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BMW e Mercedes encerram serviços de carsharing nos EUA

No mercado que atende os consumidores que não querem carro próprio, a saída de duas gigantes do setor é um indicativo de quem pode estar levando o páreo

Por André Lopes - Atualizado em 20 dez 2019, 17h35 - Publicado em 20 dez 2019, 17h16

Surge o primeiro sinal de quais serão os vencedores da corrida pelo modelo de transporte compartilhado: Daimler (que controla a Mercedes Benz) e a BMW vão encerrar as empresas de carsharing que mantinham no EUA e Canadá. As startups Share Now e Car2Go, que alugavam carros para pequenas distâncias, eram controladas por uma joint-venture criada pelas empresas e atuava em mercados como Montreal, Nova York, Seattle, Washington e Vancouver. A justificativa seria “o estado volátil do cenário da mobilidade global”, como motivo principal para a decisão. De acordo com informações da agência de notícias Reuters, os custos operacionais na América do Norte também pesaram na escolha.

A finalização dos serviços também ocorrem nas cidades de Florença (Itália), Londres (Inglaterra) e Bruxelas (Bélgica). A tentativa da Daimler de guiar o mercado pelo modelo de compartilhamento de carros ocorreu em 2018, quando a companhia adquiriu 25% das ações remanescentes da Car2Go, que até então pertenciam à Europcar. No ano passado, BMW e Daimler estabeleceram a fusão entre Car2Go e DriveNow, incluindo aí a operação conjunta dos serviços de transporte pessoal, estacionamento e recarga de veículos elétrico.

O aluguel de carro concorria diretamente com os aplicativos de transporte com motorista particular, iguais ao Uber e 99. A derrota do primeiro modelo mostra que os consumidores querem facilidades ao ponto de nem sequer terem de dirigir. Nesse caso, sobram mais clientes para os apps de corrida. Também entram na conta modais como serviços de aluguel de patinetes, bicicletas e scooters elétricos, que fatiam ainda mais o bolo de serviços de transporte para distâncias curtas.

Se comparado ao movimento do mercado, as aquisições da Daimler e BMW chegaram relativamente tarde. Em 2016, no momento de maior expansão da popularidade de Uber e outros apps similares, a General Motors já dava sinais de que novos modelos de transporte deveriam receber investimentos. No primeiro trimestre daquele ano, a montadora injetou meio bilhão de dólares no Lyft, o maior rival do aplicativo de transporte Uber nos Estados Unidos.

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A dona da marca Chevrolet no Brasil também criou uma startup chamada de Maven, para compartilhamento de carros com custo de aluguel por hora. Contudo, não deu certo. Em maio de 2019, o serviço deixou de existir nas 8 cidades americanas em que a iniciativa começou.

O Maven chegou a ser prometido para o Brasil pelo presidente da GM América do Sul, Carlos Zarlenga, que previa lançar o serviço para o público ainda em 2018, primeiro em São Paulo. Mas ele ainda não está disponível no país, e se levado em conta como andam as concorrentes, as chances de nunca chegar por aqui são grandes.

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