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Variante britânica é mais letal que coronavírus original, dizem cientistas

Documento do governo do Reino Unido estima que espécie mutante aumente em até 60% o risco de morte e de internação

Por Ricardo Ferraz Atualizado em 14 fev 2021, 11h32 - Publicado em 14 fev 2021, 11h26

A variante do coronavírus que surgiu no Reino Unido é, provavelmente, mais letal do que a cepa que deu origem à pandemia. A constatação dos cientistas não mereceu um anúncio oficial e foi divulgada sem alarde em um site do governo britânico, na última sexta-feira, 12.

O risco maior de morte já havia sido aventado no mês passado. Agora, os cientistas embasam suas afirmações em diversos estudos que analisaram o vírus mutante conhecido como B.1.1.7. Assim que ele foi identificado, acreditava-se que teria mais capacidade de infecção, mas não de aumentar o número de internações e mortes. Os novos estudos provam o contrário.

“O quadro geral é de algo como um aumento de 40 a 60% no risco de hospitalização e de óbitos. Isso reforça as medidas políticas em vigor”, disse Neil Ferguson, epidemiologista e consultor científico do governo britânico. O Reino Unido voltou a restringir a convivência social, depois que a curva do número de casos se tornou ascendente no início do ano.

As razões para a maior letalidade da variante ainda estão sendo investigadas. Uma das hipóteses é uma carga viral mais elevada, o que dificultaria certos tipos de tratamento. “Há outras explicações para esse aumento da gravidade. Ele pode ser transmitido desproporcionalmente em ambientes com pessoas mais frágeis, como lares de idosos”, disse Muge Cevik, especialista em doenças infecciosas da Universidade de St. Andrews na Escócia e consultora científica do governo britânico, ao jornal The New York Times. 

  • A revelação serve de alerta pra outros países. Nos Estados Unidos estima-se que 35 a 40% dos novos casos de Covid-19 advém da nova variante britânica. Autoridades sanitárias americanas já se preparam para um novo surto em março. O B 1.1.7 já foi detectado em, pelo menos, 82 países.

    (Com The New York Times)

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