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Usuários podem decidir como Facebook usará seus dados

Cadastrados podem votar até a próxima segunda-feira na rede social

Por Rafael Sbarai 4 dez 2012, 13h28

Quatro dias após ser alvo de críticas por promover mudanças na política de uso de dados dos usuários, o Facebook recuou. Na noite desta segunda-feira, a rede social abriu um novo espaço de votação para definir como o serviço poderá usar as informações dos mais de 1 bilhão de cadastrados. Para ser válida, a consulta precisa contar com a participação de mais de 300 milhões de votos até as 18h (horário de Brasília) da próxima segunda-feira. Os usuários devem optar por uma das duas políticas de uso de dados: a atual ou a proposta pelo Facebook. Se a maioria dos participantes escolher manter o modelo vigente, a empresa sofrerá um de seus maiores reveses, perdendo a oportunidade de combinar dados privados provenientes da rede e de outros serviços de sua propriedade, como o Instagram.

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A proposta de mudança na política de privacidade da rede social, cujo prazo para discussão foi encerrado no último dia 28, pretende introduzir sutis modificações em duas áreas que regem o funcionamento do site: a declaração de direitos e responsabilidades (DDR) e a documentação que trata do uso de dados dos cadastrados.

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No documento relativo à DDR, a companhia prevê a eliminação das votações em que os usuários analisam propostas de mudanças apresentadas pelo site, suprimindo quatro dos seis itens presentes no artigo 14. De acordo com a companhia, o modelo, introduzido em 2009, não obteve sucesso. De fato, a última consulta do tipo, realizada em junho, atraiu pouco mais de 340.000 usuários – 0,038% da base de usuários da rede à época, ou quase nada. A solução, segundo a companhia, foi deixar em aberto apenas espaços de comentários. Não ficou claro, contudo, se esses comentários teriam força suficiente para mudar alguma coisa.

A proposta provocou gritaria virtual. A Electronic Privacy Information Center (Epic), organização sem fins lucrativos cuja missão é proteger os direitos de privacidade dos usuários na internet, enviou uma carta endereçada ao CEO e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, exigindo o retorno dos itens suprimidos do artigo 14. Queria, assim, a volta das consultas aos usuários.

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A companhia cedeu, abrindo espaço para perguntas-e-respostas e, assim, mostrar quais são suas intenções: “Nossa meta ao modificar o processo de governança do nosso site é nos certificar de que seus comentários sejam recebidos da melhor e mais produtiva forma possível e assim respondidos”, explica o texto. “Muitos de vocês nos enviaram ideias sobre como podemos continuar atingindo nosso objetivo. Nós concordamos e iremos incorporar suas sugestões, criando novas ferramentas para aprimorar a comunicação sobre privacidade e governança no Facebook.”

Se o Facebook sair derrotado da consulta, pode perder a oportunidade de potencializar a receita obtida com anúncios, o que seria alcançado a partir da combinação de dados de usuários provenientes de todas as suas plataformas. Em março, o Google utilizou a mesma estratégia ao unificar os termos de uso de mais de 60 produtos da companhia. Com isso, Gmail, YouTube e Google Maps, entre outros, passaram a obedecer um único conjunto de regras. A diferença é que a medida foi imposta aos usuários. Agora, os adeptos do Facebook têm a chance de decidir. Em pouco mais de um dia, quase 60.000 pessoas já participaram da votação: 91% querem a manutenção dos termos de uso.

Confira a página dedicada à votação:

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