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Greve dos caminhoneiros: quem pagará pelos fretes?

Pedido dos caminhoneiros acatado pelo governo insatisfaz demais categorias e terá consequências para o consumidor final

Por Da Redação 15 jun 2018, 20h10

O tabelamento dos preços de fretes foi um dos pedidos feito pelos caminhoneiros e atendido pelo governo federal para encerrar a greve, que durou onze dias e causou uma séria crise de abastecimento em todo o país. Alvo de diversos processos na Justiça, a medida afetou pelo menos três setores: ruralistas, exportadores e a indústria de bebidas. Segundo o advogado José Del Chiaro, especialista em defesa da concorrência, o tabelamento pode ser vantajoso, num primeiro momento, para o segmento que é beneficiado, mas, no final, até ele será prejudicado.

“Essa conta já está chegando”, de acordo com Del Chiaro, à medida que algumas empresas estão paradas por falta de insumos e outras analisam a possibilidade de cortes de funcionários para arcar com os novos custos. Essas consequências, de acordo com ele, serão repassadas para os consumidores e atingirão, consequentemente, o governo — porque arrecadará menos.

“O tabelamento é uma intervenção muito forte em cima das regras do mercado”, explica Del Chiaro à jornalista Nicole Fusco. Enfraquecido, o governo não teve capacidade para negociar com os caminhoneiros e cedeu, segundo ele. “[O tabelamento de preços] sinaliza mais um desespero do governo do que uma decisão técnica”, afirma. “Existem instrumentos legais para se combater esse tipo de ameaça, mas faltou ao poder Executivo capacidade de negociação. A nossa autoridade se esvaiu”, conclui.

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