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“Queremos histórias autênticas de pessoas comuns”, diz executiva do Instagram

Rede amplia esforços para estimular usuários a compartilhar melhores fotos

Por Claudia Tozetto - 22 dez 2013, 13h46

O Instagram, serviço de compartilhamento de fotos e vídeos, promoveu na semana passada o primeiro encontro oficial de usuários no Brasil. O Instameet, como é chamado o evento, reuniu cerca de trinta cadastrados em um piquenique na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, onde os usuários tiveram a oportunidade de fotografar o pôr do sol e trocar experiências sobre as imagens compartilhadas com seus seguidores. O encontro faz parte da estratégia da rede social para manter a relevância do conteúdo compartilhado a despeito do crescimento exponencial no número de usuários – em setembro, o número bateu em 150 milhões de pessoas. Por isso, o pequeno grupo de brasileiros foi acompanhado de perto por Bailey Richardson, gerente de comunidade do Instagram nos Estados Unidos, responsável justamente por escolher quem, em solo nacional, terá a função de liderar o trabalho da rede social junto aos usuários. Em entrevista exclusiva ao site de VEJA, Bailey falou sobre os planos para expandir a rede social no Brasil, que está entre os cinco países com maior número de usuários no serviço. Para ela, a estratégia é simples: é preciso estimular cadastrados a contar histórias originais com suas imagens. Isso atrairá mais gente e, assim, o vigoroso crescimento do serviço se manterá. “Sabemos, por exemplo, que Neymar será destaque da Copa do Mundo, uma estrela para o qual todos os olhos estarão voltados. Mas e as imagens das milhares de crianças jogando futebol nas ruas? O Instagram quer essas histórias autênticas de pessoas comuns.” Confira a seguir a entrevista:

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Como foi o primeiro encontro oficial do Instagram no Brasil? Foi o primeiro, no sentido de ter sido organizado pela equipe do Instagram, mas os brasileiros já haviam realizado eventos para tirar fotos juntos. Esse encontro foi organizado com a ajuda de uma usuária que mora no Rio e já reunia pessoas para fotografar. Encontramos cerca de trinta pessoas e tivemos a oportunidade de conhecê-las e falar sobre o Instagram.

Por que a rede quer se relacionar mais com a comunidade fora dos Estados Unidos? Algum tempo depois da criação do Instagram,algumas pessoas bateram na porta do nosso escritório, em São Francisco. Elas se conheceram por meio do serviço e queriam dizer olá para os fundadores. Kevin [Systrom] e Mike [Krieger, um brasileiro] deixaram o escritório para fotografar junto com eles. Então, esses encontros fazem parte da cultura do Instagram desde o início. O produto é só um pedaço de software, mas o que torna o Instagram tão legal é o que as pessoas fazem com ele.

Quais benefícios o Instagram oferece para quem participava desses encontros? O que nós queremos é enviar um tuíte ou publicar uma postagem no blog avisando as pessoas. Vamos destacar os Instameets que vão acontecer para que as pessoas possam tirar fotos em grupo, compartilhá-las e depois falar sobre elas. Os encontros estão crescendo tão rapidamente e não temos como dar suporte a todos eles. À medida que avançarmos com o trabalho, queremos entregar kits com camisetas e adesivos para as pessoas que estão organizando os Instameets. É como se fosse um reconhecimento, algo para mostrar que estamos vendo o que elas estão fazendo em todo o mundo. É difícil fazer isso de uma forma justa com todos. O fato de tantas pessoas usarem a plataforma é um problema maravilhoso para lidar. Continue a ler a reportagem

O Instagram promoverá outros encontros na América Latina? Nesta semana, vou conhecer dois usuários em São Paulo. É um encontro menor do que no Rio, mas eu acho que o Instameet pode ser algo com centenas de pessoas ou apenas algumas pessoas por vez. Basta ter o sentido de encontrar pessoas que você ainda não conhece. É uma oportunidade de conhecer pessoas que têm uma vida que você acredita que combina visualmente com a sua. Além do Brasil, que é um dos países mais importantes para nós, estarei em Buenos Aires por dois dias. Honestamente, acho que estamos menos desenvolvidos nos países de língua espanhola, então vamos divulgar o Instagram lá também.

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Já existe uma agenda de encontros para 2014? Ainda não. Quando contratarmos o gerente de comunidade para a América Latina, a primeira coisa que vamos fazer é conhecer os usuários que já organizam reuniões no Brasil. Não queremos tomar os encontros, colocar nossa marca neles. A ideia é dar suporte para que essas pessoas continuem organizando as reuniões. Vamos continuar organizando os Instameets globais. Em geral, determinamos que faremos um encontro simultâneo em uma data e as pessoas tentam organizar seus encontros nesse dia, usando a mesma hashtag.

Você está no Brasil para recrutar uma pessoa para cuidar da comunidade local. É o primeiro funcionário do Instagram fora dos Estados Unidos? A primeira pessoa contratada para trabalhar em tempo integral para o Instagram fora dos Estados Unidos está em Londres. É mais fácil contratar alguém que fala a mesma língua e um dos maiores escritórios do Facebook [proprietário do Instagram] fica lá. Então, foi mais rápido. Mas a pessoa que será contratada no Brasil será a segunda funcionária fora dos Estados Unidos a trabalhar em tempo integral para o Instagram.

Como o trabalho com a comunidade pode impactar o Instagram no futuro? O Instagram está passando por um crescimento fenomenal, mas existe uma porcentagem pequena dos usuários que estão realmente organizados e são realmente apaixonados pela ferramenta. O mais importante é que as pessoas entendam que, não importa a escala, elas são capazes de promover encontros. Quase todo mundo que usa o Instagram segue uma pessoa que não conhece ainda. As pessoas que organizam os Instameets são nossos principais apoiadores e, se eles estão se encontrando, queremos apoiá-los para que isso continue a acontecer.

Qual o maior desafio para aumentar a comunidade do Instagram no Brasil? Nós queremos que mais pessoas no Brasil usem o Instagram. Mas essas pessoas que organizam encontros são como a fundação de uma casa para nós. Se você traz milhares de usuários que não entendem o valor que o Instagram pode trazer para a vida delas, essa fundação pode ficar fraca e o produto perde impacto. No caso do Brasil, o desafio é atrair pessoas que possam trazer valor e significado para outras. Grandes eventos vão acontecer no Brasil e o número de usuários vai aumentar, mas o que quero garantir é que teremos histórias autênticas. Eu acho que estimular isso será algo empolgante e ao mesmo tempo desafiador.

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Os brasileiros são diferentes de usuários do Instagram de outras partes do mundo? Ao contrário de outros países, como os Estados Unidos, existe um apreço raro pela comunidade no Brasil. Na Europa Ocidental, por exemplo, as pessoas são menos dispostas a encontrar quem não conhecem. A disposição dos brasileiros em confiar uns nos outros é algo único e excepcional. Ao vir ao Brasil, percebi que o Instagram faz tanto sucesso porque dá suporte para esse comportamento. Os brasileiros têm o costume de conhecer mais e mais pessoas.

Embora permita esse contato entre estranhos, o Instagram continuará a ter a vocação de uma rede social mais fechada que o Facebook? Acho que isso vai depender de como o produto vai se desenvolver. De maneira geral, as pessoas pensam muito em quem elas vão seguir. Existe algo particular no Instagram que faz as pessoas se sentirem confortáveis em parar de seguir outros usuários. Esse relacionamento é muito mais leve, ele pode mudar facilmente no Instagram. As pessoas vão, eventualmente, encontrar outras coisas pelas quais se interessam, mas ao mesmo tempo é sempre muito fácil fazer a curadoria daquela lista.

Como o Instagram Direct se encaixa nessa estratégia? Eu acho que o Instagram Direct é um recurso que as pessoas podem usar para se conectar a outras com quem já mantêm um relacionamento. Sempre ouvimos que quando duas pessoas queriam organizar alguma coisa precisavam sair do Instagram. Agora, elas podem fazer isso usando a mesma ferramenta.

Os usuários receberam bem o Instagram Direct? As pessoas que ajudaram a organizar o encontro no Rio agradeceram e estão empolgadas com o novo recurso. Elas tinham vontade de compartilhar com outras pessoas momentas que tinham significado real para ambas. Mas é um novo comportamento e acho que muitas pessoas terão que descobrir que podem fazer isso também por meio do Instagram.

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De que forma a experiência de trabalhar no Instagram mudou na sua vida? Meu trabalho tem muito a ver com tirar fotos, sair e ver o mundo. Uma das razões que me levaram ao Instagram é a possibilidade de ver pelos olhos de outras pessoas. Quando eu acordo pela manhã e vejo as fotos dos usuários que sigo, posso ver o mundo pelos olhos de alguém que está em Hong Kong ou na África do Sul. Tem algo realmente poderoso nisso e me faz ver o mundo de uma maneira diferente.

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