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Aplicativos viram brinquedo nas mãos das crianças

Pais utilizam recurso para entreter e até mesmo ensinar seus filhos

Por Renata Honorato 2 mar 2013, 17h16

As crianças adotaram os aplicativos para smartphones e tablets e os números ilustram essa adesão em massa. Segundo o estudo Downloading Apps for Children, desenvolvido em 2012 pela Pew Internet, um projeto do Centro de Pesquisas Pew, 34% dos pais que utilizam dispositivos móveis baixam aplicativos infantis para seus filhos. Isso explica, em parte, porque nos Estados Unidos a Apple, fabricante do iPhone e iPad, terá que pagar 100 milhões de dólares em indenização para pais da Califórnia. A razão: as crianças, sempre à frente de seu tempo, aproveitaram falhas para comprar itens dentro dos apps sem o consentimento da família.

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De acordo com o levantamento da Pew, 46% dos aplicativos baixados pelos pais têm como objetivo entreter as crianças. Cerca de 30% é voltado à educação. Nos demais casos, a família intercala entre apps educacionais e de entretenimento. Segundo a pesquisa Kids and Apps: A New Era of Play, da consultoria NPD Group, especializada em análises de mercado, as crianças utilizam os programas, em média, cinco dias por semana. A cada sessão de brincadeira, elas permanecem conectadas ao aplicativo por, aproximadamente, uma hora.

Natalie Wechsler, uma brasileira que vive no estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, é mãe de duas crianças – uma de três e outra de cinco anos. Veterana do mercado de games, ela decidiu criar um blog, em português, para ajudar os pais a escolher os melhores aplicativos para seus filhos. O Infantapps nasceu há dois anos e serviu de inspiração para que ela e seu marido apostassem profissionalmente no segmento de aplicativos infantis. “Abrimos uma empresa, a Technolio, para desenvolver esses programas”, diz a executiva em entrevista, por telefone, ao site de VEJA. “Todos nossos aplicativos possuem suporte para os idiomas português, inglês e espanhol. Nosso principal mercado, contudo, é o Brasil, já que a oferta de programas infantis ainda é pequena. Aqui nos Estados Unidos a concorrência é bem maior”, conta.

Para a professora Maria Isabel Leme, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), é natural que as crianças se sintam atraídas por esses aplicativos por causa da interação que eles proporcionam. “É muito importante, no entanto, que esses jovens também desempenhem atividades offline, como brincadeiras tradicionais e comuns a cada fase da infância”, explica a especialista. A psicóloga adianta ainda que é difícil prever o impacto que essas novas tecnologias terão no desenvolvimento dessas crianças. “Não temos pesquisas na área porque não há parâmetros de comparação. No início dos anos 2000, realizei um estudo que mostrou que os videogames ocupavam a terceira posição na preferência dos jovens, atrás de atividades como jogar bola. Talvez hoje o cenário seja bem diferente”, afirma a professora, que testemunha em sua casa, por meio da rotina de seus netos, a popularidade dos aplicativos para iPad.

A comunidade acadêmica não tem um veredicto – nem aqui, nem no exterior – sobre como esses aplicativos podem ajudar no desenvolvimento de capacidades cognitivas ou no processo de alfabetização. O que é consenso para pais, desenvolvedores e pesquisadores é a capacidade desses programinhas em reter a atenção até mesmo de crianças cheia de energia. O aplicativo da Galinha Pintadinha, que já acumula mais de um milhão de downloads, está aí para comprovar no mercado o que os cientistas estão começando a considerar na ciência.

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