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Vacina contra meningite B chega ao Brasil

A vacina é a primeira a prevenir contra as cepas do tipo B que afetam principalmente bebês e adolescentes

Por Giulia Vidale 5 Maio 2015, 16h01

Nesta terça-feira foi lançada a primeira vacina contra meningite do tipo B no Brasil. Embora já existam no país vacinas contra os tipos A, C, W e Y da doença, essa é a primeira amplamente eficaz contra as cepas do tipo B. A meningite B é causada por uma bactéria (Neisseria meningitidis) e atinge principalmente bebês e adolescentes.

De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 53% dos casos de doença meningocócica diagnosticados em crianças com menos de cinco anos em 2014 foram causados pelo sorogrupo B.

Para Renato Kfouri, pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), a vacina chega ao mercado brasileiro como mais uma arma, e principal forma de prevenção, contra a doença meningocócica. “Essa é uma doença de evolução rápida e alta letalidade. No Brasil, a cada dez pacientes tratados, dois morrem da doença e cerca de 20% dos sobreviventes enfrentam sérias sequelas, como problemas neurológicos e amputações”, explica Kfouri.

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A dificuldade do diagnóstico também é um problema para o tratamento e influenciam a alta letalidade da doença. “Os sintomas iniciais – dor de cabeça, febre alta, vômito, rigidez na nuca e prostração – podem ser facilmente confundidos com outras enfermidades o que dificulta o diagnóstico e, consequentemente, atrasa o início tratamento, diminuindo as chances de sobrevivência e, em casos de sucesso, aumentando os riscos de sequelas” explica Kfouri.

O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento, realizado com antibióticos, são fundamentais para controlar sua evolução.

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Esquema vacinal – O esquema vacinal funciona da seguinte forma: para bebês de dois a cinco meses de idade, são necessárias três doses, com um intervalo de dois meses entre elas, além de uma dose de reforço aplica entre 12 e 23 meses de idade.

Para crianças entre 6 e 11 meses, o indicado são duas doses, também com dois meses de intervalo entre elas e um reforço no segundo ano de vida. Já para indivíduos entre 1 e 50 anos, são indicadas duas doses, com dois meses de intervalo, sem necessidade de reforço.

A GSK, fabricante da vacina, afirma que ela pode ser coadministrada com outras imunizações de rotina, no entanto, isso pode provocar maior incidência de eventos adversos como dor no local, rubor e febre. Além do Brasil, a Bexsero (nome comercial do produto) já é oferecida pela companhia em 37 países, incluindo Estados Unidos e membros da União Europeia.

Segundo Rômulo Colindres, diretor médico da GSK, a vacina estará disponível em clínicas privadas de todo o país até o dia 15 de maio. Quanto ao valor, cada dose será oferecida às clínicas por 340 reais, mas o preço ao consumidor final pode variar de acordo com a localização do centro médico.

Incidência no Brasil – De acordo com o Ministério da Saúde, em 2014 foram notificados 1500 casos de meningite no Brasil, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

De acordo com Marco Aurélio Safadi, infectologista do Hospital São Luiz Morumbi, o meningococos C é o principal responsável pelos da doença no país. No entanto, desde a inclusão da imunização contra meningite C na rede pública de saúde em 2010, a meningite B tem se tornado, proporcionalmente, a principal causa da doença.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS), disponibiliza quatro vacinas para prevenção da meningite: a BCG, a pentavalente, a meningocócica C e a pneumocócica. De acordo com o Ministério da Saúde, ainda não existe um pedido de incorporação da nova vacina ao sistema público.

De acordo com Renato Kfouri, pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), em breve a vacina deve entrar no calendário de vacinação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Sbim.

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