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Tinta branca ajuda a determinar origem de obras dos mestres holandeses

Estudo da Universidade de Vrije, em Amsterdã, mostra como o chumbo usado no pigmento pode servir como ferramenta de autenticação de pinturas

Por Alessandro Giannini 17 dez 2021, 18h24

Cientistas da Universidade de Vrije, em Amsterdã, na Holanda, realizaram um estudo que mostra como a tinta branca de chumbo, usada em pinturas desde a antiguidade até o século XX, pode determinar quando e onde as obras foram feitas e, assim, confirmar sua autenticidade. Trata-se de um pigmento feito de pó à base de chumbo misturado com óleo de linhaça ou aglutinante equivalente. Uma análise química ajuda a determinar a origem geográfica do minério, a partir do rastreamento das rotas comerciais por onde passou.

Publicada no início de dezembro na revista científica Science Advances, a pesquisa analisou 77 pinturas de 27 artistas holandeses. Os pesquisadores da VU e os conservadores dos museus holandeses Rijksmuseum, em Amsterdã, e Mauritshuis, em Haia, coletaram amostras de branco de chumbo de pinturas autenticadas da chamada Era de Ouro, com data de produção conhecida. Durante este período, artistas como Frans Hals, em Haarlem, e Rembrandt van Rijn, em Amsterdã, produziram arte financiados por mecenas endinheirados. As análises revelam mudanças significativas na composição isotópica do chumbo usado nos pigmentos brancos no início, meados e final do século XVII.

Os mestres holandeses tinham preferência pelo “branco de chumbo”, usada para iluminar e definir suas composições, em dramáticos contrastes de luz e sombras. Os cientistas associaram essas mudanças ao uso de diferentes fontes de chumbo em resposta a eventos sócio-políticos históricos. Por exemplo, o período de 1642-47 coincide com a Guerra Civil Inglesa, quando a demanda aumentou e a produção do minério na Inglaterra, o maior produtor europeu na época, foi significativamente prejudicada. Após a década de 1670, os conflitos entre ingleses, holandeses e franceses causaram, sem dúvida, alteração nas rotas do minério.

As mudanças observadas permitem a identificação de grupos artísticos específicos que estavam ativos em regiões onde diferentes fontes de chumbo eram usadas para produzir o pigmento. O estudo também mostra como a análise química pode ser usada para diferenciar entre as primeiras e as últimas obras de um artista. Pinturas de F. J. Post, D.D. van Santvoort e Rembrandt registram diferentes composições em seus primeiros e últimos trabalhos. Esse controle será útil para historiadores de arte examinarem a escala de tempo para o desenvolvimento da obra de um artista.

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