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Os idealizadores da rede social que une tecnologia e vida fitness

Em conversa exclusiva, um dos criadores e o CEO do Strava, app que reúne atletas, falam sobre como usuários praticam esportes motivados pela nova tecnologia

Por Carla Monteiro 19 out 2017, 18h22

Em uma época em que se questiona o impacto da tecnologia na qualidade de vida dos usuários, algumas plataformas surgem justamente como uma resposta para como pode ser possível conciliar uma vida extremamente tecnológica (o que muitas vezes tem como consequência o sedentarismo) com uma rotina saudável. É o caso do aplicativo americano Strava, uma rede social cujo objetivo é unir atletas – profissionais e amadores – e estimular a prática de exercícios físicos. O software, que já conta com mais de 1 milhão de usuários, registrou só no ano passado 6,8 bilhões de quilômetros percorridos por pessoas cadastradas, em diferentes modalidades esportivas (natação, corrida, ciclismo, caminhada).

O site de VEJA conversou com exclusividade com Michael Horvath, um dos fundadores do Strava, e James Quarles, CEO da empresa. ambos americanos. Eles vieram ao Brasil neste mês para um evento de tecnologia e empreendedorismo, que aconteceu nos dias 16 e 17 de outubro, e falaram sobre a tendência de digitalizar a motivação pela atividade física. Confira:

Como nasceu a ideia de criar a plataforma Strava?

Michael Hovarth – Mark Gainey [o outro fundador] e eu somos amigos de longa data. Quando nos conhecemos, ainda na faculdade, praticávamos esportes juntos. Depois que nos formamos, cada um foi para o seu canto, morar em diferentes lugares dos EUA, e cada um formou sua família. Logo perdemos o sentimento de estar em um time esportivo, de ser parte de um grupo que tenta se manter ativo. Algum tempo depois, conversamos sobre criar um negócio e surgiu a ideia de trazer toda essas atividades de volta para as nossas vidas. Falamos sobre levar um pouco de esportes e competição para as pessoas de um jeito virtual, usando tecnologia. Foi assim que o Strava nasceu: na tentativa de recriar e de trazer de volta o esporte para nossas vidas. Foi mais ou em menos em 2008, ou 2009, que começamos a conversar sobre a criação de um time virtual, que hoje é o Strava e que conta com pessoas de todo o mundo. Juntamos uma equipe de engenheiros que desenvolveu o projeto, mas o ponto mais importante foi como fazer do Strava uma plataforma social e divertida para que os usuários e seus amigos pudessem ter boas experiências , e se juntassem para malhar, correr, viver aventuras.

De onde veio o nome para a plataforma?

Michael – Embora tenha nascido nos EUA, meus pais e minhas irmãs são da Suécia. De lá veio minha inspiração. Strava é uma palavra sueca que significa ‘esforça-se’. O intuito não é ser o melhor ou o mais rápido. A ideia é tentar dar o seu melhor e se esforçar.

Hoje é possível encontrar pesquisas que afirmam que a população está cada vez mais sedentária por causa da tecnologia. A plataforma é uma maneira de misturar tecnologia com uma vida mais ativa?

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Michael – No início nosso objetivo era que os usuários saíssem de casa, saíssem de frente das telas de computador, TV e dispositivos móveis. Você pode estar no Strava e ser ativo, longe da mesa do escritório, e se aventurar de bicicleta, a pé ou nadando. Trazer essas experiências, que podem ser muito valiosas para os usuários, é nosso objetivo. Então fizemos e executamos esse projeto. Os resultados vemos nos dados. Os usuários se tornaram mais ativos após usar o Strava e menos sedentários.

James Quarles – Eu realmente acredito que as pessoas estão mais ocupadas, mas há maneiras de combinar tecnologia e hábitos mais saudáveis em apps como o Strava. As pessoas se juntam em comunidades de corredores, ciclistas, nadadores ou em outras atividades que elas praticam ao longo do mundo. As comunidades estão ficando cada vez melhores, os usuários se sentido mais saudáveis, mais envolvidos com seus colegas, mais dispostos, mais ativos e com mais energia ao longo do dia.

No Brasil, existem pessoas que dedicam seus blogs e contas em redes sociais, como o Instagram, a atividades físicas e prática de esportes e ganham muitos seguidores com isso. Isso encoraja as pessoas a se dedicar a exercícios físicos?

James –  Muitos desses perfis se tornam inspirações por terem histórias marcantes. Todos os dias, as pessoas procuram não apenas pelos exemplos ‘top’, como atletas olímpicos ou os principais profissionais, mas buscam pessoas que são mais parecidas com elas. “Gente como a gente”.

Quais são suas expectativas para os seus usuários no Brasil?

James – Estamos bastante animados pois vamos conhecer alguns de nossos parceiros. O Brasil é o país com o terceiro maior número de usuários de Strava e tem mais membros no app do que a média global. Uma de nossas metas é conhecer e entender melhor esse mercado e traçar estratégias, juntamente com nossos parceiros e investidores, para os próximos anos. É uma grande oportunidade também de conhecer os exemplos que deram certo no país, já que somos uma empresa cujos 80% dos usuários vivem fora dos EUA.

Michael – Sete anos atrás percebemos como o Brasil é importante para a plataforma observando quão rapidamente a comunidade Strava cresce no país e como ela tem características específicas, com elementos muito mais sociais, com as pessoas ajudando umas às outras. Eu, pessoalmente, tenho milhares de seguidores do Brasil, assim como eu sigo algumas pessoas do país.

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