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Na madrugada, campuseiros fazem sarau, robô e festa

Maior parte dos acampados só vai dormir depois das 2h

Por Paula Reverbel 8 fev 2012, 11h01

A impressão que se tem ao observar, durante a madrugada, a área onde estão acampados os 5.000 campuseiros da Campus Party 2012 é que poucos fazem questão de dormir. À 1h30 desta quarta-feira, as mesas onde são instalados os computadores ainda estavam ocupadas por muitas máquinas – com os respectivos donos plantados à sua frente, com os olhos grudados na tela e em jogos, filmes, redes sociais etc..

Um dos principais acontecimentos da madrugada é o Show do Gnuzão – mistura de Show do Milhão com GNU, sigla que designa um sistema operacional. A partida começou por volta da meia-noite: os participantes devem acertar perguntas para ganhar prêmios. Detalhe: todas as questões exigem, é claro, conhecimentos geeks.

O primeiro participante foi desclassificado na terceira pergunta: “Qual a resposta da vida do universo e tudo mais?” A alternativa correta – 42 – é uma referência à bíblia nerd O Guia do Mochileiro das Galáxias, livro escrito por Douglas Adams.

Antes de ser desclassificado, o participante precisou ser socorrido pela plateia, que decifrou que a sigla WoW refere-se ao jogo World of Warcraft. Precisou também, para a indignação do público, da ajuda dos universitários para afirmar que o diretor americano George Lucas é o criador da saga Guerra nas Estrelas (Star Wars). Alguns campuseiros até dançaram para ganhar prêmios do jogo, que terminou às 2h.

Lembrancinhas do evento são itens desejados: a cada trinta minutos, uma fila se formava em um canto do pavilhão de eventos para a distribuição de brindes, como bottons da Campus Party. Enquanto isso, campuseiros faziam um sarau no palco Barcamp – espaço sem programação, reservado para qualquer atividade que os campuseiros quiserem executar. A organização, no entanto, não permitiu que as caixas de som continuassem ligadas depois das 2h40 – afinal, apenas um pano divide a Barcamp do acampamento. O repertório era composto de músicas nacionais famosas, inclusive Maluco Beleza, de Raul Seixas, e Ana Júlia, do Los Hermanos.

Robôs – Outra área que manteve os campuseiros alertas foi a de robótica. Neste ano, vinte participantes divididos em cinco grupos de quatro pessoas tinham de encarar o desafio: entregar um robô capaz de “enxergar” uma trajetória e se deslocar através dela.

O estudante de engenharia da computação Lucas Dantas Cavalcanti topou o desafio. “Temos que desocupar essas mesas até as 6h. Então, acho que vou dormir das 6h até as 10h da manhã”, diz. Ele será o último da equipe a ir dormir. Duas meninas precisaram voltar para casa antes que o metrô fechasse; o quarto membro do grupo foi dormir mais cedo, pois já havia feito vigília na noite anterir. “Não estou cansado. Estou acostumado a dormir pouco e fazer robos é mais divertido que jogar games.”

Às 4h, quando a quantidade de campuseiros no salão começa a se tornar escassa, bravos resistentes se juntaram a um grupo autodenominado Caravana do Cerrado para dançar. A caravana reunia 67 pessoas vindas de Brasília, que trouxeram caixas de som, xBox, Wii, guitarras do jogo Guitar Hero e equipamentos de discotecagem.

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Thiago Moskito, um dos organizadores da caravana, tentou explicar a motivação do grupo: “Nós viemos para fazer coisas de que gostamos.” Designer e produtor de um gênero de música eletrônica conhecido como Dubstep, ele garantiu que o grupo respeitaria quem trocasse a folia por umas horas de sono. “Se alguém pede para baixar o som, nós acatamos o pedido, mas não desligamos os equipamentos.”

O som da festa varia, passando por música eletrônica, funk e pop. Não faltou Michael Jackson. Alguns seguranças fizeram a supervisão à distância. “Sempre tem um ou outro que sobe na bancada e extrapola”, diz Moskito. O grupo leva as viagens à Campus Party tão a sério que, assim que for encerrada a Campus 2012, no domingo, começará a organização da próxima viagem. Até 2013.

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