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Vacina de Oxford tem 76% de eficácia após 1ª dose, diz estudo

Depois da aplicação da segunda dose, taxa sobe para 82,4%, de acordo com dados preliminares

Por Giulia Vidale Atualizado em 17 mar 2021, 12h04 - Publicado em 2 fev 2021, 15h19

A vacina contra Covid-19 desenvolvida pela parceria Oxford-AstraZeneca fornece 76% de proteção contra a doença após a aplicação da primeira dose. A taxa sobe para 82,4% quando a segunda dose é aplicada no mínimo três meses depois da primeira, de acordo com resultados preliminares de um novo estudo.

Os dados são baseados a análise de 17.177 voluntários de estudos conduzidos no Reino Unido, Brasil e África do Sul. Entre estes, 332 casos sintomáticos da doença foram confirmados. Os resultados mostraram que uma dose padrão da vacina forneceu 76% de proteção contra quadros sintomáticos da Covid-19 entre 22 e 90 dias após a vacinação. De acordo com os autores, não houve evidência de redução da proteção durante este período.

Os pesquisadores ressaltam que 10 dias após a primeira dose não houve hospitalizações ou casos graves no grupo que recebeu a vacina. Por outro lado, 22 casos foram registrados no grupo de controle. “Ninguém em uma população de 12.408 pessoas vacinadas com uma dose única de ChAdOx1 nCo-19 foi hospitalizado com Covid-19 22 dias após a imunização. Esta é a coisa mais importante! A eficácia de 76% contra Covid-19 sintomática é ótima, mas 0 pessoas hospitalizadas é tudo”, comemorou a professora Katie Ewer, membro da equipe de Oxford, no Twitter.

Embora o estudo não tenha sido desenvolvido para avaliar o impacto da vacinação na transmissão da doença, os autores relatam uma redução de 67% na transmissão da doença após a primeira dose, de acordo com a análise de voluntários no braço britânico do ensaio de fase três. Após a segunda dose, a taxa foi de 49,5%. “Esses dados indicam que a ChAdOx1 nCoV-19, usada nos intervalos autorizadas, pode ter um impacto substancial na transmissão, reduzindo o número de indivíduos infectados na população.”, afirmam os pesquisadores.

Entretanto, eles ressaltam que não se sabe quanto tempo a proteção pode durar em regime de dose única “e, por esta razão, uma segunda dose da vacina é recomendada”. Após a segunda dose, a proteção subiu ainda mais: para 82,4%. “Uma segunda dose de ChAdOx1 nCoV-19 [nome oficial da vacina] induz níveis aumentados de anticorpos neutralizantes e é provavelmente necessário para proteção duradoura”, disseram os autores.

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O interessante é que essa eficácia foi observada quando a segunda dose foi aplicada, no mínimo, três meses após a primeira. Quando o intervalo entre as doses foi menor – até seis semanas – a taxa caiu para 54,9%.

“Programas de vacinação com a ChAdOx1 nCoV-19 focados na vacinação de uma grande proporção da população com uma dose única, com a administração de uma segunda dose após um período de 3 meses, é uma estratégia eficaz para reduzir a doença, e pode ser o ideal para o lançamento de uma vacina contra a pandemia quando os suprimentos são limitados no curto prazo”, concluem os autores.

A nova pesquisa traz resultados animadores, já que os dados iniciais mostravam uma eficácia bem mais baixa – 70,4% após a segunda dose. Ela também traz uma explicação para o controverso resultado anterior, quando voluntários que receberam, de forma errada, meia dose seguida de uma dose inteira apresentaram uma eficácia mais alta do que aqueles que receberam duas doses completas.

De acordo com os autores, esse dado pode ser parcialmente explicado pelo fato de que as pessoas no regime de meia dose inicial demoraram mais para tomar a segunda dose do que o grupo tradicional. “Apoiando ainda mais a observação de uma relação entre intervalo de doses e eficácia no grupo de duas doses completas”, afirmaram.

Vale ressaltar que o novo estudo foi publicado em uma plataforma que de pré-publicação, que reúne artigos científicos antes de sua publicação em grandes revistas científicas. Isso significa que os dados ainda precisam ser revisados por outros especialistas.

A vacina de Oxford-AstraZeneca já está aprovada para uso emergencial no Brasil e o intervalo recomendado entre a aplicação da primeira e segunda dose é justamente o de três meses. Na sexta-feira, 29, a Fiocruz, responsável pela produção e distribuição do imunizante no país, entrou com o pedido de registro final do imunizante, o que permite a comercialização e o uso na população em geral. A Anvisa tem até 60 dias para avaliar e emitir um parecer sobre a solicitação.

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