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Facebook cruza dados de usuário da rede e do Instagram

Com alteração da política de dados, rede repete estratégia do Google. Objetivo é aprimorar modelo de anúncio, que oferece publicidade dirigida a cadastrados

Por Rafael Sbarai - 30 nov 2012, 11h39

Na última quarta-feira, o Facebook anunciou uma importante mudança em sua política de privacidade, expressa em sutis modificações em duas áreas que regem o funcionamento do site: a documentação que trata do uso de dados dos cadastrados e a declaração de direitos e responsabilidades. Segundo a rede social, as novas regras buscam acabar com as dúvidas sobre quais informações são coletadas pelo serviço. Por trás das mudanças, há uma evidente reprodução da estratégia de monetização desenhada por um de seus maiores rivais, o Google: reunir e analisar o maior número possível de dados dos usuários e, assim, potencializar a receita obtida a partir de anúncios, cada vez mais dirigidos. De quebra, as novidades impõem uma condição ao usuário: é abraçar o modelo proposto ou deixar a rede social.

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Disponível para consulta por sete dias – prazo encerrado nesta quarta-feira -, a nova política de dados privados é uma espécie de prestação de contas aos usuários, revelando quais informações serão coletadas pelo Facebook junto aos perfis e como elas serão posteriormente utilizadas. Entre as alterações propostas, está o cruzamento de dados de um mesmo usuário provenientes de seus perfis no Facebook e no Instagram, adquirido neste ano pela rede social. O mesmo vale para os demais serviços integrados pelo Facebook desde sua fundação, em fevereiro de 2004, e outros que venham a ser comprados no futuro.

A partir do cruzamento das informações, a empresa de Mark Zuckerberg terá a possibilidade de analisar mais dados sobre cada usuário e apontar, da forma mais eficiente, os anúncios que serão exibidos a seus cadastrados. O preço do serviço, é claro, deve subir. A tática é uma reprodução fiel da mudança implementada em março pelo Google. À época, o gigante de buscas unificou os termos de uso de mais de 60 produtos da companhia. Com isso, Gmail, YouTube e Google Maps, entre outros, passaram a obedecer um único conjunto de regras.

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declaração de direitos e responsabilidades

Nesta quinta-feira, a Electronic Privacy Information Center (Epic), organização sem fins lucrativos cuja missão é proteger os direitos de privacidade dos usuários na internet, enviou uma carta a Mark Zuckerberg exigindo o retorno dos itens suprimidos do artigo 14 e, portanto, a volta das consultas aos usuários. A companhia manteve sua posição: “Informaremos as mudanças previstas na rede social com sete dias de antecedência.”

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Não ficou claro, porém, se eventuais comentários de usuários apresentados dentro daquele prazo terão força suficiente para mudar alguma coisa. Os novos termos ainda não foram atualizados na rede social – os que são exibidos no site em inglês datam de junho -, provocando ainda mais discussão.

A rede parece ter esquecido de um detalhe relevante. Em dezembro de 2011, selou um acordo com a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos, pelo qual fica obrigada a pedir a anuência do usuário antes de promover mudanças nas normas de compartilhamento de informações pessoais. A regra só vale para o mercado americano. Mas serve de mais combustível para a já acalorada discussão.

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