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Os desafios de Israel aos 70 anos

O editor de internacional Duda Teixeira entrevista Michel Gherman sobre a celebração no estado judeu e comentam por que até agora não há um estado palestino

Por Da Redação - Atualizado em 24 abr 2018, 20h41 - Publicado em 24 abr 2018, 20h40

Em 1948, poucos meses após a declaração da Organização das Nações Unidas (ONU) a favor da criação de dois estados na região da Palestina, fundou-se o Estado de Israel. Na época, poucos acreditavam que a iniciativa iria prevalecer. Descontentes com a criação deu um país tão distinto em uma esquina do Oriente Médio, Egito, Líbano, Iraque e Síria invadiram o recém-criado país.

Hoje, setenta anos depois, Israel é uma realidade. Entre os países árabes, Egito e Jordânia já assinaram tratados de paz. Boatos dão conta de que a Arábia Saudita seria o próximo.

Dentro do país, desenvolveu-se uma democracia e com amplo debate. O título de “estado judeu e democrático” parece carregar uma contradição, uma vez que a princípio não aceitaria ninguém “não judeu”. A expressão, contudo, não é usada apenas no caráter religioso, segundo o historiador Michel Gherman, professor da UFRJ e colaborador do Instituto Brasil-Israel (IBI).

“A revolução do sionismo é justamente a ideia de que a identidade judaica não é exclusivamente religiosa. O movimento sionista é um movimento pela autodeterminação do povo judeu e se constrói a partir da presença nacional do povo judeu. Quando falamos de estado judeu, não estamos falando do judaísmo a partir da lógica religiosa, mas a partir de uma consolidação nacional de identidade”, diz Gherman.

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Gherman também comenta por que até agora não se fundou um Estado palestino. “Grande parte dos israelenses esperava que a gente pudesse efetivamente estar comemorando 70 anos de dois estados vivendo em paz, em segurança e prosperidade um ao lado do outro. A decisão histórica dentro do movimento sionista de aceitar um estado palestino não foi acompanhada pela partilha do lado palestino, do lado árabe. Isso criou um imbróglio, uma situação contraditória, o que cria a grande condição que vivemos até hoje no conflito palestino-israelense”.

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