Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Com compra da Beats, Apple pode renovar seu modelo de venda de música

Após mais de dez anos apoiada na venda de música, empresa deve fazer sua maior aquisição para atender demanda por serviços de streaming

Por Claudia Tozetto - 9 maio 2014, 16h14

A Apple pode anunciar, na próxima semana, a compra da Beats Electronics, fabricante do popular fone de ouvido Beats, o preferido das celebridades. A informação foi divulgada por fontes do jornal Financial Times mas, até o momento, não há confirmação oficial. Dr. Dre, rapper e cofundador da Beats, já pode ser visto comemorando em um vídeo intitulado “Apple = Beats 3.2 billions! The night everything changed” (Apple = Beats 3,2 bilhões! A noite em que tudo mudou, em tradução livre). Publicado pelo cantor e compositor Tyrese Gibson, o vídeo estava no Facebook, mas foi removido.

Leia também:

iPhone em Guarulhos vai custar menos do que nos EUA

Críticas ao Galaxy S5 derrubam chefe de design da Samsung

Publicidade

Rdio, Deezer, Spotify: suas músicas vão para a nuvem

Se a transação de 3,2 bilhões de dólares for confirmada, a Beats será a maior aquisição da história da Apple. Até agora, o maior investimento da companhia aconteceu em 1996, quando a companhia anunciou a compra da NeXT, fabricante de computadores que Steve Jobs fundou no período em que esteve afastado da direção da Apple. O investimento de 400 milhões de dólares na NeXT foi um divisor de águas: além de o sistema operacional servir de base para o Mac OS até hoje, a Apple recuperou Jobs, que liderou o desenvolvimento do iPod, iPhone e iPad – produtos que revolucionaram o mercado de tecnologia.

É difícil pensar que a compra da Beats poderia ser tão determinante para o sucesso da Apple nos próximos anos como aconteceu com a NeXT. Em nota divulgada após o FT publicar a reportagem sobre a aquisição, Gene Munster, analista principal da Piper Jaffray, consultoria especializada em tecnologia, afirmou que ainda não encontrou a razão para este movimento da Apple. “A Beats pode trazer uma marca global em música, mas a Apple já tem uma marca global e nunca fez uma aquisição apenas por amor a uma marca”, diz Munster. O analista considera que a empresa deveria investir em serviços de internet, como Twitter ou Yahoo.

Embora a Beats Electronics seja mais conhecida por seus fones de ouvido, a empresa fez um movimento recente que pode tê-la colocado no radar da Apple. Em janeiro deste ano, a empresa lançou um serviço de streaming de música, o Beats Music, que permite ouvir um catálogo de mais de 20 milhões de músicas de grandes gravadoras por meio da web e dispositivos com iOS, Android e Windows Phone. O serviço custa 10 dólares ao mês e funciona apenas nos Estados Unidos. Ainda não há previsão de lançamento do Beats Music em outros países, como o Brasil.

Publicidade

Com a aquisição da empresa, a Apple poderia expandir o seu alcance aos fãs de música. Desde o lançamento da iTunes Store em abril de 2003, ano que marcou o início da popularização do iPod (a empresa fechou o ano com mais de 2 milhões de unidades do tocador de músicas vendidas), a Apple pouco mudou o modelo de negócio da loja, que vende músicas e álbuns completos. Nos últimos anos, porém, o mercado de música mudou e serviços que oferecem assinatura de um catálogo de canções, em vez da venda individual, se popularizaram.

A Apple só passou a oferecer uma opção de streaming na metade de 2013, quando lançou o iTunes Radio. O serviço de rádio on-line – ele permite ouvir de graça várias estações com curadoria de DJs – pode ser acessado por meio dos dispositivos móveis da marca, mas inclui anúncios. Outra opção para ouvir músicas por streaming é assinar o serviço iTunes Match, que custa 24,99 dólares ao ano e cria uma cópia de todas as músicas do usuário na nuvem. Enquanto a primeira opção deixa a desejar por não oferecer playlists personalizadas, a segunda limita a biblioteca do usuário às músicas que o usuário já comprou. Ambas não decolaram.

“Ainda não está claro o que a Beats tem a oferecer à Apple. Talvez ela esteja interessada na tecnologia de streaming de música da empresa. A base de usuários do serviço não é grande o suficiente para ser interessante”, diz Frank Gillett, vice-presidente da Forrester Research, consultoria americana especializada em tecnologia, ao site de VEJA. Segundo fontes do site The Verge, o Beats Music conseguiu apenas 200.000 usuários desde o lançamento, em janeiro – a maior parte graças a acordos com operadoras nos Estados Unidos. O Spotify, principal concorrente, têm 24 milhões de usuários (sendo 10 milhões pagantes).

Além do interesse no serviço de streaming, analistas levantam outras possibilidades. Para Gillett, da Forrester, a Apple poderia estar interessada nas pessoas por trás da Beats Electronics e em sua experiência no mercado de música. Segundo fontes do jornal New York Post, o produtor musical Jimmy Iovine estaria em conversas com a Apple para trabalhar como “conselheiro especial” de Tim Cook, CEO da Apple, em projetos criativos. Além de ter fundado a Beats em parceria com Dr. Dre, Iovine é presidente do conselho das gravadoras Interscope, parte do grupo Universal Music, Geffen e A&M.

Publicidade

Embora os planos da Apple não estejam claros, a empresa pode acertar ao dar um impulso no comércio de música. Com as vendas do iPhone em alta e produtos como iPod e Mac perdendo espaço, o iTunes pode se tornar uma das apostas mais importantes da Apple. “Num futuro próximo, a Apple pode ganhar mais com o iTunes do que ganha com o Mac. A receita com o serviço não cresce tão rapidamente quanto com a venda de iPhone, mas os usuários sempre voltam para consumir mais conteúdo”, diz Horace Dediu, analista da consultoria americana Asymco.

Publicidade