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Vacina contra malária que “imita” picada de mosquito se mostra promissora

Em testes feitos com humanos, parte dos voluntários que recebeu a dosagem mais alta da vacina foi completamente imunizada contra a doença

Por Da Redação - 9 ago 2013, 11h01

O laboratório americano Sanaria anunciou nesta quinta-feira que os testes de uma vacina contra a malária que “imita” uma picada do mosquito que transmite a doença foram bem sucedidos. De acordo com o estudo feito em torno da vacina, os seis voluntários que receberam o maior número de injeções – cinco doses, ao todo – foram completamente imunizados contra a doença. Os resultados foram descritos na revista Science. A vacina, porém, ainda precisa ser testada outras vezes e em um número maior de pessoas.

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MALÁRIA

Doença causada pela infecção dos glóbulos vermelhos humanos por quatro espécies do parasita unicelular Plasmodium: Plasmodium vivax, Plasmodium ovale, Plasmodium malarie e Plasmodium falciparum. Até 500 milhões de pessoas podem estar infectadas atualmente no mundo, causando a morte de pelo menos 1 milhão de pessoas anualmente.

CICLO DE VIDA DO PARASITA

A fêmea de um mosquito do gênero Anopheles pica um indivíduo com malária, extraindo o sangue infectado. Dentro do inseto, o parasita se multiplica e migra para as glândulas salivares. Ao picar outra pessoa, o mosquito injeta o Plasmodium com a saliva. Dentro do corpo humano, o parasita se instala no fígado para se multiplicar. Parasitas maduros são lançados no sangue, atacando glóbulos vermelhos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a malária causou 660.000 mortes no mundo em 2010, a maioria na África. A doença é transmitida pela fêmea do mosquito do gênero Anopheles, que injeta, no sangue de uma pessoa, parasitas que sugou da corrente sanguínea de um individuo contaminado. No Brasil, o principal parasita que causa a malária é o Plasmodium vivax. Ele é menos perigoso do que o Plasmodium falciparum, por exemplo, o mais predominante na África.

A vacina produzida pela Sanaria, que recebeu o nome de PfSPZ, foi feita com parasitas causadores da malária inteiros e em um estágio específico, conhecido como esporozoíto. Para que os cientistas pudessem obter esses microrganismos, eles precisaram dissecar as glândulas salivares dos mosquitos Anopheles, o que torna a produção da vacina algo ainda mais complicado.

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Antes de injetar a vacina nos voluntários, porém, os cientistas enfraqueceram os parasitas em laboratório com raios X. Assim, eles não teriam força suficiente para desencadear a doença nos voluntários. A ideia é que a vacina “imite” a picada do mosquito, mas faça com que os microrganismos apenas estimulem o sistema imunológico de uma pessoa a lutar contra eles.

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Teste – Participaram dos testes 57 pessoas, sendo que 40 delas receberam diferentes doses da vacina para, depois, serem comparadas com as outras 17 do grupo de controle. Dos seis voluntários que receberam cinco injeções com a dosagem mais alta, todos obtiveram proteção completa contra a doença. E, dos nove que receberam quatro vacinas também com a dosagem mais alta, seis foram imunizados. As aplicações das injeções foram feitas com um mês de intervalo entre cada uma.

Na opinião de Robert Seder, pesquisador do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos e um dos autores do estudo, os resultados são “muito promissores”, mas ainda é preciso que novas pesquisas sobre a vacina, que envolvam um maior número de pessoas, sejam feitas.

“Embora ainda estejamos nos primeiros estágios de teste, acreditamos que essa vacina vá ser usada um dia para eliminar a malária”, diz Stephen Hoffman, diretor-executivo do Sanaria. “É razoável sugerir que dentro de três a cinco anos uma vacina segura e confiável poderá ser uma realidade comercial e fornecer benefícios médicos para uma enorme população.”

(Com AFP)

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