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Polo de startups em Belo Horizonte é fechado ‘para balanço’

Empreendedores de um dos principais centros tecnológicos do país encontraram o escritório trancado. Governo de Minas diz que o fechamento é temporário

Por Guilherme Pavarin 31 mar 2015, 22h15

As dezenas de empreendedores contemplados pelo SEED (Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development), o programa de apoio a startups do governo de Minas Gerais, vivem dias de despejo em Belo Horizonte: eles estão impossibilitados de entrar no escritório colaborativo da iniciativa desde a manhã desta segunda-feira, quando foram informados, por meio de e-mails e cartazes, que deveriam recolher os seus pertences. O projeto, diz o governo de Minas, está “fechado para reavaliação de gastos”.

Criado em 2013 para ser uma das principais fomentadoras de startups no Brasil, o programa surgiu com missão de selecionar 40 iniciativas por ano para serem premiadas com aulas de empreendedorismo, o escritório compartilhado e um investimento de até 80.000 reais. Até dezembro de 2014, 9,5 milhões de reais foram investidos e o SEED pôs no mercado 73 startups, que conseguiram mais de 23 milhões de reais em investimentos de empresas privadas. A fama do projeto era internacional. Publicações estrangeiras como a revista The Economist adotaram o apelido San Pedro Valley, uma junção dos nomes do bairro belorizontino São Pedro e do Silicon Valley, o Vale do Silício, na Califórnia, maior pólo tecnológico do mundo.

Ainda assim, o dinheiro e a fama no exterior não foram suficientes. Com a troca de comando no governo de Minas no início deste ano – Fernando Pimentel (PT) substituiu Alberto Pinto Coelho (PP), vice do ex-governador Antonio Anastasia (PSDB), que deixou o cargo em abril de 2014 para concorrer ao Senado -, o SEED entrou em reavaliação. O departamento responsável pelo projeto, o Escritório de Prioridades Estratégicas, foi extinto. Mais tarde, parte dos membros da equipe do programa foi dispensada e os contratos de gestão, segurança, manutenção e aluguel do imóvel foram encerrados.

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“Fomos pegos de surpresa”, afirma o empreendedor Matt Montenegro, dono de uma das startups integrantes do programa, a Beved, uma loja online de ofertas de ensino a distância. Ele afirma que ao menos sete startups que trabalhavam exclusivamente no escritório colaborativo estão sem lugar para trabalhar. “A exoneração dos antigos funcionários do programa e o despejo soaram como encerramento do programa para nós”. Outros colegas de Montenegro ouvidos pelo site de VEJA também mostraram desconfiança quanto à suspensão do projeto. Para muitos deles, ainda que o programa volte depois da reavaliação, a reputação fica manchada. “Não é legal ter o nome atrelado a um programa que teve um fechamento abrupto”, resume Montenegro.

Procurado pelo site de VEJA, o governo de Minas Gerais afirmou que “não há qualquer risco do SEED ser descontinuado”. Segundo Altamir de Araújo Rôso Filho, chefe da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, o programa está sendo reavaliado para ter gastos diminuídos. “Queremos contenção. Vamos rever todo o programa, da gestão ao processo de escolha das startups”. De acordo com o secretário, o corte de funcionários obedece à reforma administrava imposta pelo novo governo, que pediu que todas as secretarias enxugassem 20% dos funcionários. A decisão de não renovar o contrato de locação do prédio, segundo Rôso Filho, também teve razão econômica. “O Estado de Minas tem vários imóveis para serem usados para esse programa, o que reduzirá bastante o custo”, diz.

O governo de Minas afirma também que a nova fase do SEED focará em empresas mineiras. Em comunicado enviado ao site de VEJA, o governo alega que apenas 27 startups do programa possuem CNPJ no Estado, número que julgam insuficiente. “Buscamos uma nova proposta de trabalho que ofereça melhores condições para que as empresas aceleradas em Belo Horizonte possam se desenvolver, gerar empregos e riquezas em Minas”. Ainda segundo o informe, o processo de revisão do SEED “será concluído de forma transparente e por meio de amplo diálogo com todos os envolvidos – permitindo, assim, a retomada de contratos de gestão, de manutenção e de continuidade do SEED – com a devida urgência que o assunto requer”.

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