O efeito da proibição das redes para menores de 16 anos na Austrália
Novo levantamento mostra que mesmo com lei a maior parte dos jovens ainda usa as redes sociais
Em dezembro de 2025, a Austrália instituiu uma das primeiras proibições do uso das redes sociais por jovens menores de 16 anos. Dados recentes de um levantamento do eSafety, órgão independente regulador da internet no país da Oceania, mostram que mesmo com a lei, 80% dos jovens australianos ainda usavam as redes três meses depois do banimento. A motivação apontada foi a falta de implementação de medidas efetivas por parte das empresas de tecnologia.
A proibição australiana ocorreu pela preocupação do governo com o impacto que as redes sociais causam na saúde física e mental de jovens que ainda estão em desenvolvimento. O país faz parte de um grupo crescente de nações que procuraram impedir, de forma legal, o avanço da tecnologia, considerada por muitos como viciante, na vida de crianças e adolescentes. O Brasil instituiu o ECA Digital e a França, por sua vez, proibiu o uso das redes para menores de 15 anos.
De acordo com os dados analisados pelo órgão, de todos os jovens entrevistados, 81% continuavam usando as redes, mesmo três meses após o banimento. Os dados anteriores à proibição mostravam 86% dos jovens que utilizam as redes. Outros 58% admitiram usar as plataformas diariamente ou até com mais afinco, apenas 2% a menos do que a porcentagem antiga, de 60%.
Segundo o órgão regulador, um dos motivos para a mudança irrisória foi a incapacidade das plataformas em formalizar medidas que checariam de forma segura a idade dos jovens. De acordo com o eSafety, a maior parte dos menores de 16 que tinham redes antes do banimento conseguiram continuar com elas ou até puderam criar novas.
O relatório é o primeiro de um estudo de dois anos conduzido pelo eSafety sobre os impactos da proibição. Mais de 65% dos jovens entrevistados revelaram que não acreditavam que a proibição teria qualquer impacto em suas vidas. Além do resultado com os adolescentes, a organização também identificou que a supervisão parental diminui após a lei começar a valer.







