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Vendidos ilegalmente, medicamentos são extremamente perigosos

Remédios proibidos podem causar desde impotência até tumores e infecções

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira cinco integrantes de um esquema ilegal de venda de medicamentos pela internet. A ação, que apreendeu 15.000 comprimidos, confirma a facilidade com que remédios proibidos no país ou que só poderiam ser vendidos com receita médica são encontrados em sites clandestinos. Entre as drogas apreendidas estavam substâncias abortivas, anabolizantes, inibidoras de apetite e até caseiras. Todas elas podem trazer graves consequências à saúde e, em alguns casos, até a morte.

De acordo com o endocrinologista José Egídio de Oliveira, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os anabolizantes são capazes de trazer riscos sérios às pessoas, como aumentar a incidência de tumores, principalmente no fígado. Entre os sintomas mais brandos, estão problemas de impotência sexual para os homens e características masculinizadas nas mulheres, como impacto na quantidade de pelos e na voz.

Quem utiliza inibidores de apetite sem a orientação de um médico pode ter problemas de pressão, a frequência cardíaca acelerada, se tornar mais irritadiço e ter distúrbios do sono. Em indivíduos com propensão a transtornos mentais, esse tipo de medicamento pode desencadear surtos psicóticos.

Além disso, recentemente, um estudo sobre sibutramina – que também é um inibidor de apetite – mostrou que as pessoas com histórico de doença cardiovascular têm maior risco cardiovascular. “Se a pessoa não consulta o médico e faz uso do medicamento, ela corre um grande risco de sofrer um acidente”, diz o endocrinologista.

Remédios caseiros e abortivos – Para Oliveira, a crença de que remédios caseiros e naturais são isentos de risco é completamente falsa. “Todas essas substâncias podem trazer problemas para a saúde e ainda não proporcionam os benefícios que a pessoa busca”, avisa.

A busca por substâncias abortivas também movimenta os mercados paralelos. No Brasil, a mais popular entre os sites clandestinos era uma substância anteriormente utilizada para o tratamento de úlcera gástrica, que tem o aborto como efeito colateral. Após essa descoberta, a droga foi adotada para acabar com a gravidez indesejada. De acordo com a Anvisa, a venda desse medicamento no varejo é proibida e ele só pode ser utilizado em ambiente hospitalar.

Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês, explica que a paciente que utilizar o medicamento com esse fim e sem acompanhamento médico pode encontrar vários cenários. “Na primeira situação, ela pode não conseguir abortar e provocar a mal formação do bebê, que terá problemas quando nascer”, diz Nogueira. No segundo caso, o aborto pode ser incompleto, o que desencadeia uma infecção uterina grave. Nesse quadro, a mulher pode ser submetida a uma cirurgia para a retirada do útero e se tornar infértil. Sem a administração da dose correta, a mulher também pode ter uma grave hemorragia. “O medicamento induz ao sangramento, que é capaz de colocar a vida da mulher em risco”, finaliza Nogueira.