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E o Oscar vai para… A previsão baseada nos últimos 15 anos

Análise feita pelo cientista de dados Luiz Felipe Mendes, da Hekima, a pedido de VEJA.com pode ajudar a entender como pensam as cabeças de Hollywood

tarja O QUE OS DADOS CONTAM

Leonardo DiCaprio já está com uma mão no Oscar de melhor ator deste ano, garantem 9 em cada 10 críticos, cinéfilos e apostadores. Pode ser. Resta entender: a previsão se baseia em quê? Evidências? Sexto sentido? Torcida? Os dados podem ajudar? Sim.

A pedido de VEJA.com, o cientista de dados Luiz Felipe Mendes, cofundador da empresa de análise de big data Hekima, se debruçou sobre o assunto. Importante: ele é um cinéfilo. Mas, é claro, entregou-se à missão como cientista. Mendes analisou os dados relativos aos vencedores (e perdedores) do Oscar dos últimos 15 anos em busca de padrões que pudessem indicar quem está mais perto da estatueta: DiCaprio ou Michael Fassbender, Brie Larson ou Jennifer Lawrence – o cientista já havia feito os cálculos sobre os filmes indicados. Mendes construiu as previsões do quadro exibido no final do texto. (Sim, DiCaprio leva!)

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O primeiro desafio de Mendes foi separar o “sinal” do “ruído”, como diria o estatístico e jornalista americano Nate Silver, mais notório elaborador de previsões da atualidade, autor do livro O Sinal e o Ruído – Por que Tantas Previsões Falham e Outras Não. Ou seja, após debulhar tabelas e outras fontes de informação, o cientista teve de selecionar os fatores que parecem aumentar a sorte dos aspirantes ao Oscar. Isso inclui entender, por exemplo, com que frequência um ganhador do Globo de Ouro, prêmio oferecido pelos correspondentes estrangeiros que trabalham em Hollywood, também fica com o Oscar no mesmo ano. Ou ainda, se uma indicação anterior aumenta as chances dos concorrentes em uma dada edição da festa. Foram analisadas 15 edições do Oscar, de 2001 a 2015.

A tarefa demandou pesquisa, cálculos e simulações em computador até a criação dos modelos matemáticos que pudessem prever os resultados do Oscar a partir dos atributos escolhidos pelo cientista. Para checar a precisão do sistema, Mendes aplicou o modelo às 15 edições passadas, cujo resultado, é claro, já era conhecido. Na categoria de melhor filme, o algoritmo foi certeiro em 14 das 15 predições, uma taxa de sucesso de mais de 90%. Para as atrizes, em 13 ocasiões, 87% de acerto. No caso dos atores, quase 75%. “Mas, neste caso, o modelo errou apenas nos anos iniciais. A partir de 2005, o acerto foi de 100%”, diz Mendes.

Na prática, os modelos matemáticos calculam o quão parecidos são os candidatos de 2016 com vencedores e perdedores de anos passados. Ou melhor, o quão similares são seus atributos, analisados em conjunto. As chances de vitória são expressas em valores que variam de 0 (chore, não há chances) a 1 (chore, você vai fazer o discurso da vitória). DiCaprio obteve nota 0,68, frente a 0,13 de Matt Damon; O Regresso ficou com 0,94, ante 0,15 de A Grande Aposta; Brie Larson bate Jennifer Lawrence por 0,98 a 0,06.

Para prever o filme com mais chances, Mendes concluiu que valeria a pena levar em conta nada menos do que dez atributos: duração, orçamento da produção, bilheteria no primeiro fim de semana nos EUA, nota atribuída pelos usuários do site IMDB e os prêmios (todos realizados antes do Oscar) SAG (Sindicato dos Atores), Globo de Ouro, DGA (Sindicato dos Diretores), PGA (Sindicato dos Produtores), WGA (Sindicato dos Roteiristas) e Bafta (prêmio britânico). Para melhor ator, além dos prêmios citados, o NYFCC (Associação de Críticos de Nova York) e NSFC (Associação de Críticos dos Estados Unidos), e também a soma desses mesmos prêmios e indicações anteriores ao Oscar. Para atriz, todos os atributos avaliados para atores, e mais um: a idade da artista. Sim, Hollywood pode ser cruel com elas.

O modelo pode dizer algo sobre o que pensam as cabeças de Hollywood, membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas que participam da votação. “A análise indica que o Oscar tem se tornado mais previsível, ou seja, tem sido mais consistente com as demais premiações que acontecem no ano”, diz Mendes. “Entre 2001 a 2004, nenhum ator que ganhou o SAG levou o Oscar. A partir de 2004, contudo, o mesmo artista fica com os dois. O SAG, portanto, é um indicador muito bom dessa categoria. No caso do melhor filme, muita gente acha que o Globo de Ouro é uma boa indicação, mas não é: o prêmio dos diretores é muito mais indicativo.”

Olhar para o passado para iluminar o futuro é uma das especialidades de Mendes na Hekima, empresa de big data criada por oito cientistas da computação – incluindo ele próprio. Varia a área de atuação. Em 2013 e 2014, por exemplo, a companhia fez predições apoiadas em análise de dados para entender o comportamento da população durante a Copa das Confederações e do Mundo, respectivamente. Os achados alimentaram o planejamento do governo. “Entre as soluções, monitoramos o discurso coletivo nas redes sociais para, por exemplo, prever onde haveria manifestações contra os eventos, qual sua grandeza e o grau de violência eventualmente envolvido”, diz.

Previsão para o Oscar 2016