Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Presidente da Associação de Motoristas de Táxi rebate argumentos do Uber

Para Edmilson Americano, presidente da ABRACOMTAXI, a única inovação do aplicativo é "desafiar as leis e sonegar impostos"

Na última quinta-feira (18), aconteceu em Brasília uma em audiência pública promovida pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara para discutir a legalidade do aplicativo Uber.

Além dos deputados, estavam presentes taxistas e representantes da startup americana. O debate foi acalorado, um taxista precisou ser retirado do evento e outro declarou ao jornal Folha de S. Paulo que “não há como conter a categoria” e que “vai ter morte”.

O site de VEJA procurou o taxista Edmilson Americano, presidente da Associação Brasileira de Motoristas de Táxi (ABRACOMTAXI), para que comentasse os principais argumentos pró-Uber. O mesmo foi feito com o porta-voz do Uber no Brasil, Fabio Sabba, para que rebatesse as acusações dos taxistas. Abaixo, as respostas de Americano.

LEIA TAMBÉM

Dez razões que explicam por que Uber não é táxi

Eles têm medo do Uber

O argumento do Uber: diz que não faz transporte público de passageiros, mas que conecta motoristas particulares a clientes.

A resposta: Isso não é verdade. Eles podem dar o nome que quiser, mas o Uber leva uma pessoa de um ponto a outro e cobra por isso, o que é proibido por lei. Não poderia ser diferente, se não qualquer um poderia sair transportando passageiros. Não é o Uber que decide quem pode levar quem, mas, sim, o poder público. Aliás, todo prestador de serviço precisa ter licença, algo que os motoristas do aplicativo não têm. Eles também não pagam os impostos que as cooperativos de taxi retêm, nem o INSS.

O argumento do Uber: o app não burla a lei porque não é aberto ao público. Para usar o aplicativo, o usuário tem de cadastrar cartão de crédito, que é utilizado para a cobrança.

A resposta: É claro que é aberto ao público. Basta baixar o aplicativo para ter acesso ao serviço. A legislação diz claramente: transporte remunerado individual de passageiros deve ser feito exclusivamente por carros licenciados, ou seja, taxis. Com esses argumentos, o Uber quer enganar a população e as autoridades.

O argumento do Uber: passageiros usam o app porque alguns taxistas enganam os clientes fazendo caminhos mais compridos. No Uber, os passageiros recebem o trajeto depois da corrida pelo app e avaliam o motorista. Só os bem-avaliados permanecem.

A resposta: Esse é um jogo sujo e baixo, porque eles estão tentando marginalizar toda uma categoria de profissionais. Se algum taxista fizer isso, o passageiro pode ir ao órgão da prefeitura registrar sua reclamação para que o taxista em questão seja punido. Se o taxi fizer parte de uma cooperativa, é só reclamar na administração que o caso é resolvido. Além disso, uma hora a empresa se apresenta como uma companhia de tecnologia, mas com essa declaração, mostra-se como uma de transporte. Qual dos dois é, afinal? Eu não poderia alugar um ônibus e sair prestando esse serviço sem licença, nem que oferecesse aos meus clientes banco de couro e cafezinho.

O argumento do Uber: a polêmica é natural porque se trata de uma nova tecnologia que ainda não foi regulamentada justamente por ser nova.

A resposta: Não há nada de inovador em termos de tecnologia no sistema do Uber. Eles fazem a mesma coisa que outros aplicativos, já regulados por aqui, como o EasyTaxi e o 99Taxi. A única inovação é desafiar as leis e sonegar impostos. Somos favoráveis a toda tecnologia que ajude, mas que funcione dentro da lei. Um exemplo: só os médicos têm licença para fazer receitas de remédios. Algumas vezes vamos à farmácia e desejamos que o farmacêutico nos faça esse favor, mas não pode. É claro que isso seria bom para mim, mas é ilegal. O mesmo acontece com o Uber: é um aplicativo para transporte clandestino. Eles estão zombando da legislação brasileira e de 400 000 taxistas. Mas vamos lutar pelos nossos direitos, que são garantidos por lei.

Depois da audiência, o presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Taxi de SP (Simtetaxis) disse ao jornal Folha de S. Paulo que “não há como conter a categoria” e que “vai ter morte”. Pode comentar essa afirmação? Essa é uma fala pesada, mas acredito que ele estava nervoso e foi levado pela emoção. Nós, como líderes, tentamos controlar esses episódios. Defendemos a discussão e manifestação pacíficas. Nunca houve protesto violento de táxis. Na última vez, com 3 000 carros, policiais vieram falar comigo para elogiar o nosso comportamento.