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WhatsApp vira alvo de spammers no Brasil

Serviços que espalham mensagens indesejadas pelo aplicativo viraram negócio lucrativo e devem crescer nos próximos meses

Por Guilherme Pavarin 8 fev 2015, 11h06

Se você é um dos mais de 45 milhões de brasileiros que usam o WhatsApp, é bem provável que tenha recebido nas últimas semanas ao menos uma mensagem de número desconhecido oferecendo algum produto, serviço ou promoção.

A prática, conhecida desde as eleições do ano passado, quando candidatos usaram a plataforma para espalhar “santinhos virtuais”, é cada vez mais corriqueira, de acordo com levantamento do analista de segurança do Kaspersky Lab, Fabio Assolini. “Por ser gratuito, o WhatsApp substituiu o SMS na vida dos brasileiros”, diz. “A lógica é que quem espalha o spam mude de plataforma também, o que significa que as propagandas indevidas continuarão crescendo no WhatsApp à medida que o usamos mais.”

Hoje, segundo o analista, há diversos serviços pagos que possibilitam o envio de mensagens em massa por meio do aplicativo. Sob o nome de “agências”, programadores oferecem o disparo de conteúdos em áudio, texto ou vídeo para milhões de pessoas que estão em seus bancos de dados. O preço varia de acordo com a quantidade de números atingidos. Como as mensagens são gratuitas e o gasto com tecnologias é pequeno, diz Assolini, a taxa de lucro é enorme.

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Um dos serviços de spam mais populares, oferecido por uma “agência” de Cuiabá, promete enviar mensagem para até dez milhões de telefones pelo app. Pela sua base de dados, o programa consegue filtrar a localização, o nome e número do usuário. O contratante pode escolher, por exemplo, atingir moradores apenas de um bairro de determinada faixa de renda.

Outra possibilidade é oferecer cupons de desconto via WhatsApp, que podem ser resgatados no estabelecimento que banca o anúncio. Segundo contato feito pelo site de VEJA com uma agência de spam, a taxa de retorno com os “spams-cupom” fica em torno de 20%; no caso do spam convencional, não passa de 2%.

Pelas redes sociais, as reclamações de usuários são frequentes. No Twitter, nas duas últimas semanas, há dezenas de relatos e capturas de tela de spams no WhatsApp vindos de lojas de móveis, corretores, pizzarias, restaurantes e até blocos de carnaval. Para Assolini, é um sinal de que o programa pode começar a sofrer rejeição no país. “Se não houver um filtro ou uma opção para bloquear mensagens de quem não está nos contatos, o serviço pode começar a perder a popularidade no Brasil”, afirma.

Spam é crime? – No Canadá e Estados Unidos, o spam é considerado crime. No Brasil não há nenhuma regulamentação a respeito do spam. A prática só é considerada criminosa se o conteúdo da mensagem for fraudulento, isto é, se houver uma tentativa de invasão da conta ou de contaminar o dispositivo do usuário.

O problema desse tipo de comércio, dizem os advogados, é que os dados usados pelos spammers são obtidos de forma ilegal. O Código de Defesa do Consumidor prevê, no artigo 43, que as empresas só podem incluir em seus cadastros as pessoas com as quais tiveram algum tipo de contato comercial – como um formulário preenchido em loja ou na internet – ou mediante solicitação. “Se as pessoas nunca tiveram contato com o estabelecimento nem solicitaram, então há uma infração”, diz Gisele Truzzi, advogada especialista em direito digital. “E é óbvio que nenhuma loja pequena teve acesso a milhões de telefones de um dia para outro.”

Achar os responsáveis pelo vazamento dos dados e provar que não foram autorizados pelos consumidores, porém, é tarefa quase impossível. Arquivos com milhões de números telefônicos são encontrados facilmente pela internet e até em barracas de camelôs.

Por ora, a única alternativa ao usuário que se sentir incomodado com o spam no WhatsApp é pedir para ser retirado do cadastro. Em caso de reincidência, diz Gisele, o usuário pode procurar o Procon. E se o Procon receber várias reclamações de uma mesma marca ou serviço, explica a advogada, o Ministério Público pode intervir e punir a empresa.

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