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Games: PlayStation 4 deve ser central de mídia do lar

Sony deve anunciar nesta quarta-feira sucessor do PS3. Além dos rivais Microsoft e Nintendo, empresa terá de enfrentar tablets e smartphones

A Sony não confirma nem desmente. Mas o lançamento do sucessor do PlayStation 3, atual console da marca, deve mesmo ser anunciado nesta quarta-feira, em um evento para 2.800 pessoas no The Hammerstein, uma casa de shows em Nova York. Será uma estratégia ousada da companhia japonesa, que em 2006 mostrou o PS3 em um encontro paralelo à E3, maior feira de games do mundo, realizada anualmente em Los Angeles.

A decisão de adiantar o anúncio de um novo aparelho não ocorre à toa, aposta Adalberto Belluomini, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-Eaesp). A prática de antecipar em vários meses um lançamento, conhecida como teaser, é comum no mercado de tecnologia e foi popularizado pela Apple. “O objetivo é fazer com que os consumidores fiquem curiosos acerca de um produto. No caso da Sony, particularmente, o objetivo da ação é evitar que seus clientes migrem para plataformas concorrentes até a chegada do novo console às lojas”, diz. No caso, a intenção é tirar um pouco do fôlego da apresentação do novo Xbox, da Microsoft, que deve acontecer na E3, em junho.

Há sete anos, o desafio da Sony era concorrer justamente com o Xbox 360 e com o Wii, da Nintendo. O cenário atual, contudo, é muito mais disputado. Os smartphones e tablets ganharam espaço no mercado de games casuais e a empresa japonesa terá que encontrar soluções para chamar a atenção desse vasto público, que interessa – e muito – à Sony.

Os números de mercado são pouco animadores. Segundo a NPD Group, a venda de games em meio físico (DVDs etc.) nos Estados Unidos caiu 22% em 2012, atingindo o patamar de 13,6 bilhões de dólares. O desempenho comercial pouco satisfatório do Wii U, o mais recente lançamento da Nintendo, e do PlayStation Vita, o portátil da Sony, apenas ilustra o cenário nebuloso no qual será anunciado o PlayStation 4 ou Orbis, como vem sendo apelidado o console.

A saída, neste caso, será apostar em um produto versátil, voltado ao entretenimento de forma geral e não apenas à jogatina. “A Sony deve aperfeiçoar o conceito de hub digital. O PS4 não será usado apenas para jogar, mas também para armazenar músicas, assistir a filmes ou acessar documentos na nuvem. O console será focado na distribuição de conteúdo e no compartilhamento via redes sociais”, diz o professor do curso dos jogos digitais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) David de Oliveira Lemes. “Trata-se de uma tendência. Eles querem transformar o console na principal central de mídia da casa.” (Continue a ler a reportagem)

PlayStation na história

Os consoles da linha criada pela Sony e os principais jogos lançados para cada plataforma

A venda de jogos na nuvem é uma tendência que já pode ser testemunhada no PlayStation 3, por meio da PSN, a sua rede on-line. A oferta de aplicativos, contudo, ainda é limitada. A Sony deve aumentar o seu catálogo de aplicações e também de títulos independentes, como Limbo e Journey. Para isso a companhia vai investir na comunidade de game designers ao oferecer kits de desenvolvimento mais baratos. “Veremos uma flexibilização para os desenvolvedores criarem novos jogos para o PlayStation 4”, ressalta Lemes.

A grande evolução da Sony nesta nova fase está em software, não em hardware. Além de facilitar o compartilhamento de conteúdos – vídeos, capturas de tela e gameplays – nas redes sociais, a empresa deve tornar a sua plataforma mais simpática aos jogos casuais e aos conteúdos multimídia. Em outras palavras, a companhia vai aperfeiçoar o que a Microsoft ensaiou oferecer no Xbox 360 através de sua rede on-line, a Xbox Live.

Para Belluomini, da FGV, o anúncio do novo console vai impactar nas vendas do PlayStation 3. O especialista em varejo adianta, contudo, que a Sony já previu essa queda e que sua ação foi pensada de forma estratégica. “Esse risco faz parte do jogo”, diz o professor. Fernando Belfort, analista líder de TI para a América Latina da consultoria Frost & Sullivan, concorda. “É esperado um desaquecimento das vendas da plataforma antiga. Mas isso é antecipado pelos fabricantes, bem como acontece com os smartphones”, diz o analista.

Brasil – O novo console deve chegar ao mercado às vésperas do Natal, quando o sucessor do Xbox 360 também chegará às lojas. No Brasil, no entanto, a estreia vai demorar mais.

De acordo com Oliver Römerscheidt, gerente de negócios de entretenimento da consultoria alemã GfK, o Xbox 360 só começou a ser fabricado no Brasil há um ano. O PlayStation 3 seguirá o mesmo rumo em breve, prevê o especialista. “Acredito que o Brasil ainda tem muito espaço para as plataformas da geração atual. Por isso, os novos consoles não chegarão tão cedo e a preços acessíveis para fazer concorrência com os aparelhos disponíveis no mercado”, diz Römerscheidt.