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‘Assassin’s Creed III’ mergulha na Revolução Americana

Segundo produtor, o game, que chega às lojas no dia 30, explora fatos pouco conhecidos do episódio, como o lado mulherengo de Benjamin Franklin

Assassin’s Creed é uma das franquias mais bem-sucedidas do mercado. A série, lançada pela Ubisoft em 2007, vendeu em todo mundo mais de 38 milhões de cópias (500.000 só no Brasil). A terceira edição do game, batizada Assassin’s Creed III, chega às lojas brasileiras no próximo dia 30. Desta vez, o jogo, conhecido pelo seu teor histórico, explora fatos curiosos acerca da Revolução Americana, que levou os Estados Unidos à independência em 1776. Isso quer dizer que entre uma luta e outra o jogador vai se deparar com personagens notórios como Benjamin Franklin e George Washington. Para reproduzir no game os acontecimentos históricos, a equipe da Ubisoft Montreal, da qual o produtor Philippe Ducharme faz parte, contou com a ajuda de historiadores e de consultores especialistas em mohawk, uma tribo nativa americana. Durante a fase de pesquisa, fatos curiosos vieram à tona. “Descobrimos coisas engraçadas, como a fama de mulherengo de Franklin. Ele tinha muitas amantes e escrevia sobre elas e sobre suas aventuras em cartas enviadas a amigos”, diz o canadense. “É difícil imaginar isso ao ver sua imagem em uma nota de cem dólares”, brinca. A entrevista com Ducharme faz parte de uma série de conversas que VEJA.com manteve com representantes do setor de games durante a recente visita deles ao país para participar do Brasil Game Show.

As entrevistas da série sobre games:

– o mexicano Aníbal Vera, da Konami, fala do PES 2013

– o brasileiro Gilliard Lopes, da Electronic Arts, fala do Fifa 13

– quarta-feira: a americana Kiki Wolfkill, da Microsoft, fala de Halo 4

– quinta-feira: o americano Bill van Zyll, da Nintendo, fala do Wii U

Por que vir ao Brasil para participar de um evento de games? É a primeira vez venho ao país e estou me divertindo muito por aqui. Bertrand Chaverot, diretor da Ubisoft no Brasil, me falou sobre a necessidade de alguém da equipe de Assassin’s Creed III vir ao país. Sabíamos que esse seria um ótimo destino. Os brasileiros adoram a franquia e Bertrand me contou que a página do Facebook da Ubisoft no Brasil tem mais de 1,2 milhão de fãs. É a maior comunidade da companhia na rede em todo o mundo. Os brasileiros também gostam dos romances de Assassin’s Creed e qualquer produto baseado na série sempre é bem recebido por aqui. Por isso, é importante estar aqui. Lembro que fiquei ansioso quando começaram a estudar quem seria o porta-voz a desembarcar no Brasil. Fiquei muito feliz em ser o escolhido.

De fato, Assassin’s Creed é uma franquia popular no Brasil. Quais são suas expectativas em relação ao lançamento da terceira edição do jogo por aqui? Obviamente, nossa expectativa é muito grande antes do lançamento de um novo título. Queremos fazer desse o maior projeto da Ubisoft e essa será a grande diferença de Assassin’s Creed III. O projeto é talvez o mais ambicioso que a Ubisoft já concebeu em toda a sua história. Queremos elevar o título a outro nível. Trata-se de um projeto global: sete diferentes estúdios trabalharam nesse jogo.

Quais países estiveram envolvidos no desenvolvimento do game? Uma equipe estava em Cingapura, outra em Quebec City, no Canadá, além de outro time na França, trabalhando nos recursos multiplayer do game. Havia gente ainda em Bucareste, na Romênia, onde eram realizados os testes de qualidade, e uma turma de apoio em Sofia, na Bulgária. Outros colaboradores estavam espalhados em outros países. Os estúdios trabalharam em conjunto na produção para garantir a harmonia e a fidelidade do que foi pensado pelos diretores. Esse era nosso trabalho 24 horas por dia. Existia muita integração entre todos da equipe, que era formada por mais de 500 pessoas, sem contar os responsáveis pelo marketing e promoção. Continue lendo a entrevista

Quantos historiadores e demais especialistas trabalharam na pesquisa? Na verdade, uma equipe trabalhou conosco desde o primeiro dia do projeto. Eles nos ajudaram a encontrar informações plausíveis e até curiosas, como a história de que Benjamin Franklin era mulherengo. Descobrimos coisas engraçadas sobre ele. Franklin tinha muitas amantes e em cartas aos amigos dava detalhes sobre suas mulheres – jovens ou mais velhas -, além de suas aventuras. Ele era um cara carismático e muita gente sequer sabe disso. Franklin tinha certo humor, mas ninguém consegue imaginar isso ao ver a sua imagem em uma nota de 100 dólares. Todos sabem que ele participou da Revolução Americana, mas ninguém desconfia dos detalhes de sua vida privada. Tivemos acesso a muitas cartas históricas e algumas estão no jogo.

Os cenários foram reproduzidos de acordo com a arquitetura das cidades que ganharam versões no game? Todos os mapas de Boston e Nova York são da época. Recriamos as cidades e qualquer jogador pode seguir pela Broadway Avenue, por exemplo. Também contamos com a colaboração de consultores especialistas na tribo nativa americana mohawk. Nosso objetivo era replicar tudo com perfeição. Também atentamos ao idioma, já que algumas sequências são no dialeto mohawk. Estudamos a fundo a língua para que os atores não errassem na pronúncia. Pesquisamos a história da tribo e reproduzimos a cultura indígena com muito respeito no jogo. Estamos muito orgulhosos de retratar dessa forma a história dos índios americanos em Assassin’s Creed III.

Muitos pais afirmam que seus filhos têm aprendido história graças à série Assassin’s Creed. O mesmo vai acontecer nesta terceira edição? Assassin’s Creed é como um playground e essa é a razão pela qual investimos tanto em pesquisa. Queremos ter certeza de que o que estamos contanto no jogo faz sentido. É por isso que esses estudos têm muito valor para a experiência do jogador. Todo o enredo foi desenvolvido com base em fatos históricos, embora haja também ficção. Por exemplo: um assassino jamais falaria com George Washington em um tom tão amigável. Mas, nesta edição da franquia, os jogadores encontrarão passagens importantes da Revolução, como o evento do Valley Forge, quando Washington e seu exército acamparam por seis meses na região da Pensilvânia durante um inverno rigoroso. Milhares de soldados morreram de frio, fome e de doenças contagiosas. Recriamos essa passagem no game e fizemos com que os jogadores questionem o comando. Washington só ganhou uma batalha das três que disputou durante toda a Revolução e ele era um péssimo comandante. Ele era um general horrível e as pessoas não sabem disso. Fizemos questão de criar toda essa ambientação em torno dos personagens considerados ícones na história da independência dos Estados Unidos.

Quantos anos vocês gastaram trabalhando nesse projeto? Começamos logo após o lançamento de Assassin’s Creed II, em 2010. Estamos trabalhando nesse jogo há mais ou menos três anos. Em abril, apresentamos nosso primeiro protótipo. Antes de vir ao Brasil, acertei com o diretor técnico os últimos detalhes. Avaliamos os progressos mais recentes e estamos muito orgulhos do resultado final.

Qual será o futuro da série Assassin’s Creed após o lançamento desta edição? Eu ainda estou imerso no Assassin’s Creed III. Obviamente, essa é uma franquia de muito sucesso, mas ainda não fizemos qualquer anúncio sobre o futuro da série. Estamos trabalhando agora nas atualizações. Vamos lançar um DLC (conteúdo para download) de uma história alternativa chamada The Tyranny of King Washington. Ao todo, cinco pacotes de atualização serão lançados nos seis meses seguintes ao lançamento do game.