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CEO da Epic Games acusa Apple de tentar ‘explodir’ as boas relações entre Brasil e EUA

Tim Sweeney chama as cobranças da Apple de 'taxas inúteis' e diz que a fabricante paga lobistas em Washington para pressionar país

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 jul 2026, 17h29
CEO da Epic Games acusa Apple de tentar ‘explodir’ as boas relações entre Brasil e EUA Priorizar nos meus resultados Google

Nesta quinta-feira (30), a Epic Games lançou oficialmente sua loja de aplicativos para iPhones no Brasil, marcando o retorno de Fortnite aos dispositivos da Apple fora da App Store. Em coletiva de imprensa virtual com jornalistas brasileiros, o CEO da Epic, Tim Sweeney, foi direto ao apontar o alvo central da empresa: “A Apple está tentando explodir todas essas boas relações entre nossos países para preservar sua capacidade de violar a lei e extrair taxas ilegais”, disse, referindo-se à pressão que, segundo ele, a fabricante do iPhone exerce sobre o governo dos Estados Unidos para retaliar o Brasil pelas decisões do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O executivo foi além: “Digo isso como americano: sinto profunda vergonha do que a Apple está fazendo através de suas conexões governamentais.”

A abertura do sistema operacional da Apple é resultado de um Termo de Compromisso de Cessação (TCC) homologado pelo Cade em 23 de dezembro de 2025, que encerrou um processo administrativo aberto em dezembro de 2022 a partir de denúncia do Mercado Livre por suposto abuso de posição dominante na distribuição de aplicativos para iOS. Sweeney lembrou que o embate é antigo — “A Epic tem estado contra a Apple desde 2020” — citando vitórias judiciais nos EUA e decisões semelhantes na UE e no Japão. Com o TCC, o Brasil torna-se a terceira jurisdição a receber a Epic Games Store no iOS — mas, segundo o executivo, com uma diferença: a Apple “bloqueia lojas concorrentes como a Epic Games Store no iPad” apenas no Brasil, algo que a Europa já a obrigou a liberar.

As críticas mais duras de Sweeney foram reservadas ao modelo de cobrança. Segundo ele, a Apple cobra 21% sobre compras processadas por sistemas de pagamento concorrentes dentro dos aplicativos: “Serviços de pagamento normais cobram taxas de 2 ou 3%, que é o custo real do processamento de pagamentos. A Apple mais que dobra isso e cobra uma taxa por não fazer absolutamente nada.” Para compras concluídas fora do app, via link externo, a cobrança é de 15% — “uma taxa inútil (…) completamente ridícula e que precisa parar”, disse. Já as lojas alternativas instaladas no aparelho, caso da própria Epic Games Store, pagam 5% sobre todo o faturamento gerado com seus clientes: “Isso torna muito difícil para qualquer loja competir e repassar a economia aos usuários”, resumiu.

A fricção também aparece na instalação: na União Europeia são seis etapas para baixar uma loja alternativa; no Brasil, nove — incluindo, segundo Sweeney, seis telas só para confirmar a instalação da Epic Games Store. “A Apple tem os melhores designers de interface de usuário do mundo, então, quando você vê a Apple criar uma interface ruim, sabe que é intencional”, afirmou. Ele também acusou a fabricante de exigir dos desenvolvedores um mecanismo de rastreamento de transações — “a Apple exige que desenvolvedores incluam um ‘spyware’ de pagamento para monitorar todas as transações digitais feitas pelo usuário” —, o que, segundo ele, afasta estúdios interessados em entrar na loja: “muitos desenvolvedores têm uma objeção moral em permitir que a Apple monitore essas transações em que não deveria estar envolvida.” A Apple nega as acusações e defende que seus processos de aprovação são salvaguardas necessárias para proteger os usuários contra fraudes, golpes e softwares maliciosos.

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Por isso, a Epic Games Store estreia no iOS brasileiro apenas com Fortnite e Rocket League Sideswipe, ambos da própria desenvolvedora. Sweeney afirmou que a meta é “alcançar dezenas de milhões de usuários” no curto prazo e, ao longo da década, “centenas de milhões ou bilhões” globalmente, “quando a Apple e o Google estiverem totalmente abertos à concorrência”. Apesar do lançamento, evitou comemorações: “ainda não alcançamos a vitória mundial na luta contra a Apple”, disse, prometendo manter a pressão até que as práticas da Apple “tenham mudado em todo o mundo”.

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