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Pioneiro no Twitter, Serra supera marca de 450.000 seguidores

Há cerca de um ano e meio, quando José Serra criou seu perfil no Twitter, não faltou quem chamasse o então governador de São Paulo de excêntrico. A rede de mensagens curtas, de até 140 caracteres, apenas engatinhava no país, mas Serra já impunha um estilo, postando especialmente na madrugada, respondendo a quase todos os interlocutores, falando sobre os Beatles – uma de suas paixões. Acabou conhecido como o “malandrão da madrugada” ou o “indormível”. Acabou também alimentando um dos perfis mais bem-sucedidos de um brasileiro na rede. Na manhã desta segunda-feira, sua conta atingiu a marca de 450.000 seguidores. Não é pouco.

Se o resultado da corrida presidencial que Serra disputa fosse resolvido pela atividade no Twitter, o tucano sairia vencedor. Em número de seguidores, Marina Silva, do PV, arregimentou 240.000 contas, ante 234.000 de Dilma Rousseff, do PT, e 40.000 de Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL. Segundo medição do site independente TweetRank, o perfil do tucano está entre os cinquenta mais seguidos do país: na frente dele, só há celebridades do entretenimento, como Luciano Huck, Ivete Sangalo e Rafinha Bastos, do programa CQC. Ou seja, nenhum político por perto. Já outra ferramenta, o TwitterAnalyzer, aponta que algumas mensagens de Serra podem ter o alcance invejável de 8 milhões de usuários – considerando-se que os tweets do tucano são replicados por seus seguidores e assim por diante, provocando uma propagação em cascata.

Mas o microblog não é apenas uma questão de números. Importam a relevância do que se publica e a capacidade e disposição de interagir com os pares da rede. Claudio Torres, consultor em marketing digital, realizou um teste para avaliar em que medida os três presidenciáveis chegaram ao Twitter para, de fato, interagir com outros perfis ou apenas conferir a suas campanhas uma imagem moderninha. No início da campanha, Torres disparou – por 16 horas – tweets aos postulantes ao Planalto em intervalos de 15 minutos. O tucano foi o único a responder. Ele é também campeão em seguir outros perfis, muitos de anônimos, aliás: são mais de 5.000 usuários acompanhados pelo ex-governador.

Serra costuma dizer que só envia mensagens quando tem tempo de interagir com os seguidores. Durante a disputa eleitoral, fala sobre debates, ações de campanha e dá informações sobre agenda e plano de governo. Suas adversárias diretas, vale lembrar, só chegaram à rede às vésperas do embate presidencial. Marina expandiu sua atuação por meio de “twittaços”, ações coordenadas por sua assessoria que visam especificamente atrair simpatizantes.

A candidata do PT utiliza a rede quase que exclusivamente para falar sobre agenda e projetos. Sua conta também foi inflada por uma potente assessoria. O Twitter, aliás, já rendeu uma saia-justa a Dilma: no dia em que petista faltou a um debate de televisão por alegar agenda cheia, uma mensagem foi postada em seu perfil no microblog. Justamente no horário em que ela deveria estar na TV (ou no tal compromisso de agenda)… Oh-oh. O ingênuo elogio a um vídeo da banda mineira Pato Fu escancarou uma verdade de que já se suspeitava: Dilma não redigia as próprias mensagens. O trabalho cabia à sua assessora, Helena Chagas. Mais uma explicação para o sucesso de Serra na rede.