De Roberto Carlos a Fernanda Montenegro: os problemas de artistas com a Inteligência Artificial
De discursos políticos à venda de produtos, nova tecnologia tem dado dor de cabeça aos famosos
Embora o avanço da Inteligência Artificial traga consigo uma série de novas possibilidades para a humanidade, é inegável que a tecnologia tem um potencial imenso para causar problemas. A produção de vídeos cada vez mais realistas por parte da IA tem gerado dor de cabeça para muitas pessoas — sobretudo para os famosos. A coluna GENTE traz uma lista dos artistas que tiveram problemas com a inovação.
Fernanda Montenegro
Uma das mais respeitadas atrizes do audiovisual brasileiro, Fernanda Montenegro entrega credibilidade a qualquer ação comercial que faça. Então não foi nenhuma surpresa quando golpistas criaram um vídeo falso da artista vendendo “biocatalisadores estimulantes”, que supostamente curariam dores articulares em idosos. A célebre protagonista de Central do Brasil (1998) teve que ir às suas redes sociais negar qualquer envolvimento com o trambique.
“Quero denunciar aqui o uso do meu nome, da minha pessoa, na propaganda de um remédio para idosos que cura até Alzheimer. Sou usada como locutora e usuária. Só vi essa invasão na minha pessoa quando usei o meu celular. O uso invasor dessa dimensão na vida de um ser humano é um crime”, disse.
Roberto Carlos
Assim como Fernanda, o cantor Roberto Carlos também teve problemas com o uso de sua imagem e voz para vender produtos fraudulentos. Na última segunda-feira, 20, o Rei usou seu perfil oficial no Instagram para denunciar a existência de um anúncio falso no qual ele divulgava um suposto tratamento de saúde.
“Nunca gravei esse vídeo, não autorizei o uso da minha imagem ou da minha voz, e não tenho nenhuma relação com o tratamento, produto divulgado ou com o suposto médico mencionado”, disparou o ícone da Jovem Guarda, que também pediu para que qualquer compartilhamento do anúncio seja interrompido: “Pode causar prejuízos a quem acredita em informações falsas sobre saúde”.
Zezé Di Camargo
Diferente de seus colegas, o cantor Zezé Di Camargo não teve problemas relacionados à venda de produtos, mas sim à divulgação de mensagens políticas. Em um vídeo criado por IA e divulgado nas redes sociais, o sertanejo aparece realizando um discurso político no qual pede o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O episódio fez com que Zezé entrasse com uma ação judicial contra a Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook, alegando que a produção causava danos à sua imagem em um momento de forte polarização no país. A Justiça determinou que a empresa retirasse o vídeo do ar e pagasse as custas do processo e honorários de 15% sobre o valor da causa, que foi fixada em 15 mil reais.
Anitta
Nem sequer a área da criação artística está segura perante o avanço da inteligência artificial. Em setembro de 2025, a cantora Anitta reclamou do impacto gerado pelas músicas feitas por IA, que estariam viralizando nas redes sociais a partir da utilização de vozes e letras de artistas reais, que não lucram com as faixas.
“Ela (a pessoa responsável pela ‘criação) bota lá na inteligência artificial: ‘Quero uma música baseada em Caetano (Veloso), com a voz de ciclano’. Isso é um roubo intelectual de quem escreveu, que não está ganhando nada com essas produções, e quem teve essa ideia está ganhando essas execuções”, disse a artista.
Roberto Menescal
Um dos pais da Bossa Nova, o compositor e cantor Roberto Menescal compartilha do mesmo pensamento que Anitta. Em entrevista dada ao programa da coluna GENTE em dezembro, o músico de 88 anos relatou sua preocupação com o avanço da inteligência artificial, que já estaria produzindo um número de canções assustadoramente grande diariamente.
“São lançadas mundialmente, por dia, cerca de 500 mil músicas. A metade é de IA. Daqui a pouco haverá uma ultrapassagem”, disse Menescal. “Até um tempo atrás, a gente escutava uma música e já sabia que tinha IA. Agora, não mais. Ouço coisas que são até melhores que as do (Tom) Jobim. Rapaz, não dá para a gente fazer igual. É inexplicável e, sim, assustador”, completou.
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