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‘É hora da customização do conteúdo’, diz CEO do Netflix

Executivo fala sobre expectativas do serviço no país, que incluem novelas

Por Renata Honorato - 10 set 2011, 00h05

Reed Hastings já foi considerado uma das pessoas mais influentes do planeta pela revista Time. A razão: a criação do Netflix, serviço que distribui, pela internet, cópias digitais de filmes, séries e documentários a partir da demanda de assinantes. O negócio tem valor de mercado estimado de quase 11 bilhões de dólares e acaba de chegar ao Brasil, o que trouxe Hastings a São Paulo na semana passada. “É hora da customização do conteúdo”, disse o CEO do Netflix em sua passagem pelo país. Na entrevista a seguir, ele fala sobre as expectativas do serviço no Brasil, que incluem a oferta de novelas, e também as limitações que ele deverá encontrar.

A penetração da banda larga no Brasil é muito inferior à registrada nos Estados Unidos. Como lidar com essa realidade? YouTube, Skype e Facebook têm tido muito sucesso por aqui. Os brasileiros amam esses serviços. Não esperamos grandes dificuldades, tendo em vista esse cenário. Minhas expectativas são positivas, porque a banda larga está crescendo muito por aqui. O governo está investindo na universalização da internet. A longo prazo, as pessoas vão querer assistir a vídeos através da rede em diferentes dispositivos, como celular, tablet e computador. A operação no Brasil é, para o Netflix, o começo de sua operação global. Durante muitos anos, só enxergávamos o mercado americano, mas agora já podemos licenciar conteúdos para diferentes regiões. Nosso grande desafio, no entanto, é ganhar popularidade. Sabemos que não somos conhecidos por aqui e por isso acreditamos muito no período gratuito de testes. O usuário pode acessar o serviço, assistir a filmes e cancelar a assinatura na hora que achar conveniente.Vamos licenciar mais e mais conteúdos e vamos garantir uma boa experiência àqueles que utilizarem nossos serviços para assistir a filmes e seriados.

Por que o senhor não trouxe o serviço de locação de DVDs, existente no Estados Unidos, para o Brasil? O serviço de locação de DVDs tem de estar muito bem integrado ao serviço de correio. A respeito disso, temos muito a aprender no Brasil. Mesmo no Canadá, não oferecemos esse recurso. Nosso objetivo é trabalhar somente com streaming de vídeo (transmissão via rede).

O senhor acredita na morte do DVD e do Blue Ray no futuro? Claro. Talvez em 20 ou 30 anos. Talvez eles tenham um mercado de nicho, mas de modo geral não serão mais mídias de massa. Amamos o DVD, mas esse não é o nosso futuro. Nosso futuro é o streaming.

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Alguns acreditam que o Netflix pode comprometer o desempenho dos canais pagos no Brasil. O senhor concorda? Nos Estados Unidos, onde atuamos há mais tempo, temos 25 milhões de assinantes. Mesmo depois do início de nossas operações, os canais a cabo continuaram crescendo. Definitivamente, não somos competidores dessas emissoras. Somos uma plataforma de distribuição. Temos ótimos conteúdos, como série e filmes, mas não temos esportes e notícias. É como nos videogames: enquanto as pessoas estão jogando, não estão assistindo à TV, mas isso não pode ser caracterizado como uma concorrência.

O Netflix pretende personalizar seus conteúdos para o público brasileiro, incluindo no cardápio campeonatos de futebol e reality shows? O Netflix é um serviço de filmes e programas de TV. Há outras empresas on-line que oferecem esse tipo de conteúdo, como a ESPN, especializada em esportes. No nosso caso, somos especializados em filmes e programas de TV. Aqui, seguiremos o mesmo modelo dos Estados Unidos.

Além de futebol, os brasileiros gostam muito de novelas. O Netflix chegou a entrar em contato com canais locais para negociar esse tipo de conteúdo? As novelas são de grande importância para o Netflix. Já futebol, não muito. Atualmente, licenciamos algumas novelas e cada vez teremos mais e mais opções. Estamos focados em programas exibidos no ano passado, de forma a não competir com a TV. Temos algumas novelas produzidas na América Latina e até algumas brasileiras. É hora da customização do conteúdo.

Quando o Netflix terá aplicativos para iPhone e iPad no Brasil? Até o fim deste ano.

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