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Conheça o TikTok, o aplicativo mais baixado do planeta em agosto

O app chinês atrai milhões de adolescentes com vídeos curtos e banais que lançam modismos e agitam a concorrência. O Facebook já criou uma cópia 

Por Jana Sampaio
Atualizado em 21 out 2019, 14h35 - Publicado em 18 out 2019, 06h00

Talvez o leitor nunca tenha ouvido falar do TikTok ou, se ouviu, não entendeu nada — e isso é bastante compreensível. O aplicativo chinês de vídeos rápidos que emplacou o primeiro lugar entre os apps mais baixados do planeta em agosto fala direto aos inte­grantes da geração Z, uma turma nascida entre 1995 e 2010, dona de olhar e vocabulário muito próprios. À primeira vista, parece só besteirol de rede social — o que dizer de um sujeito que lança uma melancia no teto de um supermercado, corre para que a fruta não despenque sobre sua cabeça e… fim? Essa impressão pode persistir na segunda, na terceira incursão, mas o fato é que meio bilhão de pessoas fizeram o download e, a seu modo, o app já influencia o jeito como elas cantam, dançam, se vestem e até contam pia­da. Os que conseguem arrastar milhões para a tela dos smartphones são promovidos a tiktoker, um mestre nos vídeos de até um minuto. “Nenhuma rede hoje alcança tão rápido o público jovem”, diz o paraibano Apollo Costa, 22 anos, veterano no YouTube. Ele ostenta no TikTok mais de 830 000 seguidores e contratos publicitários, entre os quais o de uma marca de refrigerante que estrela um de seus filmetes.

O sucesso de gente como ele ajuda a desvendar o que encanta no recém-­descoberto aplicativo, bem adaptado a um mundo ligeiro e afeito às imagens. “Um forte traço dessa geração que nasceu nas redes é a preferência por vídeos curtos no lugar de textos longos. Ela lê, sim, mas busca informação rápida”, analisa Francisco Brito Cruz, diretor do InternetLab. O tiktoker Apollo, por exemplo, oferece ao espectador coreografias animadas por hits dublados, proporcionando um flash de humor, assim como vários outros que se encontram por lá. A espontaneidade é a grande marca dos vídeos, seja ela exercida por um adolescente que canta firme debaixo do chuveiro e trava quando sai do boxe (a hashtag cantando no chuveiro recebeu 4,1 milhões de menções), seja em um dueto de gêmeos que dançam coordenados (3,6 milhões de curtidas). “Esqueça o menu de 21 pratos. Aqui você terá beliscos com um pouco de tudo: drama, comédia, música, dança”, frisa o crítico de TV americano James Poniewozik. Por “tudo” entenda-se a espécie humana agindo sem amarras nem preocupação com o que vão pensar.

(./.)

Criado em 2017 pelo conglomerado ByteDance, gigante de tecnologia na China (de novo ela), o TikTok bebeu da fonte do finado aplicativo de vídeos Vine e comprou o conterrâneo Musical.ly com sua base de usuários para dar a partida em um negócio cuja receita anual gira em torno de 2,5 bilhões de dólares. A empresa não revela cifras, mas sabe-se que fatura com anúncios em sua página e com uma parcela do que os fãs doam aos tiktokers. Entre os chineses, o app pegou logo (apesar das acusações de que a censura local anda passando a peneira) e, aos poucos, chegou aos Estados Unidos e ao Brasil, onde fincou base em São Paulo, com o plano de se espalhar pela América Latina. O Facebook de Mark Zuckerberg sentiu o baque: há quase um ano, criou um app à imagem e semelhança do TikTok. O Lasso foi baixado 250 000 vezes nos EUA (uma vírgula perto do 1 bilhão de down­loads do chinês). “Vamos ver se conseguimos fazer o Lasso funcionar em países onde o TikTok ainda não é muito grande antes de competirmos com ele onde é muito popular”, disse Zu­cker­berg em uma reunião em julho, cuja gravação vazou.

É verdade que o Instagram também oferece, com seus stories, a possibilidade de pílulas visuais — só que com menos ferramentas (veja o quadro ao lado). Mas as diferenças que estão deixando a concorrência atenta são de outra ordem. O TikTok liberta o usuário de ritos como criação de perfil, convite a amigos, pedidos para segui-­los. Quem quer postar precisa de cadastro; os demais abrem o app e saem assistindo. Para a garotada, parece um ambiente mais leve, onde as relações se dão por afinidade momentânea. “Não é como o Instagram, no qual um tenta convencer o outro de sua alegria, nem como o Twitter, no qual a persuasão se dá pelas ideias. No TikTok é: olha que legal o que eu fiz; você pode. É inclusivo”, resume Poniewozik. Um dos motores para a socialização são os desafios — imitar um personagem de videogame, copiar uma coreografia funk, formar a asa de um cisne com a perna. Daí vão surgindo modinhas e conexões, com um mundo de desconhecidos se seguindo. Essa multidão catapulta figuras como o rapper americano Lil Nas X, 20 anos, que, de ilustre anônimo, disparou no ranking da Billboard e foi premiado no Video Music Awards depois que a canção Old Town Road viralizou em um desses desafios. Isso é TikTok.

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Com reportagem de Victor Irajá

 

Publicado em VEJA de 23 de outubro de 2019, edição nº 2657

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