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“Ilha dos Cachorros”: uma animação (linda) contra a tirania

Acompanhe o 'Em Cartaz' com a colunista de VEJA Isabela Boscov

Por Da Redação, Isabela Boscov - Atualizado em 19 Jul 2018, 18h33 - Publicado em 19 Jul 2018, 18h31

No ‘Em Cartaz‘ dessa semana a colunista de VEJA Isabela Boscov fala sobre a estreia da semana: Ilha dos Cachorros. O soturno prefeito Kobayashi, descendente de um clã que adora gatos, encontra o pretexto perfeito para expulsar de Megasaki todos os cães: o temor de que eles comecem a transmitir a gripe canina e a febre do focinho para a população.

Exilados num lixão flutuante perto da cidade, cães de família e vira-latas são obrigados a disputar restos de lixo, e têm tempo de sobra para pensar: por que seus donos os largaram assim com tanta facilidade, e como as coisas chegaram a esse ponto? (Os diálogos são excelentes, e as vozes, mais ainda: de Bryan Cranston, Edward Norton, Jeff Goldblum, Bill Murray, Scarlett Johansson, Tilda Swinton etc.)

Nem todos, porém, odeiam os cães. O garoto Atari, de 12 anos, sobrinho do prefeito, sofre com a ausência de seu adorado Spots, e vai procurá-lo na Ilha do Lixo – o que o leva ao encontro com Chief, um vira-lata arredio, antissocial e cheio de ressentimento. O diretor Wes Anderson, de filmes maravilhosos como Os Excêntricos Tenenbaums, Moonrise Kingdom e O Grande Hotel Budapeste, faz em Ilha dos Cachorros a sua segunda experiência com animação (a primeira foi o genial O Fantástico Sr. Raposo, de 2009), e o resultado é de babar – sem trocadilho.

Com um visual que transborda de detalhes e congrega tudo que se fez na produção visual japonesa nos últimos séculos – da gravura em bloco de madeira ao animê –, e com uma história de amor e abandono que dói até lá no fundo do coração, Ilha dos Cachorros é um lindíssimo e comovente apelo contra a tirania, a divisão e a segregação.

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