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Varejistas dos EUA rejeitam pagamentos com iPhone 6

Walmart e outros gigantes investem em sistema concorrente ao Apple Pay para deixar de pagar taxas a operadoras e à companhia de tecnologia

Por Da Redação - 28 out 2014, 11h07

Algumas das maiores redes de varejo norte-americanas se recusaram a adotar o Apple Pay, novo serviço de pagamentos via celular da Apple. O Walmart está entre as cerca de 50 empresas do setor que escolheram não aceitar pagamentos com o iPhone, junto com as redes de farmácias Rite Aid e a CVS HealthCorp. O Apple Pay, lançado em setembro, é um aplicativo de pagamento móvel que permite que consumidores façam transações ao aproximar o iPhone 6 ou 6 Plus de leitores instalados no caixa de lojas físicas.

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A recusa das redes em usar o Apple Pay se deve a duas razões intimamente relacionadas. Em primeiro, o fato de as empresas estarem investindo em um sistema concorrente, chamado Current C, que deve eliminar o pagamento de taxas às operadoras de cartão de crédito – Visa e Mastercard, por exemplo, cobram entre 2% e 3% do valor de cada transação realizada. O sistema está sendo desenvolvido por meio do consórcio Merchants Customer Exchange (MCX).

“A economia e os benefícios de ter seu próprio sistema de pagamentos é uma das principais razões para a rejeição”, diz Hitesh Sheth, presidente-executivo da Vectra Networks, empresa que desenvolve soluções de tecnologia da informação para o varejo.

É justamente por tentarem escapar das taxas que as operadoras rejeitam o Apple Pay (eis a segunda razão): o sistema adiciona mais um intermediário na cadeia de pagamentos, a Apple. Reportagem do jornal Financial Times publicada em setembro indicava que os varejistas teriam que pagar (mais) 0,15% para contar com o serviço da Apple. Pela mesma razão, os varejistas que se recusaram a adotar o Google Wallet, similar ao Apple Pay.

A Apple tentou minimizar o problema durante uma conferência realizada pelo jornal americano The Wall Street Journal. Tim Cook, CEO da Apple, anunciou que mais de 1 milhão de consumidores já registraram seus cartões de crédito no Apple Pay nas primeiras 72 horas após o início da operação do serviço, na semana passada. “Muitas outras empresas vão entrar (no serviço). Vamos negociar com muitos bancos, por exemplo, além de expandir o serviço para o resto do mundo”, disse Cook.

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“Estamos desapontados com o fato de tanto a Rite Aid como a CVS decidirem impedir seus consumidores de usar o método de pagamento que escolherem”, disse Jim Issokson, porta-voz da Mastercard. O porta-voz do Walmart, Randy Hargrove, afirmou que a empresa está focada no MCX por ser um dos “pesos-pesados” do consórcio. A Target, por outro lado, disse que continuará a apoiar o MCX, mas permitirá que os usuários façam compras em sua loja virtual utilizando o sistema da Apple.

A Apple não divulgou quando o iPhone 6 e o Plus chegarão ao Brasil, nem quando o Apple Pay estará disponível para os usuários brasileiros. Segundo fontes do setor, a companhia negocia a operação local do serviço com bancos e já existem mais de 1 milhão de pontos de venda com infraestrutura para aceitar pagamentos por meio da tecnologia NFC. O chip necessário para autorizar as transações só está presente nas versões mais recentes do smartphone da Apple, anunciadas em setembro.

A rede de parceiros do Apple Pay conta com os 11 maiores emissores de cartão de crédito nos EUA, responsáveis por 83% do mercado, além de varejistas como a rede de fast-food Mc Donald’s e as farmácias Walgreens. No total, os consumidores americanos podem fazer pagamentos com o iPhone em mais de 220.000 lojas.

(Com agência Reuters)

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