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O que levou funcionários da Anthropic a acusar empresa de buscar o ‘fim da humanidade’

Após revelação de ex-empregado de empresa do Claude, outros pesquisadores da área concordaram com presságio de “extinção da humanidade” pelas máquinas

Por Lorenzo Souza Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 set 2026, 18h36 | Atualizado em 11 set 2026, 18h38
O que levou funcionários da Anthropic a acusar empresa de buscar o ‘fim da humanidade’ Priorize VEJA no Google

Na última terça-feira, 8, o ex-funcionário da empresa de inteligência artificial Anthropic, responsável pelo Claude, Jacob Coxon, publicou uma thread em seu X (antigo Twitter), em que acusa a empresa de acreditar que a IA pode “matar a todos até o fim da década” e ignorar riscos iminentes no desenvolvimento de suas inteligências “super poderosas”. Após o anúncio, uma série de usuários nas redes acusaram Coxon de fazer parte de um truque para impedir o avanço da tecnologia. Ao mesmo tempo, outros funcionários da Anthropic vieram a público e concordaram com suas falas. 

Jacob Coxon é um ex-funcionário da Anthropic e da OpenAI, que trabalhou na área de pesquisa em tecnologia. Segundo seus próprios posts nas redes sociais, ele se demitiu na última terça-feira de seu cargo na Anthropic por discordar do caminho escolhido pela empresa para o desenvolvimento de suas inteligências artificiais. Em sua sequência de publicações (a thread), ele acusa as duas empresas de não serem responsáveis, e de estarem em uma “corrida em linha reta até uma super inteligência artificial que pode melhorar a si mesma, e apostar com nossas vidas”. 

As postagens

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Na sequência de sete postagens encadeadas, ele continua com as reclamações e classifica os sistemas de IA atuais — que já geram polêmicas frequentes, como o caso Hugging Face e as revelações recentes da Anthropic — como um grupo de agentes que “logo serão sistemas super humanos que poderão hackear qualquer coisa, revolucionar qualquer área em uma noite, e adquirir poder e recursos reais”. 

O delator afirma ainda que os funcionários e engenheiros responsáveis pela produção das IAs têm plena consciência do perigo, e que eles “acreditam fielmente que [a IA] pode nos matar até o fim da década”. De acordo com Coxon, executivos e pesquisadores podem diminuir a preocupação em público, mas “expressam medo em segredo”. 

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Outros funcionários

Após a viralização das postagens, alguns outros funcionários da Anthropic reagiram aos comentários de Coxon confirmando suas acusações. Evan Hubinger, diretor de alinhamento científico na criadora do Claude, respondeu à publicação de Coxon com uma afirmação. “Jacob está correto — nós realmente e sinceramente acreditamos que a IA pode matar todos os humanos! Eu pessoalmente acredito que [as chances] são mais de 10% durante a próxima década”, revelou. “Eu acredito que a Anthropic está fazendo o melhor que pode, mas nós não temos um plano para alinhar a superinteligência e claramente não estamos no caminho para isso”, finalizou.

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A publicação de Hubinger foi feita às 22h27 da terça-feira, próximo do horário em que Coxon fez sua sequência de postagens, perto das 21h. O diretor de alinhamento científico da Anthropic publicou algumas horas depois, às 0h30, uma sequência da sua postagem inicial que “confirma” as acusações de Coxon. O novo post alivia as opiniões, sugere que o risco para as IAs atuais é baixo e sugere a leitura do último Relatório de Risco da empresa. 

Anna Wang, também funcionária da Anthropic, trouxe outra resposta às publicações de Coxon, mas com o mesmo tom de seus outros colegas de empresa. Wang declarou que já trabalhou para a equipe do Google DeepMind, e que assim como outros amigos na área, o sentimento descrito por Jason é “comum” entre eles. “Ainda não há um plano científico viável para resolver os riscos da IA que evolui a si mesma”, afirmou em seu X. 

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Drake Thomas, também funcionário da Anthropic e também através do X, afirmou que “as coisas estão mudando muito rápido”, e que “não há qualquer nível de segurança sobre o desenvolvimento da inteligência artificial super inteligente”. 

Outro funcionário da Anthropic, Samuel Marks, também comentou sobre o ocorrido. Marks resumiu as postagens de Coxon para outros usuários, e concordou de forma geral com as afirmações dele. Ele ainda finalizou explicando como, em seu caso, escolheu permanecer em trabalhos de desenvolvimento dessa tecnologia para conseguir diminuir ou até impedir o avanço das IAs até fins de “extinção”.

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Reações contrárias

Apesar das afirmações de funcionários da empresa, usuários das redes logo acusaram Coxon e os outros de planejarem algum tipo de “armadilha”. O intuito seria dar margem para que governos, em especial o dos Estados Unidos, formassem um cerco às empresas de inteligência artificial e impedissem legalmente o avanço da tecnologia. 

Elon Musk, dono da SpaceX e da xAI, empresa de inteligência artificial rival da Anthropic e OpenAI, também se manifestou. Em resposta às postagens de Coxon, ele disse que toda a ação seria um “psyops” — um tipo de ação psicológica de guerra — e uma armadilha para impedir os avanços da inteligência artificial. 

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