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Biz Stone, Al Gore, Sean Parker e o ativismo digital

Para o trio de executivos americanos, a rede é imprescindível para a manutenção da democracia nos Estados Unidos e no mundo

Por Renata Honorato, de Austin - 13 mar 2012, 04h59

A edição deste ano do festival South by Southwest contou com a participação de três ilustres convidados: Biz Stone, fundador do Twitter; Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos; e Sean Parker, cofundador do Napster e um dos empreendedores mais controversos do setor de tecnologia.

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Jovens, loucos e conectados

As palestras aconteceram em dois tempos. Primeiro Stone detalhou a história do Twitter sob sua perspectiva e demonstrou orgulho ao descrever a ferramenta como um importante veículo de informações durante as mais recentes mobilizações sociais em todo o mundo. Em seguida, no segundo painel, Gore e Parker destacaram o poder das redes sociais e o potencial desses mecanismos na manutenção da democracia às vésperas de uma eleição presidencial.

Segundo Stone, o Twitter surgiu em um momento em que o SMS começava a se tornar popular. O seu potencial de mobilização, contudo, só ganhou dimensão em 2007, quando a empresa participou pela primeira vez do SXSW. “Um garoto da plateia publicou no Twitter uma mensagem sobre a nossa palestra. Logo depois vários de seus seguidores chegaram à sala onde aconteceria o painel. Só ali eu me dei conta do poder da ferramenta”, disse o executivo.

Tanto Stone quanto Gore e Parker destacaram a necessidade das pessoas utilizarem as redes sociais a as plataformas colaborativas para um bem comum. “Há 60 anos, a televisão passou a ser mais relevante do que o jornal. Agora estamos vivenciando o momento em que a internet ganha força”, disse o ex-presidente ao comprovar o poder de influência da rede na sociedade contemporânea.

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Sean Parker no SXSW
Sean Parker no SXSW VEJA

Diferente do personagem interpretado por Justin Timberlake no filme A Rede Social, Parker é uma pessoa tímida. Visivelmente nervoso frente aos 3.000 visitantes presentes em seu painel, o executivo foi econômico nas palavras e evitou qualquer contato visual direto com a plateia. Inquieto, manteve os dedos cruzados a maior parte do tempo. Fez poucas brincadeiras e escutou pacientemente todo o discurso manjado de Al Gore – que, aparentemente, deve voltar à política em breve.

Criar um ambiente propício ao debate não é uma tarefa simples. “Nem sempre o primeiro projeto atende às expectativas”, conta Parker, veterano no setor de startups. Stone compartilha da mesma opinião e faz uma analogia a esses desafios usando o filme Asas do Desejo, de Wim Wenders, onde um anjo abre mão da imortalidade para se tornar um humano: “Se você quer fazer sucesso esteja pronto para o fracasso”, afirmou.

O cofundador do Twitter chamou a atenção para o altruísmo na internet e disse que há muitas maneiras de usar as redes sociais para transformar o mundo em um lugar melhor. Al Gore assinou embaixo: “Agora precisamos realizar o Occupy Democracy”, uma referência à série de protestos realizados em Nova York, Londres e Espanha contra as grandes corporações e o sistema financeiro.

Para Sean Parker é imprescindível que os profissionais da área de tecnologia inovem a médio ou longo prazo. “É preciso que ocorra uma mudança na concepção das novas ferramentas on-line”. De acordo com o executivo, há muitos políticos nos Estados Unidos que ninguém sabe ao certo quem são ou o que estão fazendo. “Isso só mostra que as nossas plataformas atuais de informação na internet ainda são ineficientes”, finalizou o cofundador do Napster.

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