conseguem, em todas as idades. Assim, a capacidade de atração sexual feminina perante os hormônios deles pode ser uma ferramenta valiosa de que as mulheres se beneficiem.

Os homens sempre exploraram as mulheres, razão pela qual o feminismo foi necessário. Nós, mulheres, deveríamos explorar qualquer vantagem que temos sobre os homens, sempre que possível.”

 

Barriga de aluguel

“Se os homens pudessem produzir bebês, essa seria uma das maiores ocupações pagas do mundo. As leis foram inventadas pelos homens para o interesse deles próprios, e não incluem os interesses femininos. Muitas vezes, a legislação impede que as mulheres recebam integralmente os lucros de seus talentos, com valor comercial adequado. A barriga de aluguel, por exemplo, é um fluxo de receita inexplorado e do qual nós, mulheres, podería­mos nos beneficiar.”

 

Marilyn Monroe sempre soube, o mundo sorri de volta para quem sabe sorrir (Foto: MUBE / Divulgação)

"Marilyn Monroe sempre soube: o mundo sorri de volta para quem sabe sorrir: (Foto: MUBE / Divulgação)

Pelo fim da hipocrisia

“Sou uma feminista convicta. Sempre busquei o melhor para as mulheres. Dediquei mais de duas décadas de minha carreira a responder a uma questão: por que as mulheres raramente são as heroínas? Há quem não me entenda, mas o que ofereço é uma nova perspectiva feminista, sem hipocrisia.

Muitos dos escritos feministas modernos conspiram a favor das perspectivas chauvinistas masculinas ao perpetuar o desprezo pela beleza e pelo sex appeal das mulheres. O feminismo radical deprecia o encanto feminino. Por que não estimular a feminilidade em vez de aboli-la?”

 

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