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Frédéric Martel: há uma guerra civil de ‘rainhas’ no Vaticano

O escritor francês, autor de ‘No Armário do Vaticano’, fala de como uma cultura homossexual influenciou toda a história da Igreja

“O celibato não funciona, a castidade não funciona, e a crise do abuso sexual mostra que há algo de errado no Vaticano”. Assim o jornalista francês Frédéric Martel – referência da comunidade LGBTQ+ europeia, e gay – resume um dos motivos dele ter publicado seu último livro, “No Armário do Vaticano”. Fruto de quatro anos de trabalho, com apoio de 80 pesquisadores, a obra trata da homossexualidade do clero e de abusos sexuais acobertados pelo Vaticano desde o reinado de Paulo VI. Lançado simultaneamente em diversos países no início do ano, “No Armário do Vaticano” chegou recentemente às livrarias brasileiras, pela editora Objetiva.

Em entrevista a VEJA, Martel associa o que chama de “cultura de segredos” do Vaticano a muitos erros, incluindo os de teor criminoso, consequentes de tomadas de decisões de papas, cardeais, bispos, padres. Em seu livro, escreve que há uma “guerra entre gays dentro da Igreja”, que estaria por trás das “motivações secretas que levaram Paulo VI a proibir métodos contraceptivos, a rejeição de camisinhas e a obrigação do celibato no clero; a guerra contra a ‘teologia da libertação’; os escândalos do Banco do Vaticano; a decisão de proibir camisinhas como forma de combate à Aids; a resignação de Bento XVI; a rebelião contra Papa Francisco”.

Em outubro, entre os dias 6 e 27, o escritor acredita que o Papa Francisco abordará o assunto, em especial pela ótica da reflexão em torno do fim do celibato, ao longo do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica. No evento, além de falar de nativos da Amazônia, e da preservação da floresta, aposta-se que o Vaticano tratará também de outros tópicos polêmicos. Como a maior presença de vozes femininas na Igreja, assim como a questão da homossexualidade.

“É preferível que o padre tenha um namorado ou namorada, do que toque uma criança”. Essa é a conclusão ao qual Martel espera que os sacerdotes cheguem. Para o jornalista, padres deveriam desistir da ideia do celibato para conseguirem lidar melhor com a própria sexualidade e, assim, não acabar por se manifestar em excesso e descontrole, por vezes com abusos e assédios. “Na história já sabemos que papas foram casados, tiveram amantes, e tinham cardeais como amantes”, ressalta Martel, ao destacar a hipocrisia que perpassa uma parcela da instituição católica.

Na entrevista a VEJA, Martel ainda opina sobre posições do atual Papa – que já disse, em reportagem de uma publicação italiana, que leu “No Armário do Vaticano”, e aprovou a veracidade do conteúdo. Além disso, explica porque os sacerdotes mais conservadores costumam ser homossexuais. Assim como não tem receio de analisar diversos outros temas polêmicos que giram em torno do momento atual da Igreja. Confira tudo no vídeo no início deste texto.

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  1. Paulo Bandarra

    Não adianta acabar com o celibato que a farsa continua a mesma.

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  2. Paulo Bandarra

    Não vai se tornar verdade o que é mentira.

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  3. Marco Antonio Barbeito

    mPaulo VI foi o Papa que mais atuou e condenou publicamente qualquer indício de homossexualismo no Vaticano. Eu me lembro perfeitamente.

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  4. Marco Antonio Barbeito

    O O Papa Paulo VI foi o que mais condenou publicamente quaisquer indícios de homossexualismo no Vaticano. Eu me lembro perfeitamente, como se hoje fosse.

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  5. Esqueceram das freiras e suas orgias nos conventos.

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