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Vacina contra malária tem eficácia menor do que esperada

Teste realizado em bebês mostrou que a primeira possível vacina proporcionou apenas 30% de proteção contra a doença um ano após a aplicação

Um teste da primeira possível vacina para a malária apresentou resultados inferiores aos esperados. Aplicada em 6.537 bebês africanos entre seis e 12 semanas, ela provocou uma redução de apenas 30% dos episódios da doença, índice considerado apenas “modesto” por especialistas.

Esse resultado mostra que ainda serão necessários alguns anos de trabalho na vacina, chamada RTS,S ou Mosquirix , que está sendo pesquisada há três décadas pela farmacêutica GlaxoSmithKline.

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MALÁRIA

Doença causada pela infecção dos glóbulos vermelhos humanos por quatro espécies do parasita unicelular Plasmodium: Plasmodium vivax, Plasmodium ovale, Plasmodium malarie e Plasmodium falciparum. Até 500 milhões de pessoas podem estar infectadas atualmente no mundo, causando a morte de pelo menos 1 milhão de pessoas anualmente.

CICLO DE VIDA DO PARASITA

A fêmea de um mosquito do gênero Anopheles pica um indivíduo com malária, extraindo o sangue infectado. Dentro do inseto, o parasita se multiplica e migra para as glândulas salivares. Ao picar outra pessoa, o mosquito injeta o Plasmodium com a saliva. Dentro do corpo humano, o parasita se instala no fígado para se multiplicar. Parasitas maduros são lançados no sangue, atacando glóbulos vermelhos.

Para Eleanor Riley, professora de imunologia na London School of Hygiene and Tropical Medicine (Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres), os resultados mostraram que a vacina ainda não é uma solução definitiva. “A eficácia ligeiramente menor do que a esperada afetará a análise do custo-benefício que os profissionais da saúde e os financiadores terão de fazer antes de decidir se a vacina representa o melhor uso de recursos financeiros limitados”, afirma.

Queda de desempenho – Um teste anterior, também realizado com bebês, resultou em 65% de eficácia, seis meses após a aplicação da vacina. Esse último teste, que apresentou apenas 30% de eficácia, foi realizado um ano após a aplicação da vacina. Já com crianças de cinco a 17 meses de idade, a taxa observada é de 50% de eficácia.

A vacinação em bebês é preferível porque, sendo acrescentada ao calendário de imunizações na infância, ela dispensaria custos adicionais que ocorreriam caso seja necessária a criação de um programa separado, para crianças mais velhas. A malária, doença causada por protozoários transmitidos por mosquitos, mata centenas de milhares de pessoas todos os anos, e atinge principalmente bebês na África.

(Com Reuters)