A brasileira premiada como ‘mulher inspiradora em tecnologia’ pelo Brics
À coluna GENTE, Glaucia Guarcello avalia a importância do reconhecimento internacional
A brasileira Glaucia Guarcello, 39 anos, acaba de ampliar o alcance do país em um dos fóruns mais estratégicos do Sul Global. CEO de empresas do Grupo Ânima, ela foi reconhecida em Nova Délhi, na Índia, como Mulher Inspiradora do Ano em Inovação e Tecnologia pelo Brics, além de ser incluída entre nove mulheres ícones globais na publicação oficial do bloco.
Mais do que o prêmio, o movimento sinaliza influência de Glaucia, que foi convidada a ser coautora de um white paper de política pública voltado aos governos do grupo, com foco no avanço feminino em carreiras de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Na prática, ela passa a integrar o espaço onde diretrizes econômicas e tecnológicas começam a ser desenhadas.
“Participar dessa construção significa sair da posição de ‘adotadores de tendências’ para ‘arquitetos de diretrizes’. Isso permite ao Brasil influenciar agendas estruturais, como inclusão digital, formação de talentos e políticas de inovação, antes que elas cheguem como modelos importados”, afirmou Guarcello à coluna GENTE.
À frente da HSM, SingularityU Brazil e do Learning Village, Glaucia defende que a fluência digital feminina precisa sair da pauta de diversidade e migrar para o centro da economia. “Não é apenas sobre aprender ferramentas. No fundo, é uma questão de poder. E ampliar isso para mulheres não é só uma pauta social, é uma alavanca econômica”, avalia a empresária, apontando barreiras culturais, formação pouco conectada à prática e a sobrecarga de tempo das mulheres como os entraves principais: “O principal bloqueio hoje não é acesso à tecnologia, mas a repertório, confiança e contexto.”
Autora do livro Menos Forecast, Mais Foresight, a executiva sustenta que levar a perspectiva de uma brasileira a este tipo de fórum amplia a diversidade. “O Brasil tem desafios e soluções específicas. Quando essa visão entra na construção de políticas multilaterais, ela aumenta a chance de termos diretrizes mais aplicáveis à nossa realidade e não apenas replicações de modelos de países desenvolvidos. No fim, é representatividade, mas também capacidade de influenciar onde capital, tecnologia e talento vão ser direcionados”, completou.






