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Criador do BlackBerry apresenta seu tablet

A Research In Motion (RIM), a fabricante canadense do BlackBerry, lançou seu tablet PC na segunda-feira, numa conferência de desenvolvedores em São Francisco. Em um retorno às raízes, porém, a companhia afirmou que o novo dispositivo será destinado principalmente ao mercado corporativo. Depois de popularizar o e-mail sem fio, a RIM cedeu muito de sua liderança no mercado de smartphones à Apple e a telefones baseados no sistema operacional Android, do Google.

O lançamento de um tablet não vai acabar com a crítica de alguns analistas de que a RIM está tentando jogar no campo da Apple. Na tentativa de diferenciar o PlayBook do iPad, Michael Lazaridis, co-diretor-executivo da RIM, disse que o novo tablet contém diversas características solicitadas por departamentos de tecnologia de informação de empresas.

Em discurso aos participantes da conferência, Lazaridis chamou o PlayBook de “o primeiro tablet profissional do mundo” e enfatizou repetidamente que ele é totalmente compatível com os servidores especiais que corporações e governos usam para controlar e monitorar trabalhadores com dispositivos BlackBerry.

Ao mesmo tempo em que a empresa ofereceu alguns detalhes sobre o novo dispositivo, deixou muitas perguntas sem resposta, em especial sobre o preço do tablet. A empresa também foi vaga sobre a data de lançamento, indicando apenas que ele estaria disponível no início do ano que vem.

Entre as novas características do PlayBook há a possibilidade de exibir material em monitores de PC e aparelhos de televisão, mas Lazaridis não fez nenhum esforço para usá-los durante sua apresentação. Com animações mostrando características do dispositivo aparecendo sobre sua cabeça numa tela gigante, ele fez pouco mais do que ligar o PlayBook que trazia nas mãos.

“É um produto muito real”, disse Charles Golvin, o principal analista da Forrester Research. “Mas obviamente é muito mais uma obra em progresso.” Talvez respondendo às críticas que o sistema operacional dos telefones da RIM está desatualizado, o PlayBook usará um novo sistema desenvolvido pela QNX Software Systems, uma empresa que a RIM comprou da Harman International no início deste ano.

O novo dispositivo também pode exibir páginas da web que usam o software Flash, da Adobe, uma capacidade inexistente no iPad. Para sublinhar esse ponto, Shantanu Narayen, presidente da Adobe, apareceu no palco com Lazaridis. Ainda que os telefones e o tablet da RIM tenham sistemas operacionais incompatíveis, Golvin espera que os desenvolvedores de aplicativos contornarão o problema usando o Flash, assim como protocolos padrão de páginas web.

A RIM tem ficado bem atrás da Apple em número de aplicativos disponíveis para seus dispositivos portáteis. Mas imediatamente depois do anúncio do PlayBook, a Amazon disse que iria lançar um aplicativo do e-book Kindle para PlayBook. Ao contrário dos iPads mais caros, o PlayBook não poderá se conectar diretamente às redes de celulares. Os usuários poderão, no entanto, se conectar à internet por meio de Bluetooth de seus BlackBerrys ou usando redes wi-fi.