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Como os egípcios tentam driblar cerco à web no país

Fax, modem e rádio amador são alternativas ao bloqueio do governo

Por James Della Valle e Rafael Sbarai 1 fev 2011, 18h35

Desde a última quinta-feira, o governo egípcio mantém bloqueado o acesso à internet no país, em uma tentativa de impedir a comunicação entre as centenas de milhares de manifestantes que pedem a saída do ditador Hosni Mubarak do poder. No entanto, parte da população começa a driblar o cerco, lançando mão de tecnologias já ultrapassadas, mais ainda úteis, como fax, rádio amador e internet via conexão discada. Até o Google ajudou: nesta terça-feira, o gigante de buscas anunciou a criação de uma forma de acesso ao Twitter via telefone.

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Graças ao restabelecimento, ainda que parcial, do sistema telefônico, o acesso à internet via modem dial-up se tornou uma alternativa imprescindível. Contudo, ela depende de vários fatores para funcionar. Em primeiro lugar, é necessário contar com a placa de comunicação instalada no computador, recurso opcional em máquinas antigas e extinto nas novas. Ela é responsável por fazer a discagem e garantir a conexão. Supondo que o usuário consiga o equipamento, o próximo passo é conseguir um número de telefone e uma senha para utilizar um os provedores internacionais gratuitos.

Isso exige uma lista atualizada de números confiáveis, pois, uma vez rastreado, o provedor pode sofrer bloqueio pela empresa de telefonia responsável pela rede no Egito. Outro detalhe importante: é necessário ter uma linha capaz de fazer ligações para fora do país, o que não é o caso de várias residências na região.

De acordo com o site Manalaa, que publica informações para ajudar os egípcios a acessar a internet, uma boa opção seria a utilização de celulares para atuar como modems. Os aparelhos devem ser conectados aos computadores via rede Bluetooth – o que obriga os dois a possuir a tecnologia sem fio. Após configurar o aparato, é possível discar para os provedores e garantir uma conexão. Mais uma vez, o risco está em perder o serviço, uma vez que o governo pode bloquear o acesso às operadoras. Outros fatores menores, mas que podem atrasar a comunicação, são a qualidade da linha e a velocidade de transmissão de dados – bem inferior à desenvolvida pelos provedores de acesso que utilizam as tecnologias de banda larga.

O grupo de ativistas europeus We Re-Build afirma que, desde domingo, acompanha transmissões a partir do Egito via rádio amador. Além disso, colocou um número de fax à disposição dos egípcios, preservando nome e localidade de manifestantes que enviam conteúdos. Diz o grupo, em comunicado oficial: “O objetivo é manter meios de comunicação com os egípcios.”

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