Clique e Assine VEJA por R$ 9,90/mês
Continua após publicidade

Marco DeMello: “Estamos na mira dos hackers”

O empresário especialista em cibersegurança que denunciou o vazamento de dados de milhões de brasileiros explica por que o Brasil é tão vulnerável

Por Sabrina Brito Atualizado em 4 jun 2024, 13h19 - Publicado em 30 jul 2021, 06h00

Por que vazamentos de dados se tornaram tão comuns? A Covid-19 provocou uma intensa migração de pessoas e de empresas para o ambiente on-­line, o que resultou em dez anos de volume de dados despejados na internet em apenas seis meses. Isso gerou um ambiente fértil para o crime organizado, que vai levantar neste ano 6 trilhões de dólares somente nos Estados Unidos.

Como os ataques funcionam? O hacker usa ferramentas de inteligência artificial para aplicar golpes e pedir resgates. O software faz o trabalho sozinho e reporta a ele o que conseguiu coletar. Na deep web, um nível da internet oculto de buscadores como Google, há mais de 17 bilhões de senhas vazadas. Basta o criminoso escolher uma e acessar o banco de dados.

É preciso conhecer muito de programação para aplicar um golpe? Não, pois existem serviços de invasão pelos quais se pode pagar com bitcoin sem precisar dominar o assunto. O criminoso invade quantas empresas quiser e sequestra ou rouba dados a serviço do pagador. No Brasil, é ainda mais fácil.

O que torna o Brasil especialmente vulnerável? A cibersegurança não é considerada vital para o funcionamento das empresas. Quantos CEOs no Brasil discutem o assunto com seus conselhos? Nos Estados Unidos, trata-se de uma pauta obrigatória. É preciso investir na proteção dos dados da mesma forma que se investe para obtê-los.

Quais são os problemas mais comuns? A falta de proteção adequada dos dispositivos. Cerca de 87% das invasões começam por um único computador vulnerável na rede da empresa, e é tudo de que o hacker precisa. Se os criminosos utilizam inteligência artificial, a proteção também precisa usar. Além disso, há descuido com o uso de senhas e falta de autenticação.

Continua após a publicidade

Como a pessoa física pode se proteger? A responsabilidade pelos dados de uma pessoa é dela mesma, e começa pela forma como ela trata suas senhas. Não se deve, por exemplo, usar a mesma senha para tudo ou ter um arquivo no celular com todas elas.

O governo brasileiro é melhor ou pior do que empresas no tratamento de dados? Há uma preocupação maior por parte do governo federal, mas o investimento não é suficiente. Os setores público e privado precisam se conscientizar da gravidade da situação. Todos os recordes de vazamentos e cibersequestros foram batidos neste ano. Se a ficha não cair agora, não cai nunca mais. Estamos na mira dos hackers.

Publicado em VEJA de 4 de agosto de 2021, edição nº 2749

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 9,90/mês*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 49,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.