Quem são os brasileiros na lista da Time dos cem mais influentes em inteligência artificial
Nomes nacionais da tecnologia, inovação em saúde e ativismo social integram o ranking global promovido pela revista americana Time
A revista americana Time divulgou a lista TIME100 AI, que reúne as cem personalidades mais influentes do mundo no desenvolvimento e na aplicação da inteligência artificial. Organizado em quatro categorias — Líderes, Inovadores, Formadores e Pensadores —, o ranking busca reconhecer quem vem moldando os rumos do setor em escala global, considerando não só avanços técnicos, mas também o impacto social, econômico e ético dessas tecnologias. Entre os nomes selecionados estão quatro brasileiros: a ativista Veronyka Gimenes, o executivo Cristiano Amon, o empreendedor Mike Krieger e a farmacêutica Ana Helena Ulbrich. Juntos, eles representam frentes distintas da tecnologia, que vão de semicondutores e IA conversacional a saúde pública e combate ao discurso de ódio.
Na categoria Pensadores, a ativista Veronyka Gimenes, conhecida como “Trava Hacker”, foi reconhecida pelo trabalho à frente da ONG Código Não Binário. Ela é responsável pelo TybyrIA, modelo de código aberto criado para identificar discurso de ódio contra pessoas LGBTQIA+ em português. A ferramenta serviu de base para uma ação judicial de US$ 20 milhões movida contra Meta, Google, X e ByteDance, acusadas de permitir a disseminação desse tipo de conteúdo em suas plataformas.
Já na categoria Líderes, o executivo Cristiano Amon aparece como CEO da Qualcomm, uma das maiores fabricantes de chips do mundo. Doutor em engenharia elétrica pela Unicamp, ele comanda o desenvolvimento dos processadores Snapdragon e lidera a criação de soluções em semicondutores voltadas à inteligência artificial em smartphones, computadores e outros dispositivos inteligentes — área considerada estratégica para sustentar a expansão da IA fora dos data centers, diretamente nos aparelhos usados no dia a dia.
O paulistano Mike Krieger, formado pela Universidade Stanford, construiu carreira nos Estados Unidos e ficou mundialmente conhecido como cofundador do Instagram — rede social que nasceu do projeto Burbn e foi vendida ao Facebook em 2012 por US$ 1 bilhão. Hoje ele é diretor de produto da Anthropic, empresa responsável pela IA Claude, onde comanda a estratégia de experiência do usuário. Sob sua liderança, a companhia lançou o Claude Code, ferramenta voltada a desenvolvedores, e ampliou a integração do assistente com softwares externos, consolidando a presença do Claude no cotidiano de profissionais de tecnologia.
Na área da saúde, a farmacêutica gaúcha Ana Helena Ulbrich se destaca como cofundadora da NoHarm.ai, iniciativa sem fins lucrativos que usa inteligência artificial para revisar prescrições médicas e cruzar dados clínicos em tempo real. A tecnologia ajuda a prevenir falhas de dosagem e interações medicamentosas perigosas em mais de cinco milhões de receitas emitidas mensalmente por cerca de 200 hospitais espalhados pelo Brasil, reforçando a segurança do paciente dentro do sistema de saúde.
Ao figurar ao lado de nomes internacionais como Sam Altman, Elon Musk e Jensen Huang, os quatro brasileiros reafirmam o protagonismo do país na construção de soluções tecnológicas globais voltadas à responsabilidade social, à saúde e à infraestrutura — mostrando que a inteligência artificial pensada e desenvolvida no Brasil também ocupa espaço de destaque no debate mundial sobre o tema.







