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Cientistas começam a usar drones em pesquisas ambientais

A aplicação da tecnologia é cada vez mais comum na captação de imagens de lugares remotos e selvagens. Confira exemplos.

Por Carla Monteiro Atualizado em 17 fev 2017, 18h13 - Publicado em 17 fev 2017, 18h08

Cientistas estão aproveitando o frio “nem tão congelante” do verão da Antártica para enviar drones (os dispositivos não conseguem voar em temperaturas muito baixas) com a função de mapear e tirar fotos da costa do continente. A ideia é do biólogo marinho David Johnston, da Universidade de Duke, e a missão é verificar se os aparelhos podem realizar a contagem de animais, monitorar seus movimentos, explorar lugares selvagens, além de tirar fotos da biodiversidade local. O que pode economizar em tempo de pesquisa e, ainda, preservar a saúde dos cientistas.

Hoje, para estudar animais selvagens, além de utilizar imagens de satélites, os pesquisadores sobrevoam locais remotos para fazer as fotografias, se arriscando com voos muito próximos ao solo. Em alguns casos, se aproximam a pé. Com a novidade, os drones realizarão a tarefa mais rápido e com maior segurança. A alternativa também é mais barata.

Porém, a inovação tem limitações. Além do clima hostil (tempo úmido, temperaturas muito baixas e ventania forte), as máquinas também não conseguem sobrevoar por áreas muito extensas. Em alguns casos, ainda estressam os animais. Por isso, os pesquisadores enfatizam que os drones não irão substituir o trabalho humano, mas serão uma ferramenta adicional para as pesquisas.

Projetos do tipo no Brasil

No Brasil, os biólogos também utilizam as aeronaves sem tripulação para fazer fotografias aéreas tanto da fauna, quanto da flora. Neste domingo (12), o Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (GEMARS) divulgou imagens aéreas do golfinho-nariz-de-garrafa, presente na lista oficial de espécies da fauna gaúcha ameaçadas de extinção.  Os cliques foram realizados pelo fotógrafo Rodrigo Baleia, que divulgou uma das imagens em seu perfil da rede social Instagram. 

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Photo by Rodrigo Baleia (@rodrigobaleia ) Marine mammals researcher, PhD. Paulo Ott of Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (#GEMARS) collects biological and osteological material from Bottlenose dolphin (Tursiops truncatus) dead in Southern Brazilian coast, February 08, 2017. GEMARS, founded in 1991, has been working on research and conservation of cetaceans and pinnipeds on the coast of Brazil. Today, the research team consists of eight biologists and dozen of students and volunteers working, mainly in Southern Brazil. In 25 years, the organization has already collected samples and biological data from about 1715 specimens. Last week I had the opportunity to take my 11-year-old daughter to accompany me during the coverage of fieldwork conducted by researcher Paulo Ott. Alice sometimes collaborates capturing images and assisting the researcher in the storage and tabulation of the material. Complains of environmental degradation have no effect on people who are unaware of the meaning and importance of biodiversity. Just education will make a difference. We should conduct our children for a single path: spread curiosity and respect for life. #biodiversity #biome #coexisting #conservation #science #environmentaleducation #RS #marinemammals #photojournalism #whales #dolphins #tursiops #tursiopstruncatus #shooting by #DJI #multimedia #wildlife #GEMARS #simbioses #researchbybaleia #biology #biodiversity #conservation #science #research #Whales #environmentaleducation #RS #cetacean

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 Já a ONG brasileira WWF lançou, em janeiro, a websérie Expedição Ecodrones – Botos da Amazônia. Os vídeos, com imagens aérea inéditas do bioma, foram feitos no final de 2016. Os drones percorreram, em oito dias, 400 km do Rio Juruá, no Amazonas, e observaram 791 botos. Trata-se da primeira vez em que a tecnologia foi utilizada para o monitoramento populacional de botos na Amazônia. Confira um dos vídeos do projeto:

Outra iniciativa exemplar

O fotógrafo britânico Will Burrard-Lucas usou os dispositivos para gravar vídeos de animais do Parque do Serengeti, localizado na Tanzânia, no continente africano. O profissional registrou gnus migratórios, hienas, hipopótamos e leões (veja no vídeo abaixo). No entanto, de acordo com Burrard-Lucas, os drones têm limites que ainda atrapalham o trabalho. Exemplo: a bateria do aparelho possui uma vida útil de apenas 15 minutos, o que limita a abrangência dos registros. 

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