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As séries de TV cabem na tela do telefone

Por The New York Times 3 Maio 2010, 21h14

Pode ser difícil pensar em assistir a série The Office numa tela do tamanho de um cartão de crédito. Mas milhares de pessoas – segundo as estimativas mais conservadoras – já estão fazendo isso. “Nós imaginamos que eles estão assistindo videoclipes entre as aulas ou durante o checkout,” disse Vivi Zigler, presidente do entretenimento digital na NBC Universal, resumindo o conhecimento convencional da indústria. Mas os donos de iPhones e outros smartphones estão na verdade assistindo episódios longos e por vezes até filmes completos. E um número crescente de companhias de mídia está se preocupando com a forma como as pessoas usam seus celulares.

Comparado com a televisão, a audiência dos celulares é pequena, mas um punhado de companhias, de estúdios de Hollywood até estações locais de televisão, preveem um mundo sem fio em ascensão – e eles não querem se ver fora da jogada. Alguns programas de TV, como The Office da NBC.com, são transmitidos sem custo agora, mas existe o temor entre as companhias de comunicação de que estão jogando dinheiro fora ao confiar somente na receita de comerciais. E existe sempre a preocupação, tanto na internet quanto nos celulares, de que as novas plataformas poderão tomar o espaço das companhias principais.

Muito da experimentação da TV no celular está acontecendo do lado pago, através de pacotes vendidos pela AT&T e Verizon ou de serviços de assinatura que logo irão chegar ao mercado. No mês passado, algumas das principais emissoras dos Estados Unidos anunciaram um empreendimento conjunto para transmitir conteúdos para telespectadores em movimento. Mas isso ainda deve demorar.

As emissoras pretendem transmitir para telefones por meio de ondas aéreas, algo parecido com a Flo TV, uma unidade da Qualcomm que investiu em torno de $1 bilhão em distribuição de vídeos para celulares. O serviço envia canais como ESPN, Fox News e MTV para os aparelhos. “Introduzimos o conceito de que estar em movimento e assistir vídeos é algo natural e estamos vendo que essa prática vem crescendo muito ultimamente,” disse Bill Stone, presidente da Flo TV. Segundo Stone, o tempo médio de um usuário da Flo TV diante da telinha é de 30 minutos por dia. Até agora, poucas pessoas estão pagando 10 dólares por mês pelo serviço.

Isso não impede que outras companhias de mídia tentem cobrar por seus conteúdos. Começando atrasado este ano, o Bitbop, um produto do grupo News Fox Mobile, irá transmitir episódios de TV para smartphones por 9,99 dólares por mês.

A News Corp. recusou um pedido de entrevista, mas Joe Billman, da Fox Mobile, descrito como o principal arquiteto do Bitbop, registrou numa declaração ao mercado em março que “o casamento do conteúdo sob demanda e a mobilidade tem o poder de criar essa centelha no universo do smartphone.”

A Blockbuster, a cadeia de aluguéis de vídeos, começou a vender filmes para telefones no mês passado. O vencedor do Oscar Guerra ao Terror (The Hurt Locker) custa 3,99 dólares por um período de 24 horas de aluguel. Ninguém sabe dizer o tamanho do mercado de vídeos pagos enviados para celulares. A maioria das famílias já paga pela TV a cabo ou satélite. E esses distribuidores estão começando a circular pelo mundo dos aparelhos celulares.

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Stone não diz quantos assinantes tem a Flo TV, mas reconhece que o mercado é novo. Também não revela quando a Qualcomm espera que a Flo TV se torne lucrativa.

Quando a NBC.com é acessada por um smartphone, há uma demora de alguns segundos para o episódio começar, mas a transmissão é surpreendentemente confiável em uma conexão 3G. A rede CBS também oferece um aplicativo de iPhone para assistir TV. Muitas companhias de mídia estão distribuindo seus produtos de maneiras muito diferentes, desde que J.B. Perrete, o presidente para a distribuição digital da NBC, afirmou que “nós não temos a resposta para qual irá vencer.” A Flo TV cobra dos assinantes. Outras empresas, em seus próprios sites, acham mais fácil customizar propagandas para telespectadores individuais.

A audiência para TV no celular é pequena no momento, mas vem crescendo rapidamente. Cerca de 17,6 milhões de pessoas nos Estados Unidos assistiram vídeos nos celulares nos últimos três meses do ano passado, de acordo com consultoria Nielsen, mais de 11,2 milhões do que um ano antes. Eles assistiram em média 3 horas e 37 minutos por mês. Em comparação, os americanos assistem em média a 153 horas de televisão.

Eric Berger, vice-presidente para as conexões digitais da Sony Pictures Television, disse que o crescimento dos telespectadores de celulares corresponde ao aumento das vendas de smartphones. Sony descobriu que visitantes de aparelhos celulares do site de vídeos Crackle.com assistem em média 26 minutos de um filme. Só 20% vão até o final. Berger acredita que as pessoas assistam filmes que já tenham visto. E reveem só parte deles.

Muitas pesquisas de mídia afirmando que telespectadores precipitam-se em direção à tela que está mais disponível. Se um dos pais está assistindo na sala, uma criança pode escolher ver outra coisa no telefone. “Está virando um mercado de massa, mais do que era, digamos, dois anos atrás,” comentou Berger sobre a TV no celular.

Zigler encontrou 60% de usuários de telefones da NBC.com acessando de casa, indicando que algumas pessoas não ligam em assistir comédias e dramas numa tela do tamanho da palma de sua mão mesmo quando uma TV grande está por perto. Mas as restrições da banda larga são uma grande preocupação. Os aluguéis da Blockbuster, por enquanto, ainda não funcionaram no iPhone, que é vendido pela Apple, com o serviço da AT&T. O iPhone é “um pouco desafiador,” disse Scott Levine, vice-presidente para a área digital da Blockbuster, citando a forte demanda de banda larga que o telefone coloca na tensa internet da AT&T.

Provedores de acesso disseram que estão introduzindo pouco a pouco a próxima geração de internet, mais adequada para a transmissão de vídeos. Kay Johansson, chefe de tecnologia da MobiTV, disse que as companhias continuam tentando encontrar métodos para espremer mais dados dentro do que já existe. Mas isso depende de um espectro para o envio de vídeos para celulares com mais eficiência. Mas todos estão confiantes que as pessoas irão cada vez mais querer assistir vídeos em trânsito, tanto ao vivo quanto demanda por meio de um provedor de internet sem fio. “A TV em casa será somente uma tela maior,” disse Johansson.

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