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Orientação política pode ser deduzida a partir de foto de perfil

Novo estudo mostrou que algoritmos podem deduzir muitos aspectos da personalidade humana com base na análise de fotografias

Por Sabrina Brito Atualizado em 12 mar 2021, 16h10 - Publicado em 11 jan 2021, 11h13

Embora todos saibamos que não é uma boa ideia, é impossível não julgar uma pessoa à primeira vista. Seja por razões evolutivas ou culturais, estamos acostumados a partir de características físicas para formar ideias sobre os outros. Mas não somos necessariamente bons nisso — afinal, quem nunca errou quanto à primeira impressão de alguém? Boa mesmo é a tecnologia.

Um novo estudo da renomada Universidade Stanford publicado no último dia 11 acaba de levar a discussão para um novo patamar. A pesquisa revelou que algoritmos computacionais especializados no reconhecimento facial podem ser bastante precisos na hora de intuir a personalidade de um indivíduo — mais especificamente, sua posição política — com base na análise de suas fotos de perfil nas redes sociais. 

Os cientistas coletaram fotografias de mais de um milhão de pessoas em países como Estados Unidos e Reino Unido que foram publicadas no Facebook e em mídias específicas para relacionamentos online. Como resultado, eles constataram que os algoritmos são precisos em 72% dos casos na hora de separar os indivíduos entre progressistas e conservadores. A taxa é muito maior do que o simples acaso, segundo o qual os acertos ocorreriam em 50% das vezes.

Vale lembrar que outras pesquisas já haviam demonstrado que, enquanto a habilidade humana de intuir o sentimento de outrem a partir de imagens tem precisão de 55%, enquanto inteligências artificiais alcançaram níveis muito maiores, de 83%.

Levando em conta a descoberta de que algoritmos conseguem intuir a posição política de indivíduos a partir de fotos, existem fatores demográficos que devem ser levados em consideração, como, por exemplo, o fato de que minorias tendem a ser mais progressistas do que conservadoras. Entretanto, mesmo com o controle de aspectos como idade, sexo e etnia, a porcentagem de acerto das máquinas ficou em cerca de 69%.

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É importante assinalar que os resultados do estudo não sugerem que progressistas e conservadores têm rostos únicos e diferentes, mas sim que, provavelmente, eles se apresentam de forma distinta na hora de tirar uma foto de perfil. 

Mas a principal conclusão da pesquisa é simples: mais do que identificar indivíduos, o reconhecimento facial pode identificar suas características dos mais diversos tipos e até inferir suas emoções. Trabalhos anteriores já publicados apontam que a análise de imagem pode descobrir até mesmo a orientação sexual de uma pessoa. 

De acordo com Michal Kosinski, professor da Escola de Negócios da Universidade Stanford (EUA) e um dos autores do estudo, outra constatação possibilitada pela pesquisa é a de que existe um grande risco à privacidade e às liberdades civis. Em um mundo onde há câmeras por todo lado, é impossível garantir que imagens e fotografias não serão analisadas sem o consentimento do indivíduo e usadas para fins escusos — sobretudo levando em conta o fato de que grande parte das fotos de perfil é pública.

Assim, Kosinski afirma que o objetivo do estudo é avisar a sociedade contra os perigos dessas tecnologias. “Esperamos que acadêmicos, criadores de políticas públicas, engenheiros e os demais cidadãos notem o nosso trabalho”, disse a VEJA.

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