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O esporte brasileiro descobre como é bom o crowdfunding

Fluminense usou a plataforma colaborativa para arrecadar mais de 200.000 reais para a produção de um livro de memórias do time

Por Renata Honorato 26 jul 2012, 21h26

E se as torcidas brasileiras pudessem fazer uma “vaquinha” para produzir mimos para seus times do coração? Ou ajudar um atleta promissor a disputar uma competição? Foi para preencher essas lacunas, que um jovem de Curitiba, no Paraná, reuniu alguns amigos para criar o ComeçAki, uma plataforma de financiamento coletivo (ou crowdfunding), cujo principal objetivo é contribuir com o esporte brasileiro.

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O conceito, que ganhou popularidade com o Kickstarter, um serviço similar americano, é baseado na colaboração de entusiastas e chamou a atenção de Giuliano Barros, um jovem de 29 anos formado em ciências da computação. “Os torcedores são muito próximos dos clubes e queríamos beneficiar os esportes. Estudamos o mercado e em 2011 lançamos essa ferramenta de arrecadação”, explica o empreendedor paranaense.

Embora futebol seja a categoria esportiva mais popular no Brasil, a plataforma ganhou projeção com a carateca baiana Elaine Barreto, de nove anos. Sem condições de arcar com os custos de passagem, hospedagem e alimentação para participar do campeonato brasileiro de caratê em Belém, seu pai decidiu usar o serviço para pedir a ajuda financeira de colaboradores. A atleta precisava de 2.223 reais, mas conseguiu levantar ao final da campanha 4.464 reais. A medalha de ouro obtida pela garotinha no torneio incentivou os pais a voltar à plataforma em busca de recursos para o mundial, encerrado no fim de semana em Teresina. Novo êxito. A meta era 1.750 reais, mas Elaine arrecadou 2.120.

Para Barros, o crowdfunding é uma solução interessante para a descoberta de grandes atletas. “Tudo é divulgado muito rápido”, diz. O brasileiro César Cielo, que representa o país na Olimpíada de Londres, enxergou na ideia do site uma oportunidade para ajudar na revelação de uma nova geração de nadadores. Por meio do programa Novos Cielos, o campeão olímpico busca arrecadar 40.000 reais, que serão investidos em aulas e campeonatos de natação para crianças carentes de Limeira, no interior paulista. Até o momento, a 38 dias do final da campanha, o atleta olímpico já obteve 6.373 reais em colaborações

Pelo menos um grande clube de futebol já percebeu o potencial desse sistema alternativo de arrecadação. O Fluminese resolveu pedir ajuda aos torcedores para a produção de um livro, o Fluminense, 110 jogos inesquecíveis – Guerreiros desde 1902. A publicação vai apresentar a história de partidas marcantes, por meio de imagens exclusivas do acervo Flu Memória. Os apaixonados pelo time não desapontaram e, em apenas oito dias (82 a menos do que a meta), o clube obteve o necessário para viabilizar o projeto: 200.000 reais, um dos maiores valores arrecadados através de financiamento coletivo no país.

Outro exemplo de como a paixão do torcedor amplia o potencial do crowdfunding. No início de junho, por exemplo, durante a partida decisiva da Copa do Brasil contra o Palmeiras, os fãs do Coritiba usaram o ComeçAki para levantar o dinheiro para um show de luzes, com mais de 140 refletores e 60 máquinas de fumaça. Eles precisavam, na ocasião, de 77.000 reais, mas angariaram mais de 100.000. O time perdeu a final, mas a festa antes da partida foi inesquecível.

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